Denúncias em série contra Flávio assustam, incomodam e espantam aliados, por José Natal

Nunca alguém, em tão pouco tempo e com tanta intensidade, acumulou tantas denúncias por algum tipo de irregularidades cometidas, como o atual candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL). Fato que hoje, a poucas horas da votação que definirá o resultado das eleições, preocupa, incomoda e assusta até os mais próximos do parlamentar, já apontado por eles como vencedor do pleito.

Dados oficiais confirmam que, durante todo o seu mandato como senador, iniciado em 2019, ele teve apenas um projeto transformado em lei. Nos sete anos de atividade como senador, atuou em pautas de desmonte da legislação ambiental, posição que adotou mesmo ciente do incômodo causado entre os pares com essa posição radical.

 

Segundo fontes do Senado, Flávio teve baixa produção legislativa, deixando de votar em 43% das deliberações nominais ao longo de 2026. Confirma também que ele divide a quinta posição entre os senadores que menos registraram votos, lugar que divide com Cleitinho (Cleiton Gontijo de Azevedo), do Republicanos, eleito governador de Minas no primeiro turno.

O passado (polêmico) do parlamentar há muito que deixou de incomodar de forma insistente os aliados mais próximos, uma vez que, se bem apurada, essa pauta levaria junto, possivelmente, uma dúzia de outros não tão preocupados com a avaliação da opinião pública.

O que preocupa, sim, e incomoda muito é a frequência com que as mazelas em abundância, sobre o passado e o presente do guapo tribuno, não saem das manchetes, levando a campanha a ter que inserir na maratona diária sempre um momento “resposta”, algo a explicar ao eleitor ou aliado, que a coisa não é bem assim.

No início de tudo, a única ferida aberta que tirava o sono do candidato e afins era a cobrança pelas explicações sobre as graciosas rachadinhas financeiras que, entre 2003 e 2018, muitos “trabalhadores” de algumas instituições cariocas recebiam como brindes, segundo a Justiça, ofertas generosas de Flávio Bolsonaro a cerca de 20 servidores. O que se provou sobre o assunto ainda é mistério, mas a sombra ainda paira sobre a cabeça do candidato e vizinhos.

Bom lembrar que a mesma denúncia também resvalou, à época, sobre alguns militantes do PT e PSOL, igualmente limpos como a água da fonte. A Justiça carioca, todos sabem, quase sempre é cega ou, às vezes, enxerga pouco.

Longe de se preocupar, como candidato, em mostrar ao país e ao eleitor algo que o identificasse como estadista, ou algo assim, preferiu a galhofa, dancinhas em palcos pouco iluminados, gestos quase juvenis e seguir as pregações bem ao estilo Pablo Marçal, Nikolas Ferreira e outros caçadores de likes.

Opção por estilo de campanhas temos que respeitar, cada uma escolhe o seu. O que Flávio talvez não tenha percebido (e nem vai perceber) é que, a seu redor, aliados bem próximos e conselheiros há muito que condenam esse estilo espalhafatoso, como se um candidato a um cargo de tamanha importância não exigisse lá certa postura; dignidade seria o termo.

Quase sempre se portando como um “special guest star” tupiniquim, não dá atenção aos questionamentos da mídia sobre o dinheiro destinado ao “Dark Horse”, subestima as insinuações sobre suas ligações com a milícia e, mais recentemente, com seu nome atrelado ao do advogado Willer Tomaz, que saiu de Taguatinga (cidade-satélite de Brasília) para um estrelato cujo futuro é incerto.

Na cabeça do eleitor, do cidadão comum, o nome disso é chave de cadeia. Para os filhos do pai e para o pai dos filhos, essa é a rota que escolheram para seguir, como se se habilitar a presidir um país fosse uma brincadeira que talvez dê certo.

Pode estar aí, nessa irreverência quase aventura, o inesperado que sempre aparece em muitas campanhas. Nem sempre um tiro no pé atinge apenas um dedo.

Jose Natal
Jornalista

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