Nunca faltam, na política, aqueles que se apresentam como donos da verdade. Cientistas políticos, marqueteiros eleitorais e analistas digitais que, cercados de gráficos, pesquisas, algoritmos e projeções, parecem acreditar que descobriram a fórmula definitiva para compreender o comportamento humano.
Alguns falam com tanta convicção que transformam opiniões em certezas e previsões em sentenças. Como se a política fosse uma ciência exata, o eleitor um número de planilha e a democracia um jogo que pudesse ser vencido apenas com estratégias de comunicação.
São os chamados “gênios” sem lâmpada. Gente que, muitas vezes, confunde conhecimento técnico com sabedoria e visibilidade nas redes sociais com capacidade de interpretar a realidade.
FORA DOS GABINETES
A política, entretanto, não acontece apenas nos gabinetes, nos estúdios, nas reuniões estratégicas ou nas telas dos computadores. Ela acontece nas ruas, nas feiras, nos ônibus, nas filas dos hospitais, nas escolas e na mesa de cada família brasileira.
É ali que o cidadão comum revela percepções que nem sempre aparecem nas pesquisas, nos relatórios ou nas sofisticadas análises digitais. Quem enfrenta diariamente as dificuldades da vida desenvolve uma leitura própria do país, identifica contradições e percebe quando o discurso político está distante da realidade.
Isso não significa desprezar a ciência, a pesquisa ou a tecnologia. Todas são ferramentas importantes para compreender a sociedade. O problema começa quando seus operadores se consideram superiores àqueles que pretendem interpretar.
A história política está cheia de previsões frustradas, estratégias milionárias que não deram certo e especialistas surpreendidos pelo resultado das urnas. O eleitor, com sua independência, suas emoções, suas necessidades e suas convicções, insiste em lembrar que não é um robô programado para obedecer a cálculos.
MONOPÓLIO
Na democracia, ninguém possui o monopólio da inteligência. O conhecimento acadêmico precisa dialogar com a experiência popular. A análise técnica precisa ouvir a realidade. E o marqueteiro precisa compreender que nem toda decisão do eleitor pode ser traduzida em um algoritmo.
Talvez a maior demonstração de inteligência seja justamente reconhecer que não se sabe tudo. E que, muitas vezes, aquele homem simples, aquela mulher que luta para sustentar a família ou aquele trabalhador que acompanha a política sem frequentar os grandes círculos de poder tem muito a ensinar aos que se julgam especialistas em tudo.
CONCEITO
A verdadeira sabedoria não está em se apresentar como gênio, mas em ter humildade para aprender.
Nos técnicos dessas áreas que são humildes, escutam, aceitam opiniões: Eu acredito. Do contrário eu não contrataria e faria feito o nosso maior Poeta PINTO da minha amada MONTEIRO:
“Um sujeito como tu…Pinto cantando não chama é o tipo do jerimum ponta de rama… Cabra ruim não dá leite e o pouco que dá derrama”.
Porque, na política, há muitos que se consideram donos da lâmpada. Mas, quando a realidade apaga suas certezas, descobrem que o cidadão comum também tem luz própria.
Napoleão de Castro
De Brasília
Jornalismo com ética e credibilidade.

