Uma abordagem histórica sobre a fuga política parecendo papelão, por Rosa Freire d’Aguiar

— O cabra mole, o ditador e a ameaça de virar apátrida

O cabra mole fugiu do país, sabemos. Uma vergonha para esse bando que posa de valentão e quando perde põe o rabo entre as pernas. Mas ele não é o primeiro a fazer esse papelão.

Pois me lembrei dos idos de 1990, quando houve eleições no Peru. O escritor Mario Vargas Llosa era candidato, achou que ia levar no primeiro turno. Seu adversário era Alberto Fujimori, até então quase desconhecido, que começou com não mais de 1% nas pesquisas.

Houve segundo turno. E aí ele foi massacrado: 37 por cento, contra 62 por cento para o japonês. Pois bem, dias depois o escritor perdedor pegou um avião (provavelmente de linha, e não de jatinho de amigo trilhardário) e foi para Madri, onde tinha casa.

Fugiu, sim. E pediu a nacionalidade espanhola, renegando a do país onde nasceu e que, até pouco antes, tinha a (infundada) fanfarrice de querer governar.

Anos depois, o laureado escritor disse que tinha tomado a decisão radical de ir embora do país porque achava que seus compatriotas não queriam saber dele, e por isso tinham lhe dado as costas nas urnas.

Mas como danou a falar mal do Fujimori, este o ameaçou de cassar sua nacionalidade e torna-lo apátrida. Sabemos que Lula não fará isso com o cabra mole.

E, claro, outra diferença gigantesca é que o perdedor Llosa — embora tenha se tornado líder da direitona, e até da extrema-direita, em todo lugar onde ela brotou — era um escritor imenso, merecido Nobel da literatura.

Enquanto o fujão daqui não deve ser capaz de escrever nem uma página de literatura. Ver menos

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Walter Santos

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