O resultado final de toda essa crise, gerada em torno do Supremo Tribunal Federal, Ministros Moraes e Mendonça, caso Vorcaro e Polícia Federal, é imprevisível. Mas ninguém precisa ser especialista em nada para entender que estragos como esses, nunca vistos na história desse país, virão à tona, em curto prazo. Também está mais do que claro que o pano de fundo desse amontoado de fatos, nada republicanos, tem o desenho previamente elaborado, e atende pelo nome de eleições-2026.
E, negue quem quiser, mas a raiz consistente, bem articulada e elaborada com zelo e precisão, para que tudo isso chegasse onde chegou, tem o DNA, CPF e endereço completo de todos aqueles que, juntos ou separados, articulam uma derrota petista nas eleições de outubro próximo. E as chances de êxito são reais, impossível negar evidências.
Desnecessário citar aqui dezenas de confrontos verbais e de atitudes entre a família Bolsonaro e os ministros do Supremo, em especial Alexandre de Moraes e de outros bem próximos a ele. A explosão do caso Vorcaro-BRB-Master, escancarando negociatas, milhões de dólares de mão em mão como se fossem sacos de pipocas, gravações e mensagens de celular, comprometendo a corte suprema e entidades de toda grandeza, traz ao ambiente eleitoral um tempero apimentado inevitável, uma vez que inúmeras pessoas citadas nessa arapuca, de alguma forma, estão envolvidas no processo eleitoral, na busca de votos.
Impossível não eleger André Mendonça, paulista nascido em Santos, (54 anos), como principal personagem dessa reunião de autoridades que fazem da vida um eterno Oceano de problemas.
Indicado para o STF pelo ex-presidente Bolsonaro, chegou ao cargo com a chancela de ser “terrivelmente evangélico”, assim avaliado pelo Capitão por ser Pastor dedicado e fiel a sua crença. Muitas vezes invocando a presença e a vontade de Deus em suas ações, e adotando medidas até então nunca vistas em sessões polêmicas do Supremo, Mendonça, sem rodeios, bateu de frente com Alexandre de Moraes, discordou de outros colegas da corte, e instalou na casa da justiça um mal-estar sem precedentes.
Atenta e observadora, a sociedade civil a tudo assiste, apoia alguns atos e discorda da maioria, gerando ansiedade, preocupando todos os segmentos.
Aberto o confronto, colocando de um lado um público reduzido de apoio à Suprema Corte, e de outro uma torcida ansiosa que insiste e pede mudanças, e até a cassação de ministros, o cenário eleitoral, em todo território nacional, não tem como evitar possíveis faíscas que com certeza sairão desse ambiente nervoso e conturbado.
Lula da Silva (PT), de um lado, e Flávio Bolsonaro (PL), de outro, estão, inevitavelmente, no olho desse furacão que promete ainda se arrastar por tempo indeterminado.
Os estragos causados pelo episódio do afastamento do Diretor Geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, repercutem com grande intensidade nas campanhas dos dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais. A máquina bolsonarista não esconde uma acentuada dose de alegria, com anseios de comemoração, mesmo que ainda falte um longo tempo até o pleito.
Evidente que os danos causados pela crise afetam com mais intensidade a campanha petista, uma vez ser a PF um órgão do Governo. As manifestações políticas, durante os festejos do feriado de 7 de setembro, deram sinais evidentes de que há, de fato, uma aparente euforia nos bastidores da campanha bolsonarista.
Há rumores, também, que entre os mais entusiasmados alguns não esconderam os gestos de agradecimentos pelo apoio, mesmo que involuntário, do Ministro Mendonça. Coisas de campanha, acontece.
José Natal
Jornalista

