Papo de ECONOMIA: Os números do Cooperativismo no Nordeste em 2025, por Paulo Galvão Júnior

Por Paulo Galvão Júnior (*)

Hoje, nosso ponto de partida é uma constatação: os números divulgados no Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026 (AnuárioCoop 2026) pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) evidenciam a crescente contribuição do cooperativismo para o desenvolvimento das cinco regiões do Brasil, por meio de seus oito Ramos: Agropecuário, Consumo, Crédito, Infraestrutura, Saúde, Seguros, Transporte e Trabalho, Produção de Bens e Serviços (TPBS).

A análise que se segue tem como principal objetivo compreender o avanço das cooperativas no Nordeste, em especial, na Paraíba. Ambas estão associadas à profissionalização da gestão, ao aprimoramento da governança, à adoção de tecnologias digitais e à crescente integração entre cooperativas, universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e conselhos profissionais nos nove estados nordestinos:

Quadro 1: Números do Cooperativismo na Região Nordeste (2025)
Estado Cooperativas Cooperados Empregados Movimentação Financeira
Bahia 173 535.318 4.534 R$ 8,4 bilhões
Ceará 145 146.908 14.521 R$ 7,5 bilhões
Pernambuco 121 233.156 9.405 R$ 6,3 bilhões
Alagoas 104 82.489 5.249 R$ 3,7 bilhões
Rio Grande do Norte 89 101.624 3.052 R$ 2,4 bilhões
Paraíba 77 130.168 4.405 R$ 3,5 bilhões
Piauí 68 26.838 1.419 R$ 945,7 milhões
Maranhão 61 53.047 1.207 R$ 640,5 milhões
Sergipe 31 36.873 1.820 R$ 1,2 bilhão
Nordeste 869 1,346 milhão 45.612 R$ 34,5 bilhões
Brasil 4.400 29,0 milhões 613.375 R$ 848,3 bilhões
Fonte: Sistema OCB, Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026.

Segundo o AnuárioCoop 2026, do Sistema OCB, com informações consolidadas referentes ao ano de 2025, a Região Nordeste reúne 869 cooperativas, 1,3 milhão de cooperados, 45.612 empregados e a movimentação financeira atinge R$ 34,5 bilhões.

Os dados apresentados no Quadro 1 apontam a expressiva relevância socioeconômica do cooperativismo nordestino em 2025. A região abriga 19,75% das cooperativas do Brasil, concentra 4,64% dos cooperados brasileiros, responde por 7,44% dos empregos diretos gerados pelo cooperativismo nacional e movimenta 4,07% pelas coops brasileiras em ingressos.

No ranking regional por número de cooperativas, a Bahia ocupa a primeira posição, com 173 organizações cooperativistas, representando 19,90% das cooperativas nordestinas e 3,93% das cooperativas brasileiras. Na sequência aparecem Ceará (145), Pernambuco (121), Alagoas (104), Rio Grande do Norte (89), Paraíba (77), Piauí (68), Maranhão (61) e Sergipe (31).

A liderança baiana está relacionada ao maior porte de sua economia estadual, à diversidade das cadeias produtivas e à presença histórica das cooperativas nos Ramos Agropecuário, Crédito e TPBS. Esse ambiente favorece ganhos de escala, integração produtiva e maior inserção competitiva nos mercados regional e nacional.

Em relação ao número de cooperados, a Bahia também lidera o Nordeste, com 535,3 mil associados, equivalente a 39,78% dos cooperados nordestinos e 1,85% dos cooperados brasileiros. Em seguida aparecem Pernambuco (233,1 mil), Ceará (146,9 mil), Paraíba (130,1 mil), Rio Grande do Norte (101,6 mil), Alagoas (82,4 mil), Maranhão (53,0 mil), Sergipe (36,8 mil) e Piauí (26,8 mil).

A concentração de associados nos estados mais bem posicionados mostra maior capacidade de mobilização social e expansão das cooperativas, especialmente nos Ramos Crédito, Agropecuário e Saúde. Uma base associativa ampla favorece investimentos, amplia a escala de atuação, reduz custos operacionais e contribui para a sustentabilidade financeira.

Emprego

No número de empregados com carteira de trabalho assinada observa-se uma configuração diferente daquela verificada no ranking nordestino de cooperativas e cooperados. O Ceará ocupa a primeira posição regional, com 14.521 trabalhadores, correspondendo a 31,8% dos empregos gerados pelas cooperativas nordestinas e a 2,37% dos empregos formais nas coops brasileiras.

Esse resultado cearense revela a presença de cooperativas mais estruturadas, profissionalizadas e integradas às cadeias produtivas, com maior escala operacional e capacidade de geração de postos de trabalho formais.

Na sequência aparecem Pernambuco (9.405 empregados), Alagoas (5.249), Bahia (4.534), Paraíba (4.405), Rio Grande do Norte (3.052), Sergipe (1.820), Piauí (1.419) e Maranhão (1.207), conforme os dados consolidados pelo Sistema OCB referentes ao ano de 2025.

Movimentação financeira

No indicador de ingressos financeiros, que representa o volume econômico movimentado pelas cooperativas, a Bahia mantém a liderança regional, com R$ 8,4 bilhões, equivalente a 24,35% dos movimentados pelas cooperativas nordestinas e aproximadamente 1% da movimentação financeira das cooperativas brasileiras.

Na sequência aparecem os estados do Ceará (R$ 7,5 bilhões); Pernambuco (R$ 6,3 bilhões); Alagoas (R$ 3,7 bilhões); Paraíba (R$ 3,5 bilhões); Rio Grande do Norte (R$ 2,4 bilhões); Sergipe (R$ 1,2 bilhão); Piauí (R$ 945,7 milhões); e Maranhão (R$ 640,5 milhões).

Os resultados indicam que Bahia, Ceará e Pernambuco concentram aproximadamente 64% dos ingressos do cooperativismo nordestino, reflexo do maior porte de suas economias, da diversificação das cadeias produtivas e da presença de cooperativas de maior escala nos Ramos Agropecuário, Crédito, Saúde e TPBS.

Perfil Paraíba

A Paraíba ocupa a sexta posição no ranking do Nordeste em número de cooperativas em 2025, ano em que a Organização das Nações Unidas (ONU), sediada em Nova York, nos Estados Unidos da América (EUA), instituiu novamente o Ano Internacional das Cooperativas, reconhecendo a importância desse modelo econômico e social para a promoção do desenvolvimento sustentável do planeta.

Ao analisar a evolução do cooperativismo paraibano entre 2019 e 2025, verifica-se que seus principais indicadores registraram avanços consistentes, evidenciando uma transformação qualitativa no perfil das cooperativas presentes nos municípios paraibanos.

Esse processo reflete a adoção de modelos de gestão mais eficientes, maior sustentabilidade financeira, diversificação das atividades econômicas, fortalecimento da competitividade e ampliação da capacidade de oferecer soluções efetivas e viáveis para os desafios econômicos, sociais e ambientais enfrentados por seus cooperados em território paraibano:

Quadro 2: Evolução do Cooperativismo na Paraíba (2019-2025)
Ano Cooperativas Cooperados Empregados Movimentação Financeira
2019 115 49.134 926 R$ 2,0 bilhões
2020 101 64.684 3.130 R$ 1,9 bilhão
2021 88 67.949 2.822 R$ 2,1 bilhões
2022 91 77.346 2.850 R$ 2,7 bilhões
2023 92 99.961 3.690 R$ 2,7 bilhões
2024 78 114.602 4.302 R$ 3,5 bilhões
2025 77 130.168 4.405 R$ 3,5 bilhões
Fonte: Sistema OCB, Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026.

O Quadro 2 evidencia que o número de cooperativas paraibanas passou de 115 organizações, em 2019, para 77, em 2025, representando uma redução de 33,04% no período analisado. Essa diminuição quantitativa está relacionada, principalmente, a processos de reorganização institucional, fusões, incorporações, encerramento de organizações economicamente inviáveis e maior exigência dos padrões de governança, gestão profissional e conformidade regulatória.

Entretanto, essa redução de 38 cooperativas entre 2019 e 2025, não representa necessariamente enfraquecimento do movimento. Ao contrário, ocorreu uma transformação qualitativa, pois permaneceram organizações mais estruturadas, eficientes e preparadas para atuar em ambientes econômicos mais competitivos.

O cooperativismo paraibano passou por uma mudança de perfil nos últimos sete anos, menos organizações, porém com maior número de associados, mais empregos formais e maior movimentação financeira. Enquanto o número de cooperativas apresentou retração, o total de cooperados registrou forte expansão. A quantidade de associados aumentou de 49.134, em 2019, para 130.168, em 2025, crescimento aproximado de 165%, equivalente à incorporação de 81.034 novos cooperados.

Esse avanço demonstra maior confiança da sociedade no modelo cooperativista de negócio e amplia o capital social das organizações, favorecendo investimentos, ganhos de escala e maior capacidade de atuação econômica.

Vale destacar que o número de empregados passou de 926 trabalhadores, em 2019, para 4.405, em 2025, representando crescimento aproximado de 376%. Esse resultado positivo sinaliza que as cooperativas vêm ampliando sua participação no mercado de trabalho estadual, contribuindo para a criação de postos formais, geração de renda e abertura de novas oportunidades de inclusão econômica.

A dinâmica dos ingressos financeiros confirma que as cooperativas paraibanas movimentaram R$ 2,0 bilhões, em 2019, passando para R$ 3,5 bilhões, em 2025, crescimento de 75%, com acréscimo absoluto de R$ 1,5 bilhão no período analisado.

Mesmo diante de oscilações conjunturais, como os impactos econômicos provocados pela pandemia da COVID-19 em 2020 e pelos desafios macroeconômicos e climáticos em 2023, a trajetória predominante foi de expansão.

O desempenho observado entre 2019 e 2025 demonstra que o cooperativismo da Paraíba passou por uma fase de consolidação institucional e passou a apresentar maior relevância pelos impactos econômicos e sociais gerados.

A experiência da Paraíba entre 2019 e 2025 revela um movimento semelhante ao observado em outros sistemas cooperativistas consolidados, a redução do número de organizações acompanhada por maior profissionalização e a expansão da escala econômica.

Análise por Ramos

A evolução do cooperativismo paraibano também está relacionada à diversidade dos seus Ramos, em especial, as cooperativas de Crédito, Saúde, Agropecuário e TPBS, que exercem papel relevante na economia estadual, contribuindo para ampliar o acesso a serviços, organizar atividades produtivas, gerar empregos com carteira assinada nos municípios paraibanos:

Quadro 3: Números do Cooperativismo na Paraíba por Ramo (2025)
Ramo Cooperativas Cooperados Empregados Movimentação Financeira
Agropecuário 27 2.391 147 R$ 57,7 milhões
Saúde 12 4.217 3.428 R$ 1,9 bilhão
Crédito 12 121.231 816 R$ 1,5 bilhão
TPBS 11 724 5 R$ 9,0 milhões
Transporte 7 714 3 R$ 2,3 milhões
Consumo 7 700 6 R$ 1,9 milhão
Infraestrutura 1 191 0 R$ 191,8 mil
Paraíba 77 130.168 4.405 R$ 3,5 bilhões
Fonte: Sistema OCB, Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026.

O Quadro 3 retrata que o Ramo Crédito constitui um dos principais pilares do cooperativismo paraibano. Com 12 cooperativas, 121.231 cooperados, 816 empregados e movimentou R$ 1,5 bilhão em ingressos, exercem papel fundamental na inclusão financeira, no fortalecimento dos pequenos negócios e na ampliação do acesso ao crédito para pessoas físicas, empreendedores urbanos e produtores rurais.

As cooperativas de crédito contribuem para democratizar o sistema financeiro, especialmente ao aproximar serviços bancários de comunidades, oferecerem menores taxas de juros e tarifas bancárias e, conseguem atender segmentos econômicos que tradicionalmente possuem maiores dificuldades de acesso às instituições financeiras convencionais.

O Ramo Saúde também apresenta elevada relevância socioeconômica na Paraíba. Com 12 cooperativas, 4.217 cooperados, 3.428 empregados e R$ 1,9 bilhão em ingressos, destacam-se pela oferta de serviços especializados de saúde e pela expressiva geração de empregos qualificados nas áreas de Medicina, de Odontologia e de Psicologia.

O Ramo Agropecuário reúne 27 cooperativas, 2.391 cooperados, 147 empregados e movimentou R$ 57,7 milhões em ingressos, contribuindo para ampliar a comercialização dos produtos da marca “SomosCoop”, como leite, queijo, manteiga, iogurte, requeijão, doce de leite, polpa de frutas, mel de abelha, frutas (manga, melão, mamão, melancia, etc.), entre outros produtos agroindustriais, da agricultura familiar, da pesca e da aquicultura, além de melhorar a inserção dos produtores rurais nos mercados estadual, regional, nacional e internacional.

Os demais Ramos complementam a estrutura cooperativista estadual. O TPBS, com 11 cooperativas e 724 cooperados, amplia a presença do modelo cooperativo em atividades profissionais e de prestação de serviços.

O Ramo Transporte, com 7 cooperativas e 714 cooperados, participa da organização dos trabalhadores e empreendedores do setor de mobilidade e logística. O Ramo Consumo, com 7 cooperativas e 700 cooperados, contribui para melhorar as condições de aquisição de bens e serviços pelos associados.

Já o Ramo Infraestrutura, com uma cooperativa registrada e 191 cooperados, demonstra a presença cooperativista em segmento específico de prestação de serviços essenciais, como energia solar. O Ramo Seguros será contabilizado pelo Sistema OCB nos próximos anos, conforme a evolução da classificação estatística do cooperativismo brasileiro.

As principais características do cooperativismo paraibano são que o Ramo Crédito apresenta ampla base associativa, concentrando a maior quantidade de cooperados; o Ramo Saúde destaca-se pela geração de empregos formais e pela movimentação financeira; o Ramo Agropecuário lidera em número de cooperativas, desempenhando função estratégica para a organização da produção rural; e os outros Ramos ampliam a presença cooperativista em diferentes segmentos da economia estadual.

O que dizem os números

Vale ressaltar que os números apresentados pelo AnuárioCoop 2026 confirmam a relevância socioeconômica do cooperativismo brasileiro (29 milhões de cooperados), nordestino (1,3 milhão de cooperados) e paraibano (130.168 cooperados) em 2025. Ressalta-se também o excelente trabalho da presidente executiva do Sistema OCB, advogada catarinense Tânia Zanella, que amplia conhecimentos com a publicação e a divulgação do AnuárioCoop 2026 nos 26 estados e no Distrito Federal (DF).

As cooperativas constituem uma alternativa democrática de organização econômica e social, fundamentada na colaboração, na solidariedade e na participação ativa dos seus associados. Sua principal riqueza reside nos cooperados, que, orientados pelos sete princípios cooperativistas, transformam o modelo de gestão das cooperativas em oportunidades econômicas, inclusão social, geração de trabalho, valorização profissional e melhoria da qualidade de vida.

Essa diversidade demonstra a capacidade do modelo cooperativista de aliar geração de oportunidades econômicas, inclusão social e sustentabilidade ambiental, consolidando-se como um importante instrumento de desenvolvimento sustentável.

Portanto, o cooperativismo representa muito mais do que uma forma de organização empresarial, ele constitui uma estratégia de desenvolvimento sustentável, fundamentada na cooperação, na gestão democrática, na solidariedade e na valorização das pessoas.

Nesse contexto, o cooperativismo nordestino e, em especial, o cooperativismo paraibano, demonstra estar no caminho certo ao fortalecer a inovação, a sustentabilidade, a inclusão produtiva e a competitividade, consolidando seu protagonismo em plena Quarta Revolução Industrial.

Referência
SISTEMA OCB. Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026. Disponível em: https://somoscooperativismo.coop.br/anuariocoop. Acesso em: 31 jul. 2026.
(*) Paulo Galvão Júnior é estudante do Curso de Licenciatura em Geografia na modalidade de EAD da UNINASSAU, ex-professor de Economia e de Economia Brasileira no UNIESP, graduado em Ciências Econômicas pela UFPB, especialista em Gestão de RH pela UNINTER, economista paraibano (CORECON-PB 1392), conselheiro efetivo do CORECON-PB, sócio do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba (FCFPB), associado do Instituto de Inteligência Econômica (IIE), integrante do GRT-PB, escritor, autor de 19 e-books de Economia, autor e co-autor de mais de 480 artigos de Economia, eleito Economista do Ano 2019 e Professor de Economia Destaque no Ano 2023 pelo CORECON-PB, palestrante, colunista na Revista Nordeste, Portal Valentina, Portal NotíciaExtra.com, SAM Consultoria (São Paulo) e Portal North News (Toronto) e apresentador do programa Economia em Alta, da Rádio Alta Potência. WhatsApp para palestras e entrevistas: +55 (83) 92000-4420.
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Redacao RNE

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