Governo e Abin veem ação de Washington em quatro frentes para influenciar a eleição no Brasil e conter a China na região
Guilherme Levorato
247 – O governo brasileiro considera que a interferência dos Estados Unidos nas eleições do país já está em curso e tem potencial de ser ampliada progressivamente até a disputa do segundo turno, informa Caio Junqueira, da CNN Brasil. De acordo com a avaliação do Palácio do Planalto, a interposição norte-americana ocorre por meio de pelo menos quatro frentes distintas que englobam pressão política, impulsionamento digital, financiamento e reuniões estratégicas.
O cenário de alerta é respaldado por um relatório recente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), encaminhado no final de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento elevou a possibilidade de influência direta dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”, mapeando uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.
Segundo o levantamento governamental, a primeira frente de atuação consiste na pressão política direta exercida pelo presidente Donald Trump e pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O Palácio do Planalto entende que o modelo adotado busca replicar episódios recentes em outros países da América Latina, como Colômbia e Honduras, onde houve manifestação pública direta de Trump em favor de candidatos da direita.
Em Honduras, durante o pleito de 30 de novembro de 2025, Trump publicou mensagens nas redes sociais quatro dias antes da votação para conclamar o eleitorado a votar em Nasry “Tito” Asfura. Na ocasião, o líder norte-americano declarou que a candidata da esquerda, Rixi Moncada — que liderava as pesquisas até então —, não poderia vencer por ser aliada de Nicolás Maduro, afirmando ainda que a vitória da candidata entregaria o país a uma “narcocomunista” e admiradora de Fidel Castro. Rixi Moncada terminou a disputa em terceiro lugar. De forma análoga, em junho de 2026, Trump usou a rede social Truth Social para declarar apoio total e irrestrito ao colombiano Abelardo de la Espriella, classificando-o como um líder “forte, inteligente e determinado”, enquanto rotulou seu oponente de esquerda, Iván Cepeda, como um “marxista radical”.

