No Congresso Nacional de hoje, há parlamentares que parecem adotar escalas de trabalho de 1×6 ou 2×5: um ou dois dias de atividades em Brasília, enquanto milhões de brasileiros cumprem jornadas muito mais extensas.
O contraste fica ainda mais evidente quando o assunto é a redução da jornada de trabalho. Alguns se posicionam contra; outros, por conveniência eleitoral, votam a favor, mas já anunciam ressalvas e mudanças futuras.
Há ainda quem defenda a livre negociação entre patrões e empregados, inclusive com remuneração por horas trabalhadas.
Ora, se essa é a lógica que alguns parlamentares consideram adequada para o trabalhador brasileiro, por que não aplicá-la também aos representantes do povo?
Remunerar pelo trabalho efetivamente realizado seria, no mínimo, uma provocação necessária ao debate.
Afinal, mandato parlamentar não é emprego comum, mas também não pode ser confundido com privilégio.
Quem legisla sobre a jornada dos brasileiros precisa compreender a realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e passa o dia trabalhando para garantir o sustento da família.
A pergunta é simples: quem defende menos direitos e mais flexibilidade para o trabalhador aceita a mesma regra para si?
No Brasil, a cobrança por produtividade não pode valer apenas para quem está do lado de fora do Congresso.
Representar o povo exige presença, compromisso e trabalho. E isso não deveria depender do calendário eleitoral.
Napoleão de Castro
De Brasília

