O exemplo global do Vila Galé no Mundo

CEO do grupo português, Gonçalo Rebelo de Almeida, comenta 40 anos de conquistas em Portugal e comemoração de 20 anos no Brasil

Por Walter Santos

A economia global, a partir da Europa, Brasil, em particular Portugal convive com registro histórico diante dos 40 anos de sucesso do grupo português Vila Galé. Em novembro, a mesma estrutura estará comemorando 20 anos de atividade ascendente no Brasil. Saiba detalhes a seguir:

Revista NORDESTE – Final de junho registra a comemoração em Sintra de 40 anos do Grupo Vila Galé em Portugal. Qual a simbologia de efeitos socioeconômicos dos investimentos no País até agora e com perspectivas de futuro até fora de Portugal a curto e médio prazos?

Gonçalo Rebelo de Almeida – Celebrar 40 anos em Sintra tem uma simbologia muito especial para nós. A Vila Galé nasceu em Portugal, no Algarve, e cresceu sempre com uma filosofia de prudência, reinvestimento e ligação aos destinos. Hoje, mais do que celebrar o número de hotéis, celebramos a capacidade de transformar projetos hoteleiros em motores de desenvolvimento local.

Em Portugal, os investimentos da Vila Galé tiveram impacto direto na criação de emprego, na dinamização de fornecedores locais, na valorização de produtos regionais, na recuperação de património histórico e na atração de turistas para destinos que, muitas vezes, estavam fora dos grandes fluxos turísticos tradicionais. Temos exemplos muito relevantes em cidades históricas, no interior, em regiões vinícolas e em edifícios que estavam degradados ou subaproveitados e que ganharam nova vida através da hotelaria.

Essa é também a nossa visão para o futuro, em Portugal e fora de Portugal: crescer de forma sustentada, com projetos que façam sentido para o território, para a marca e para as comunidades. No curto e médio prazo, vemos oportunidades importantes no Brasil, onde continuamos muito confiantes, e também em destinos onde a Vila Galé possa acrescentar valor através de hotelaria de lazer, resorts, recuperação patrimonial, cultura, gastronomia e experiências diferenciadoras.

NORDESTE – Como o senhor atrai a IA como elemento de reforço às estratégias do grupo diante dos desafios tecnológicos produzidos por poucos donos dessa ferramenta poderosa?

Gonçalo Rebelo de Almeida – A inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de apoio, não como um substituto daquilo que é essencial na hotelaria: as pessoas, o acolhimento, a hospitalidade e a relação humana. Na Vila Galé, acreditamos que a tecnologia deve servir para tornar as equipas mais produtivas, melhorar a experiência do cliente e apoiar decisões mais rápidas e mais informadas. A IA pode ajudar em várias áreas: na análise de dados, na personalização da comunicação com os hóspedes, no apoio ao serviço ao cliente, na eficiência operacional, na manutenção, na sustentabilidade e até na redução do desperdício alimentar.

Mas é fundamental que as empresas tenham uma estratégia própria e não fiquem totalmente dependentes de grandes plataformas tecnológicas. A tecnologia tem de estar ao serviço do negócio, da operação e do cliente. Onosso desafio é aproveitar o que a IA tem de positivo, mantendo controlo, critério e bom senso. Na hotelaria, a diferenciação continuará a estar muito ligada à experiência, à qualidade do serviço e à capacidade das equipas. Por isso, queremos uma hotelaria mais digital, mas também mais humana.

NORDESTE – Como é administrar 34 hotéis em Portugal, 13 no Brasil, além da presença na Espanha e em Cuba, oferecendo lucratividade frente aos custos e concorrência mercadológica?

Gonçalo Rebelo de Almeida – Administrar uma rede com esta dimensão exige disciplina, proximidade à operação e uma visão de longo prazo. A hotelaria é um setor de margens exigentes, muito exposto ao aumento dos custos de energia, alimentação, salários, manutenção, financiamento e também à concorrência. Por isso, a rentabilidade não se alcança apenas aumentando preços. Alcança-se com eficiência, bom produto, equipas preparadas, gestão rigorosa e capacidade de adaptação a cada mercado.

A Vila Galé sempre procurou crescer com prudência. Não crescemos apenas para somar unidades. Procuramos projetos com procura, escala, identidade e capacidade de gerar valor. Ao mesmo tempo, temos uma estrutura centralizada em áreas como compras, marketing, vendas, revenue management, tecnologia, manutenção e recursos humanos, que permite ganhar eficiência, mas preservando a autonomia operacional de cada hotel. Portugal, Brasil, Cuba e Espanha são mercados diferentes, com desafios distintos.

O Brasil, por exemplo, tem enorme potencial turístico, um mercado interno muito forte e destinos extraordinários, mas também exige resiliência, conhecimento local e capacidade de lidar com burocracia, custos e ciclos económicos. A chave é manter consistência na marca, qualidade no serviço e rigor na gestão.

NORDESTE – A Vila Galé comemorará 25 anos de existência no Brasil. Quando e como o Grupo celebrará data tão significativa mercadológica e historicamente?

Gonçalo Rebelo de Almeida – O Brasil é absolutamente estratégico para a Vila Galé e tem um significado emocional muito forte para o grupo. A nossa história no país começou em 2001, com o Vila Galé Fortaleza, e desde então construímos uma presença muito relevante, sobretudo nos resorts, mas também em hotelaria urbana e projetos de caráter histórico e cultural. Os 25 anos no Brasil serão celebrados em novembro de 2026, associados também às comemorações dos 40 anos do grupo.

Teremos iniciativas comerciais dirigidas aos clientes, ações com parceiros, operadores, agentes de viagens, colaboradores e entidades locais, além de momentos de celebração nos próprios hotéis. Mais do que uma comemoração pontual, queremos que esta data seja uma forma de agradecer ao mercado brasileiro, às nossas equipas, aos nossos clientes e às comunidades que nos receberam. O Brasil foi, e continuará a ser, uma das grandes apostas da Vila Galé. Temos orgulho no que já fizemos, mas sobretudo ambição para continuar investindo, criando emprego, valorizando destinos e contribuindo para o desenvolvimento do turismo brasileiro.

NORDESTE – A quem o senhor atribui a habilidade e competência para tantas comemorações sem igual ao grupo?

Gonçalo Rebelo de Almeida – Atribuo, em primeiro lugar, às pessoas. A Vila Galé é o resultado da visão empreendedora do seu fundador, Jorge Rebelo de Almeida, mas também do trabalho diário de milhares de colaboradores em Portugal, no Brasil, em Cuba e em Espanha. São as equipas que recebem os clientes, que mantêm os hotéis a funcionar, que garantem a qualidade do serviço e que dão vida à marca todos os dias.

Também devemos muito aos nossos clientes, que nos acompanham há décadas, aos parceiros comerciais, fornecedores, autoridades locais e comunidades onde estamos presentes. Nenhum grupo hoteleiro cresce sozinho. Cresce porque cria relações de confiança. Estas comemorações são, por isso, uma celebração coletiva. Celebramos 40 anos de história, 25 anos de Brasil, muitos projetos realizados e, acima de tudo, a vontade de continuar fazendo mais e melhor. O mérito é de uma cultura de empresa que combina trabalho, prudência, ambição, proximidade e paixão pela hotelaria.

*Entrevista publicada na edição 234 da Revista NORDESTE
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Ana Júlia Silva

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