Prévia da inflação ficou abaixo das expectativas, enquanto alimentos pressionaram os preços; economista do Daycoval projeta alta de cerca de 5% para o ano
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, abaixo da alta de 0,70% registrada em setembro. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (23), também ficou abaixo da expectativa de 0,43% apresentada pelo economista Julio Barros, do banco Daycoval.
Apesar da desaceleração mensal, o acumulado em 12 meses chegou a 4,62%, acima do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação. Em setembro, o indicador estava em 4,47%.
Alimentação
A alimentação foi um dos principais pontos de pressão em outubro. O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,88%, com aumentos expressivos em produtos como tomate, cebola, batata-inglesa e arroz. Na direção contrária, a queda das passagens aéreas e a redução dos preços da energia elétrica ajudaram a conter o resultado geral.
Na avaliação de Julio Barros, o comportamento das passagens aéreas foi o principal fator de surpresa positiva, uma vez que a expectativa era de aumento dos preços. Na composição do índice, porém, a alimentação voltou a exercer pressão, após um período mais favorável para os preços dos alimentos.
O economista destaca que itens in natura e arroz registraram aumentos no mês e avalia que as condições climáticas podem representar um risco adicional para a inflação nos próximos meses. Segundo ele, os possíveis efeitos do El Niño merecem atenção diante da perspectiva de condições meteorológicas mais adversas.
Serviços seguem pressionados
A desaceleração do índice também não elimina as preocupações com a inflação de serviços. Segundo Barros, alimentação fora de casa e serviços intensivos em mão de obra continuam pressionados. O economista observa ainda que o núcleo da inflação e os serviços subjacentes permanecem em patamar desafiador para o Banco Central.
Nos bens industriais, vestuário e etanol contribuíram para uma pressão um pouco maior do que a esperada. Já entre os preços administrados, a gasolina registrou aumento mais forte que o projetado pelo Daycoval, parcialmente compensado pela queda da energia elétrica.
Para o fechamento de 2026, Barros mantém a projeção de inflação em torno de 5%, com viés de alta, principalmente em razão dos riscos associados ao clima e ao comportamento dos preços dos alimentos.

