Direita e bolsonaristas; debater a relação sobre perdas e ganhos, por José Natal

Afirmar, categoricamente,  que a linha política bolsonarista  tenha seus dias contados seria exagero,  análise talvez precipitada. Mas está longe de ser absurda, muito menos desconsiderada.

Assim como surgiu, de repente e apoiado sem disciplina alguma, esse acontecimento, gerado a partir da semente germinada por Jair Messias Bolsonaro, (71 anos), o movimento, dia após dia,  dá passos largos rumo a  autodestruição, dedicando a essa particularidade detalhes importantes, irrefutáveis.

Aos mais ponderados, desarmados  e sem fuzis importados de nações mais bélicas, um convite a essa realidade,que se avizinha com um rico potencial   de  aceitação da triste fatalidade que diz; “o pior cego é aquele que não quer ver”.

Lápis e papel na mão (a moda antiga), vamos aos fatos, impossíveis de serem contestados, se

adotarmos a lógica como argumento, e o bom senso como sentença. Içado ao poder  como presidente , em  2018, após arrecadar milhões de votos, e impor uma derrota maiúscula ao adversário, Bolsonaro se vestiu de imperador, colocou  armas na mão dos brasileiros e com a voz alterada tentou impor a mídia  nacional um comando jamais visto em nosso pais.

Veio a Covid-19, o mundo adoeceu, espalhou corpos sem vida pelos continentes, e enlutou o Brasil  de Bolsonaro, com o  trágico cenário loteado com mais de 500 mil vítimas, muitas delas  privadas de uma vacina que tardiamente chegou por aqui.

Esbravejando  contra tudo e contra todos, que discordavam de seus métodos de governar, e impor suas regras e vontades, deixou o pais pela porta dos fundos após derrota nas urnas,m jogando pragas ao vencedor e mandando as favas protocolos e troca de faixas quando viu o poder lhe escapar entre os dedos.

O que se viu de lá para cá desenhou uma página infeliz de nossa história. Julgado e condenado, com direitos políticos caçados, aprisionado e com a saúde precária, o que se esperava do patriarca era redenção, reestruturação de lideranças e buscar nos aliados e apoiadores,  uma constante e permanente reconstrução de pontes destruídas.

Fez tudo ao contrário, num assumido incoformismo, ainda se postando como um líder sem munição , assistindo conflitos familiares, instigando moribundos políticos  espalhados pelo Brasil.

Fez dentro de casa a pior escolha que imaginava poder sucede-lo, quem sabe ali a esperança de, no mínimo,  poder pavimentar uma estrada de  volta ao futuro. Radical como sempre foi ao tomar posições, ignorou a lógica politica do momento, arquivou a influencia de São Paulo e Tarcisio de Freitas no auge da sua popularidade acreditando eleger para o maior cargo político do Pais alguém que, sequer um dia, chefiou uma lanchonete que venda pão dormido. E o que é pior, sabendo que a ele pairavam dúvidas sobre tenebrosas transações.

Difícil projetar sadia continuidade de sucesso político, a quem não cuida do patrimonio que venha do DNA acumulando crises, processos jurídicos e atritos de toda ordem, quando a questão diz respeito  a quatro paredes.

A derrota que sofreu na urnas agora em 2026 (ainda  contestada), escancarou de vez a fragilidade politica que ha tempos , até os mais próximos já questionavam.

Por ironia, ou quem sabe perigosa fatalidade, aqueles que ainda esperavam  dias melhores para pai e filhos, a  ex-primeira Dama Michelle Bolsonaro arrecada milhares de votos, ganha o posto de Senadora da República e ,com 44 anos (juventude politica) por certo não se furtará a ocupar um espaço, que mesmo a contragosto dos filhos “adotados”, chegou, viu e venceu.

Após as eleições recém encerradas,  que deram a direita um poder  politico de real importancia , sinaliza que os afagos e afetos antes dedicados aos bolsonaros tendem a cair, ou quem sabe não sejam lá tão perfumados como tempos atrás. A direita , como tem que ser, vai continuar fazendo o que sempre fez. O bolsonarismo, segundo caciques da própria aldeia, já entendeu que corre riscos de perda de poder.

Na avaliação de alguns mais antigos na legenda, as presenças de Pablo Marçal, Ciro Nogueira, Pastor Malafaia, Cláudio Castro e outros que tocam a mesma toada já são vistos com olhos de desconfiança.

Ora adotam postura de apoio incondicional, em outro momento espalham vilanias contra a própria “família”,  e nada de útil fizeram que pudesse somar alguma coisa e bom, em ajuda ao candidato Flávio.

Aquele, que além de bravatas, promessas vazias e dançar pelos palcos do interior, nada de útil deixou que  para que um possível sucessor viesse a aproveitar. Eleição encerrada, cartas na mesa,debates acirrados e a vida segue seu curso.

Aos petistas, ainda em eufórica  e justa comemoração, há também um sinal de alerta no ar.

Chegam ao último mandato de Lula e quem sabe nos primeiros dias de sua inevitável aposentadoria. Depois dele, um imenso vazio a preencher, não ha sequer um sinal de alguém no banco se reservas, que possa substitui-lo, com chances razoáveis de igual rendimento.

Aberta a temporada de caça em busca de um nome, que pelo menos nos 45 minutos iniciais apresente bons rendimentos.Se não fizer gol contra já seria um bom sinal. Teremos emoção até fim, ele sempre chega.

José Natal

Jornalista

Curta e compartilhe:

Walter Santos

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *