Paulo Galvão Júnior (*)
O mercado de trabalho brasileiro apresentou deterioração no primeiro trimestre de 2026, refletindo os efeitos da desaceleração econômica, da perda de dinamismo de importantes segmentos produtivos, da persistência das desigualdades sociais e regionais e dos impactos geopolíticos internacionais, especialmente da Guerra no Oriente Médio, além das consequências econômicas associadas às mudanças climáticas.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis estados nordestinos permaneceram entre as dez maiores taxas de desemprego do Brasil no primeiro trimestre de 2026, evidenciando a permanência de dificuldades estruturais históricas no mercado de trabalho regional.
A realidade econômica nordestina continua marcada por entraves relacionados à baixa produtividade do trabalho, elevada informalidade, alta inadimplência, reduzida densidade industrial, desigualdade social persistente e menor capacidade de atração de investimentos privados quando comparada às regiões Sul e Sudeste. Ainda assim, alguns estados vêm demonstrando avanços graduais em seus indicadores econômicos e ocupacionais, impulsionados pela expansão dos segmentos de turismo, comércio, logística, agronegócio e tecnologia da informação (TI).
Entre os destaques positivos do Nordeste encontram-se Maranhão e Paraíba, estados que registraram as menores taxas de desemprego no primeiro trimestre de 2026, conforme o Quadro 1:
| Quadro 1. Maiores taxas de desemprego no Nordeste no primeiro trimestre de 2026 | |
| Estado | Taxa de Desemprego |
| Bahia | 9,2% |
| Alagoas | 9,2% |
| Pernambuco | 9,2% |
| Piauí | 8,9% |
| Sergipe | 8,6% |
| Rio Grande do Norte | 7,6% |
| Ceará | 7,3% |
| Paraíba | 7,0% |
| Maranhão | 6,9% |
| Fonte: IBGE. | |
Os dados recentes do IBGE reforçam a constatação de que a região continua concentrando elevados níveis de desemprego estrutural, fenômeno associado a fatores históricos e econômicos de longa duração.
Bahia, Pernambuco e Alagoas, todos com taxa de desemprego de 9,2%, encontram-se na liderança na Região Nordeste e em segundo lugar no Brasil, além de enfrentar dificuldades ligadas à urbanização acelerada, insuficiência de investimentos produtivos, baixa capacidade de absorção da mão de obra e elevado grau de informalidade econômica. Mesmo sendo estados de peso populacional e econômico relevante na região, ainda convivem com limitações significativas na geração de empregos formais de maior produtividade.
Piauí e Sergipe também apresentam fragilidades estruturais importantes, sobretudo em razão da limitada diversificação industrial e da menor capacidade de geração de empregos privados qualificados. As taxas de desemprego de 8,9% e 8,6%, respectivamente, refletem essas restrições históricas.
Rio Grande do Norte e Ceará registraram indicadores relativamente próximos, com taxas de 7,6% e 7,3%, respectivamente. Ambos os estados possuem economias mais diversificadas no contexto regional, especialmente nos segmentos de turismo, comércio, serviços e energia, fatores que contribuem para reduzir parcialmente os níveis de desocupação.
A Paraíba apresentou a segunda menor taxa de desemprego do Nordeste, com 7,0%, ocupando a 13ª posição no ranking nacional. O desempenho paraibano pode ser associado à expansão recente dos setores de serviços, comércio, construção civil, turismo, tecnologia da informação e economia criativa, sobretudo nas cidades de João Pessoa e Campina Grande.
Além disso, a economia paraibana tornou-se mais diversificada nas últimas décadas, ampliando sua capacidade de geração de empregos formais e fortalecendo segmentos ligados à inovação e às atividades de serviços especializados. A expansão do turismo, do setor atacadista e da construção civil também vem contribuindo para maior dinamismo econômico estadual.
O Maranhão, com taxa de desemprego de 6,9%, apresentou o menor índice do Nordeste e a 15ª colocação no ranking brasileiro no primeiro trimestre de 2026. Apesar desse resultado relativamente positivo, o estado ainda enfrenta desafios estruturais relevantes, como baixa renda per capita, elevada informalidade e alta dependência do setor público e de programas de transferência de renda.
O desempenho maranhense está associado à expansão dos segmentos de comunicação e TI, ao crescimento do agronegócio, ao fortalecimento da logística portuária e ao avanço das atividades ligadas aos corredores de exportação, especialmente aquelas conectadas ao Porto do Itaqui.
O primeiro trimestre de 2026 reafirma que o desemprego continua sendo um dos principais desafios socioeconômicos do Nordeste. A forte presença da região entre os estados com maiores taxas de desocupação do país evidencia desigualdades históricas ainda não superadas no processo de desenvolvimento nacional.
É importante destacar que, segundo a metodologia da PNAD Contínua do IBGE, somente é classificada como desocupada a pessoa que não estava trabalhando no período de referência da pesquisa, mas que efetivamente tomou providências concretas para buscar emprego nos 30 dias anteriores à entrevista domiciliar, estando também disponível para assumir uma ocupação.
Vale ressaltar também que o estado do Amapá apresentou a maior taxa de desemprego do Brasil no período, alcançando 10,0%. Enquanto, o estado de Santa Catarina registrou a menor taxa de desocupação do País, com apenas 2,7% no primeiro trimestre de 2026.
No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou taxa de desemprego de 6,1%. Esse resultado representa 6,6 milhões de pessoas em busca de emprego nas cinco regiões do País. Entretanto, os dados também demonstram diferenças importantes entre as regiões e dentro do próprio Nordeste, com uma média de 8,4% no trimestre janeiro-fevereiro-março de 2026.
O desempenho relativamente melhor de estados como Maranhão e Paraíba revela que estratégias voltadas à diversificação produtiva, à expansão da infraestrutura logística, ao fortalecimento do turismo e ao crescimento do setor atacadista podem contribuir para o dinamismo econômico e para a ampliação das oportunidades de emprego na região.
Nesse contexto, políticas públicas voltadas à qualificação profissional, ampliação da produtividade, inovação tecnológica, crescimento do comércio exterior e atração de investimentos privados serão fundamentais para reduzir o desemprego nos próximos anos.
Por fim, estados que conseguirem fortalecer segmentos estratégicos, como TI, energias renováveis, turismo, logística, agronegócio e economia criativa, tendem a ampliar sua capacidade de geração de empregos formais. Nesse contexto, torna-se urgente a criação de novas oportunidades de trabalho nos 1.794 municípios nordestinos, sendo a indústria um elemento fundamental nesse processo, devido à sua elevada capacidade de dinamizar a economia, estimular investimentos privados e ampliar a geração de empregos formais.

