Aliados de Caiado e Zema ironizam campanha de Flávio, por José Natal

Para aliados, apoiadores e integrantes das campanhas dos candidatos à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), Flávio Bolsonaro (PL), pelo desempenho demonstrado até agora na pré-campanha, tem sido o melhor cabo eleitoral do adversário comum a todos eles: Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Sem autorizar a citação de seu nome, um assessor de Caiado, que trabalha para o candidato em Brasília, afirma que, a seu ver, faltam seriedade e profissionalismo aos que cuidam da candidatura bolsonarista, que “brincam mais do que trabalham”.

Irônico, cita, por exemplo, que apenas aqueles que fazem política por diversão poderiam acreditar que o lançamento da campanha de Flávio, com a presença do argentino Javier Milei, tenha trazido algum benefício ou algum voto contra Lula.

Acrescenta, com alguma ira, que era justamente tudo isso que o petista queria: “eles dançando no palco para divertir alienados”.

Encerra, com alguma maldade: “O lado Fred Astaire de Flávio Bolsonaro carece de mais cuidado artístico por parte de sua assessoria. Essas estripulias de palco — dancinhas e ginásticas — aprovadas sabe-se lá por quem, tiram o foco de uma campanha que merece outro tratamento”.

Data venia, acredita-se que boa parte dos apoiadores de Flávio sabe quem foi, ou já ouviu falar de Fred Astaire, cantor, dançarino, ator e coreógrafo de primeira grandeza, que nos deixou em 1987, aos 88 anos.

Gestos assim, se bem organizados, fazem bem ao espírito de união e afastam o estresse. Mas, da forma como o candidato vem se apresentando, ao estilo Chacrinha, ao invés de torná-lo popular, o arremete para uma definição nada confortável para quem cobiça o maior cargo público do País.

O prestígio de Milei em toda a América do Sul e em grande parte do mundo resvala no zero, e sua fama de desagregador é notória. Parlamentares argentinos, juntamente com entidades responsáveis do país vizinho, manifestaram gestos de repúdio às patacoadas que, segundo eles, não representam a sociedade daquele país.

Finalizando, o apoiador de Caiado também menciona que, ao contrário do que se esperava, as ausências de pesos pesados do partido de Flávio ao evento atestam que seu prestígio é flácido também entre os que mais deveriam incentivá-lo.

E encerra, com ironia: “A presença de Michelle através de um vídeo, e citando seu nome apenas uma vez, timidamente, comprova que por ali ainda há muita, muita mágoa não esquecida”.

Bom lembrar que Ciro Nogueira, Pastor Malafaia, Caio Castro, Sóstenes Cavalcante e Nikolas Ferreira, todos bolsonaristas juramentados e considerados influentes nos bastidores da campanha, não foram ao evento, cada um alegando desculpas diferentes.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL (Partido Liberal), como sempre confuso em suas explicações, omitiu-se de opinar com mais ênfase, apenas participando timidamente da festa.

O mineiro Romeu Zema, candidato de Minas Gerais ao Planalto, sinalizou pouco interesse pelo evento de Flávio Bolsonaro, preferindo calibrar melhor suas críticas sobre Lula, para ele o real adversário a ser batido.

As ofensas de Milei ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, feitas com insistência durante a festa do PL, conforme registro da mídia nacional, causaram também manifestações de insatisfação e preocupação entre seguidores do candidato, cientes de que a repercussão para fora do País seria inevitável.

Estranhamente, surpreendendo assessores mais próximos do comando da campanha, Flávio Bolsonaro elogiou a performance do presidente argentino, agradecendo a ele pelo prestígio da presença e ignorando toda e qualquer referência negativa sobre o que havia sido registrado em sua homenagem.

O Governo brasileiro exigiu explicações da diplomacia argentina, lamentando a postura de Milei, a quem considera grosseiro e despreparado.

Até onde o episódio renderá consequências à candidatura de Flávio, nos próximos dias as pesquisas dirão.

O que há de fato, sem que haja necessidade de pesquisa, é uma real preocupação dos demais candidatos da direita brasileira. Eles lembram que Flávio, agindo assim, cada vez mais aproxima a vitória de Lula ainda no primeiro turno da eleição.

Negue quem quiser. Mas que isso faz sentido, isso faz.

José Natal
Jornalista

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