Suape lança programa de combate ao assédio e proteção às mulheres durante celebração do Dia do Servidor Público

Parceria inédita com a organização Livre de Assédio reforça a prevenção a abusos no ambiente de trabalho e prepara equipes para acolher funcionárias vítimas de violência doméstica

O Complexo Industrial Portuário de Suape lançou, na manhã desta quarta-feira (28), durante as comemorações do Dia do Servidor Público, um programa de prevenção ao assédio no ambiente corporativo e à violência contra a mulher.

A iniciativa é resultado de uma parceria com a organização Livre de Assédio, que desenvolve, pela primeira vez, um projeto dessa natureza com um porto público brasileiro. Além do lançamento, os colaboradores da estatal portuária participaram de outras atividades preparadas especialmente para celebrar a data.

O programa será conduzido pela CEO da Livre de Assédio, Ana Addobbati, em articulação com a presidência da estatal portuária e a área de Recursos Humanos de Suape. A iniciativa abrangerá todos os níveis das equipes profissionais, com foco em diagnóstico organizacional, capacitação de lideranças e colaboradores; ações voltadas à segurança psicológica e sessões de escuta estratégica.

 

Além da prevenção e do enfrentamento a condutas abusivas no ambiente profissional, a iniciativa ampliará o olhar da empresa para situações que acontecem fora do local de trabalho, mas atingem diretamente suas funcionárias. As equipes serão capacitadas para reconhecer sinais de violência doméstica e oferecer orientação e acolhimento, de acordo com protocolos adequados de atendimento.

ATO SIMBÓLICO

A parceria foi lançada em um ano simbólico para o enfrentamento à violência de gênero no Brasil. Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos, consolidada como um dos principais instrumentos legais de prevenção e combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

“Estamos avançando na construção de um ambiente de trabalho no qual respeito e segurança sejam compromissos permanentes.

 

A parceria também amplia nossa responsabilidade ao preparar as equipes para acolher mulheres que eventualmente enfrentem situações de violência doméstica. É uma iniciativa que envolve gestão de pessoas, responsabilidade social e, sobretudo, cuidado com quem trabalha em Suape”, afirma o diretor-presidente do complexo, Armando Monteiro Bisneto.

Para o diretor de Administração e Finanças de Suape, Marcos Gesteira, a iniciativa fortalece as políticas de gestão de pessoas e amplia os instrumentos de prevenção na empresa. “Um ambiente de trabalho seguro também depende de informação, preparação e capacidade de identificar situações que muitas vezes não são facilmente percebidas.

 

Ao capacitar nossas equipes e lideranças, criamos condições para prevenir condutas inadequadas e, ao mesmo tempo, oferecer acolhimento responsável às mulheres que precisem de apoio”, destaca.

 

Ao final das etapas de diagnóstico, capacitação e escuta, o programa prevê a realização de um webinário e a disponibilização de um guia de boas práticas. A iniciativa também se integra à agenda ESG da estatal e às ações relacionadas à prevenção de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Para Ana Addobbati, a adoção do programa por uma empresa pública do setor portuário amplia o alcance de práticas que vêm ganhando espaço na gestão das organizações.

 

“Quando uma empresa coloca liderança, segurança psicológica, inclusão e prevenção ao assédio no centro da sua estratégia, a corporação está olhando para o futuro do trabalho. O Complexo de Suape demonstra maturidade ao entender que ambientes seguros não são apenas uma agenda de pessoas, mas um fator estratégico para sustentabilidade, inovação e performance”, destaca.

A CEO acrescenta que o programa dialoga com o avanço das políticas de prevenção e gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho, incorporados à agenda de saúde e segurança ocupacional e à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).

CENÁRIO NACIONAL

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), consolidados pelo Ministério da Justiça e pelo Ministério das Mulheres e divulgados em agosto de 2026, apontam que o Brasil registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho deste ano, número 3,2% inferior às 876 ocorrências contabilizadas no mesmo período de 2025.

 

No Nordeste, a redução foi de 14,4%, passando de 257 para 220 vítimas. Em Pernambuco, foram registrados 45 feminicídios entre janeiro e julho, contra 57 no mesmo intervalo de 2025. Apesar da redução, os números reforçam a dimensão do problema e a importância da participação de instituições públicas e privadas na prevenção da violência e no fortalecimento das redes de acolhimento às mulheres.

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Walter Santos

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