Qualquer que seja o resultado da campanha eleitoral em Brasília, neste ano em que a cidade comemora seus 66 anos de idade, pelo menos cinco mulheres desafiadoras já têm assegurado seus nomes na história política da cidade. Cada uma delas com histórico de vida, projetos e métodos de trabalho diferentes, mas todas anunciando empenho no bem-estar social e realizações.
DISPUTA NO GOVERNO
Celina Leão (PP), 49 anos, e Paula Belmonte (PSDB), 53 anos, disputam um lugar no Palácio do Buriti, sede do Governo local, antes ocupado por Ibaneis Rocha, que deixou o cargo logo após o escândalo Banco Master-BRB, até hoje um mistério sem fim. Na boca do povo, como falcatrua, e nos corredores da Justiça, quase uma ameaça à segurança nacional, ou mais que isso.
Celina, que assumiu o posto e tenta continuar no cargo pelo voto popular, lidera a disputa eleitoral, pressionada dia a dia a dar explicações, pagar contas do antecessor e se livrar de dívidas que nem sabe se fez.
Competindo com ela, buscando seu espaço, Paula Belmonte, mãe de seis filhos e com um viés social acentuado, traz na bagagem citações de um bom desempenho como deputada federal e, na Câmara Legislativa local, repetiu a mesma performance. Nos debates e nos encontros com a comunidade, revela coerência com o trabalho parlamentar já realizado.
SENADO FEDERAL
Para o Senado Federal, duas candidatas dimensionalmente opostas em todos os sentidos lideram as pesquisas, apoiadas por eleitores que vão do radicalismo extremo ao admirador convicto, talvez conservador. Aquele que adota como opção destinar seu voto a quem já conhece de longa data, sabe de sua trajetória e, mesmo que a crença política já não desperte tanto encantamento, prefere ficar onde está.
Estamos falando das candidatas Michelle Bolsonaro (PL), de 44 anos, e Leila Gomes de Barros (PDT), a Leila do Vôlei, de 54 anos, ex-atleta da Seleção Brasileira, com longo trajeto como parlamentar e que, ganhando ou perdendo, é impossível não associar seu nome à vida política do DF.
Michelle Bolsonaro, que nasceu de família pobre na cidade-satélite de Ceilândia, ali cresceu em total e absoluto ostracismo, ganhou fama e poder e hoje já se coloca como senadora eleita pelo seu partido, escolhida que foi após ganhar o estrelato como esposa de Jair Bolsonaro, aquele mesmo que tentou dar um golpe contra o País e acabou preso.
Michelle presidiu o PL Mulher, viajou mundo afora, ganhou força política e deve ganhar o direito de ocupar uma cadeira no Parlamento, pelo voto.
CANDIDATA ESPECIAL
Quem também aceitou desafios, contratempos e até preconceitos foi Natanry Ludovico Lacerda Osório, que, aos 87 anos (quase 88), atendeu ao convite do PSDB e se lançou candidata a deputada distrital, prometendo a seus aliados e possíveis eleitores um cuidado especial com a educação, o meio ambiente, a saúde e tudo mais ao redor do que venha de boas causas e benesses que a cidade pedir.
Pioneira (viu a cidade nascer), foi professora, alfabetizou muitos que hoje são médicos, advogados ou engenheiros e ocupou cargos relevantes em diversos escalões. Pela sua jornada histórica passaram nomes como Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro, Darcy Ribeiro e inúmeras outras autoridades que ajudaram a fundar a capital do País.
Ativa, de elevado potencial cultural, com boa saúde e otimista em resgatar para os dias de hoje eventuais valores esquecidos em benefício da comunidade, a candidata, que já faz parte da história, sinaliza disposição em continuar ainda por um longo tempo a demonstrar afeto e afago pelos pioneiros de sua cidade.
Bons presságios para o meio político, que antes, com alguma dose de ironia, não dava às mulheres na política o devido valor e o respeito que todas merecem.
José Natal
Jornalista

