Direita discute se aceita ou não se unir aos Bolsonaros, por José Natal

Ser de direita é uma coisa, ser bolsonarista é outra coisa, bem diferente. Essa tese, palatável e com ampla margem de debate, já estava na mesa de análise de muitos caciques políticos com horas de estrada. Agora, após o fiasco e a derrota humilhante e vergonhosa de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026, o tema volta à pauta e incentiva aliados a rever posições.

 

Movidos a ódio, radicalismo, revanchismo e atos inconsequentes, seguidores de Jair Bolsonaro e grande parte de seus adeptos já figuram na lista daqueles que serão citados como influentes na derrota do candidato.

Como na música de Gilberto Gil, Esotérico, “mistérios sempre hão de pintar por aí”, e, mesmo que tardiamente, alguém dessa linha política já deve ter percebido a fria em que entrou ao abraçar com tamanha dedicação essa tropa tão desunida e desalinhada.

 

Aqui, um parêntese: mirem-se no alerta e sinal vermelho emitido por Michelle Bolsonaro, meses atrás, ao excomungar de sua linha de frente a presença negativa e nociva de Flávio Bolsonaro à frente de uma campanha presidencial, ato que excluiu Tarcísio de Freitas da lista de possíveis candidatos a fazer frente a Lula da Silva.

 

Como isso não aconteceu, é impossível avaliar o resultado. Mas, em política, tendências e boa aceitação partidária sempre devem ser levadas em conta.

O manifesto isolado e corajoso de Michelle foi criticado e malvisto por todos aqueles submissos e engajados na “genialidade” política do capitão, encarcerado e sem mandato. Deu no que deu, e agora Inês é morta, e somente daqui a quatro anos talvez a luz volte a brilhar.

 

Bom lembrar que Michelle não é Bolsonaro, apenas casada com um deles. Papel é uma coisa, DNA é outra coisa.

O eleitor tem sexto sentido e viu, na postura da agora senadora, algo de que a cegueira fanática pregada por Pablo Marçal, Malafaia, Nikolas Ferreira e outros com o mesmo uniforme carece: uma nova avaliação. Michelle foi aclamada e eleita; Flávio já figura na lista dos que terão que fazer novo crachá de visitação a Tarcísio e seus amigos.

Incrível, quase inacreditável, como a falta de visão, tarimba e traquejo político do candidato do PL não tenha sido observada e alertada por seus pares, uma vez que a consistência de sua pregação visando ao Planalto era poeira, fumaça e ódio.

Por essas e outras questões é que, preocupados, políticos de direita com habilidade e objetivos mais elásticos já entenderam que o objetivo dos Bolsonaros não é o de governar, mas apenas o de ter poder, de tomar posse. Isso não tem nada a ver com as aspirações da linha direitista, mesmo que algumas delas careçam, sim, de debates e freios de arrumação.

Como sempre acontece, todo derrotado tem dificuldade em aceitar a derrota; é do nosso comportamento. O pleito foi legal, teve falhas e falta de comando como nunca aconteceu antes, mas nada de irregular.

 

Uma vantagem de quase 4,5 milhões de votos não há como contestar, e, se mais tempo houvesse para votação, maior seria a diferença.

Trazendo a eleição para o campo futebolístico, imaginem a Chapecoense culpando o Flamengo e o Palmeiras pela sua ida para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. A exemplo do futebol e na vida, a verdade é uma só e, às vezes, dói. Mas, de fato, só se estabelece quem tem competência.

Flávio não é de direita, Flávio é Bolsonaro.

José Natal
Jornalista

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Walter Santos

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