José Natal
Ao que tudo indica, os agentes que cuidaram da produção e exibição do filme “Dark Horse”, que narra a carreira política e pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro, não são nada secretos. Fora das telas já ocupam espaço valioso, alvos de manchetes em todo o País, e fora dele. Até o momento, nenhuma critica mais apurada sobre a qualidade da sétima arte, que será exibida em várias salas de cinema, relatando a cores as proezas do ex-presidente (Azarão), com um elenco recheado de atores de outros países.
Preferências políticas, e ideologias à parte, narrativas cinematográficas desse tipo sempre chamam a atenção, despertam a curiosidade de quem aprecia saber da vida dos outros. Às vezes para elogiar, quase sempre para esculhambar.
Até agora, quem assistiu, ficou mais com a segunda opção. Fora do escurinho do cinema, por ironia macabra, que só a política pode gerar, quem mais se destacou após a badalação da obra foi o filho do personagem principal, Flávio Bolsonaro, pre-candidato a presidência da república.
Com algum talento, segundo partidários e aliados, em uma gravação quase teatral, implorou por doação de alguns milhões de reais para a realização da obra, alegando caixa esvaziada e momentos de reais dificuldades.
Reiterou a vontade de registrar para o mundo a história “vitoriosa” do pai, admitindo também ser parceiro dos momentos de angústia do doador, Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal como chefe da Operação Compliance Zero.
Ator principal desse roteiro, exibido fora da tela, Flávio trouxe com ele coadjuvantes de peso, talvez dignos de prêmios por efeitos especiais, ou quem sabe por habilidade em atuar como intérpretes em papéis duplos.
Sem perder a arrogância, e ainda como se alguma autoridade fosse, o irmão mais novo, Eduardo, ainda nos Estados Unidos, também marca “presença” no enrredo do filme, negando ter recebido algum valor ilegal a ele atribuído, mesmo com seu nome diretamente ligado a produção, ou execução.
Mário Frias, que também integrou o Governo Bolsonaro como Secretário com status de Ministro da Cultura, também figura na lista de pessoas “integrantes” do filme, dando explicações que quase ninguém entendeu, e quem entendeu não acreditou. O estrago na campanha do pré-candidato é imenso, para analistas experientes, algo de difícil recuperação.
Ainda longe de ser um caso encerrado, o episódio motivou intensa investigação por parte da Polícia Federal, até o momento, entidade absolutamente dedicada a apurar denúncias, venham de onde vier.
Impressiona a todos, a atuação política e pessoal dos bolsonaros, sempre prontos a criar fatos negativos, atitudes que prejudicam muito mais aos próprios interesses do que a terceiros. Incansáveis na produção em série de arruaças e desafios aos bons costumes, e a ordem natural das coisas.
Sempre com a estranha convicção de que agindo assim mudam o rumo da história. Ao contrário, sofrem pesadas consequências, algumas irreversíveis. Embora ainda cedo para um prognóstico mais ajustado quanto ao cenário futuro da campanha eleitoral que se aproxima, tropeços como esse de agora, abalam de forma contundente os alicerces de qualquer estrutura planejada.
Não por acaso, o episódio voltou a acordar aqueles que nunca abraçaram com boa vontade a indicação de Flávio como candidato à presidência, por escolha isolada do ex-presidente.
Torcedores convictos pela indicação de Tarcísio de Freitas como opção mais certa, choram pelos cantos devido a impossibilidade jurídica de sequer pensar nessa substituição.
Outra corrente, ligada ao PL (Partido Liberal) mulher, sem disfarce suspira em reuniões secretas, falando baixinho, lembrando o nome de Michelle Bolsonaro como substituta ideal para a candidatura.
O áudio, quase melancólico, de Flávio Bolsonaro divulgado aos quatro cantos, revelou um lado até então desconhecido pelo eleitor (ou admirador), onde ele aparenta uma fragilidade nunca revelada.
Sabidamente, a exemplo do pai, exibir austeridade (prepotência) se encaixa mais no seu dia a dia. Com investigações em andamento, talvez ainda com gravações a serem reveladas e documentos na gaveta da PF, caso multiplique seu efeito.
Pode continuar sendo apenas trágico e perigoso, ou ganhar a chancela de devastador. Como nada de ruim que pratiquem, muda a rotina de trabalho da família, resta esperar pelos resultados. Ta ok….
José Natal
Jornalista

