OPINIÃO: O Congresso do 1 x 6 é a jornada de Trabalho, por Napoleão de Castro

No Congresso Nacional de hoje, há parlamentares que parecem adotar escalas de trabalho de 1×6 ou 2×5: um ou dois dias de atividades em Brasília, enquanto milhões de brasileiros cumprem jornadas muito mais extensas.

 

O contraste fica ainda mais evidente quando o assunto é a redução da jornada de trabalho. Alguns se posicionam contra; outros, por conveniência eleitoral, votam a favor, mas já anunciam ressalvas e mudanças futuras.

Há ainda quem defenda a livre negociação entre patrões e empregados, inclusive com remuneração por horas trabalhadas.

Ora, se essa é a lógica que alguns parlamentares consideram adequada para o trabalhador brasileiro, por que não aplicá-la também aos representantes do povo?

Remunerar pelo trabalho efetivamente realizado seria, no mínimo, uma provocação necessária ao debate.

Afinal, mandato parlamentar não é emprego comum, mas também não pode ser confundido com privilégio.

Quem legisla sobre a jornada dos brasileiros precisa compreender a realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e passa o dia trabalhando para garantir o sustento da família.

A pergunta é simples: quem defende menos direitos e mais flexibilidade para o trabalhador aceita a mesma regra para si?

No Brasil, a cobrança por produtividade não pode valer apenas para quem está do lado de fora do Congresso.

Representar o povo exige presença, compromisso e trabalho. E isso não deveria depender do calendário eleitoral.

Napoleão de Castro
De Brasília

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Walter Santos

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