História expõe conduta de brasileiro de força além do país
Por Marcos Formiga*
Um grupo de amigos, colegas, discípulos, solidários com a família de Milton Santos- houve por bem, no limiar desde Janeiro, iniciar a celebração em homenagem a um dos principais Intérpretes do Brasil contemporâneo.
Com seu saber diferenciado, pensamento próprio e original, ele projetou o Brasil para o Mundo!
Filósofo, urbanista, humanista, economista, jornalista, democrata radical, cidadão exemplar. Eximio orador e brilhante conferencista. Milton Santos- uno e múltiplo.
Sua contribuição intelectual compõe-se dentre outras categorias e atributos de interpretação teórica metodológica singular, ação prática, livre de de qualquer influencia de colonialismo mental, completa autonomia, independência cultural e compromisso ético absoluto.
Do Nordeste brasileiro, Milton parte da interpretação e pesquisa de sua Bahia, a partir da Associação de Geógrafos Brasileiros-AGB, da qual foi seu presidente no década de 1960. Descreve a cidade e o território dos países em desenvolvimento. Na França onde obteve seu doutoramento, elabora o conceito de formação socioespacial, sua análise expande- se pela Europa, África e Américas.
Três Continentes onde residiu em diversos paises e exerceu intensas atividades de docência, pesquisa e de assíduo escritor em reconhecidas universidades de classe mundial.
Em decorrência do relevante desempenho acadêmico- profissional tornou- se o primeiro escritor em língua não inglesa, a receber o “Premio Vautrin Lud,”laurea máxima internacional em Geografia.

Além de detentor de considerável número de Doutorados “Honoris Causa”, concedidos por Instituicoes do Brasil e do Exterior. Inclusive da nossa UNB.
Além de Professor Emérito da USP, que também, guarda seu relevante acervo no Instituto de Estudos Brasileiros- IEB.
Aqui está a “Volante”, simples e significativa publicação com titulo popular e comunicativo, em edição exclusiva da “Biblioteca Submersa”, do Recife, como marco primeiro do Centenário de Milton Santos.
Com esse objetivo foram convidadas três conhecidas acadêmicas de diferentes formações em áreas de atuação do homenageado:
Geógrafa e colega do Departamento de Geografia da USP Maria Adélia A. de Sousa; Arquiteta- urbanista Mônica Raposo de Andrade, do Centro de Artes da UFPE; Economista Tânia Bacelar, Diretora- presidente da CEPLAN e do quadro da UFPE.
Conjuntamente com o Editor da “Volante, Arquiteto Moises Andrade, queremos agradecer a e colaboração voluntária das autoras.
Como amigo e admirador de Milton, em companhia de outros colegas, gostamos de relembrar do personagem que ultrapassa as delimitações restritivas do formalismo universitário.
Mais do que o amplo registro impresso do seu Saber, saudamos a personalidade expressa de riso aberto pela alegria de viver!
Eximio orador, dialético, raciocínio ágil e vibrante, com domínio do gradiente de voz articulado ao movimento das mãos, acompanhadas de reações corporais, sem encenação, sem estrelismo.
Sim, como partes integrantes e inseparáveis do seu discurso!
Emérito debatedor, crescia em seu desempenho quando provocado pelo interlocutor multiplicava-se em argumentos crescentes de combatente, quase invencível, de ideias inovadoras, borbulhantes!
Ao retornar do exílio imposto até o final da década de1970, cantou com o estratégico apoio do CNPq para sua reintegração à vida acadêmica brasileira; em seguida, prestou à Instituição líder em C&T, qualificada assessoria científica- tecnológica.
Nesse percurso passou pela sua “alma mater” UFBA, pela UFRJ, ao se fixar na USP, onde permaneceu até a aposentadoria em 1996.
A propósito, a convite do próprio Milton, e em companhia do seu contemporâneo, nosso amigo e Mestre Manuel Correia de Oliveira, presenciamos a emocionante solenidade de despedida da USP.
Milton, entre a euforia do dever cumprido e o reconhecimento nacional e internacional, e a tristeza que não conseguia esconder pelos primeiros sinais da enfermidade que o vitimaria em 2021.
Por tudo que realizou em prol do Brasil, deixamos anotado uma possível ideia, por direito e justiça, aos Governos da Bahia e do Brasil de declarar o ano de 2026: “Ano Geógrafo Milton Santos”.
Ele merece muito mais, por esperada decisão ao Congresso Nacional aprovar a inclusão do nome de Milton Santos no livro de páginas definitivas em aço, onde e estão gravados os nomes das Grandes Personalidades que contribuíram e marcaram para sempre, a Construção politica-cidadania nacional.

