É bem verdade que, 2 ou 3 a cada 10 brasileiros, se perguntados, saberão explicar bem o que aconteceu nas eleições americanas, antes, durante ou depois da goleada acachapante que o partido Democrata aplicou (ou está aplicando) ao rival Republicano, loteando sem dó e com ironia, um percentual gigantesco das cadeiras em todo o Congresso Nacional daquele pais.
Pouco importa a essa minoria com saber politico, entender esse ou aquele detalhe burocrático que domina o pleito por lá, ou de que forma isso acontece agora, ou acontecerá amanhã ou depois. Importa sim, e agrada a maioria, a tão esperada alternancia de poder após meio século de domínio , e que, ao que tudo i ndica, melhora a construção de pontes diplomáticas e comerciais com o nosso pais.
Aliados e adversários do trumpismo, juntos ou separados no ambiente parlamentar americano,de pronto já entenderam que pode mesmo estar chegando ao fim, ou perto disso, o absolutismo radical e dominante de Donald Trump, impondo vontades e aplicando leis a sua escolha, pouco se importando com a opinião do Congresso do Pais, tido como um dos mais democráticos do globo.
Brian Winter, jornalista, analista politico e conhecido por ter adquirido amplo conhecimento da politica latino americana, com segurança e certeza de opinião, cita que o resultado das eleições iniciadas no último dia 3, sentenciou a Trump a sua maior derrota politica em toda sua trajetória.
Winter, editor da Revista Americas Quarterly, com mais de 25 anos de carreira,( trabalhou dez anos no Brasil) admite que o fato pode ter sinalizado a Trump um futuro politico duvidoso, até hoje nunca admitido pelo presidente dos Estados Unidos, e todos a seu redor. Evidente que o resultado de eleições nos Estados Unidos, em quaisquer circunstancias, repercute em todos os continentes.
Naquele pais estão eleitores que ocupam 50 estados, e ainda aqueles sediados na Capital Washington. Somente na Califórnia são 39,3 milhões, vindo a seguir o Texas com 31 milhões e a Flórida, em torno de 23 milhões e Nova York , 20 milhões.
O manifesto desse gigantismo de pessoas, lideradas por um presidente que reinvidica o Nobel da Paz, e atiça conflitos entre vizinhos de fronteiras, arremete a comunidade mundial a uma desordem de pensamentos constante.
Nesse balaio de questionamentos, sobre o que motivou tantas cenas explicitas de desagravo a gestão Trump, ainda ha muitas perguntas sem respostas ou mo tivos claros. Nas redes sociais, na mídia mundial, ou mesmo nos aconchegos domésticos, centenas de motivos alegados, nenhuma conclusão que obtenha consenso.
Os votos pela rejeição pipocaram de todas as vertentes da sociedade,desde o inconformismo dos jovens e negros, passando pela covarde e repugnante politica de imigração, até a desleal manifestação internacional de taxação de impostos as nações,algumas jamais punidas em outras gestões.
As guerras com o Irã, Ucrania, conflitos com paises do Oriente Médio e alianças de toda ordem com Israel e suas lideranças, também estão na balança que mede o peso das relações de Tio Sam com o resto do mundo.
Como sempre faz, as vezes até zombando daqueles que o criticam, Trump não assume a condição de derrotado, ironiza a critica e apost a na chamada “crise passageira”, culpando a imprensa por sensacionalismo.
O mundo sabe que não é bem assim, essa derrota fará estragos sim, e muito. No que cabe ao Brasil, analistas com mais estradas já citam possíveis arranhões nas relações entre direitistas dos dois países, incluindo ai a leva de brasileiros envolvidos com problemas na justiiça, amoitados por lá com o aval dissimulado do presidente e assessores.
Desse grupo, fazem parte uma parcela considerável de politicos (e ex-politicos) de renome em nosso Pais. A essa altura do campeonato, todos eles, com um olho na validade do passaporte, e outro nas porteiras das fronteiras mais próximas. Cedo ainda para uma real e definitiva avaliação do estrago que esse manifesto possa ter gerado aos derrotados, e suas alianças.
Incontrolável também, o grau de contentamento de várias outras nações pelo revés imposto a Trump, de repente ironicamente taxado de “pato manco” das Américas. A distribuição de carapuças para encaixar na cabeça dos culpados já começou, são muitas.
José Natal
Jornalista

