Tecnologias desenvolvidas pelo Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (IATI) em Pernambuco para a indústria de energia deixam o campo das pesquisas e passam a ser modelos de inovação para a transição energética em curso no mundo.
Durante a ROG.e 2026, encontro promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Combustíveis (IBP), que reúne especialistas mundiais de 21 a 24 de setembro, no Riocentro, no Rio de Janeiro, dez soluções serão apresentadas.
O conjunto reúne inovações voltadas a hidrogênio verde, tratamento de efluentes, reaproveitamento de resíduos, operações offshore e proteção ambiental, em diferentes estágios de desenvolvimento.
Uma das tecnologias já está em operação na EPASA – Centrais Elétricas da Paraíba. Trata-se da Torre de Pré-saturação Induzida (TPSI), solução utilizada na separação de misturas de água e óleo por meio de flotação, um processo que faz partículas de misturas heterogêneas flutuarem até a superfície de um líquido com a utilização de micro e nanobolhas.
A tecnologia foi desenvolvida em um projeto do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Segundo a gerente de estratégia e inovação do ITI, Natália Padilha, em entrevista ao site da revista Nordeste também será exposto um biodetergente, que está em estágio avançado de maturidade tecnológica, aproximando-se da aplicação comercial em escala.
O recurso foi desenvolvido em parceria com EPASA, EPESA, Termocabo e Suape Energética II, para a limpeza de resíduos petrolíferos em usinas termelétricas e outras instalações industriais.
Segundo a especialista, nos testes, o produto se mostra eficiente, com uma redução de 20% nos custos, de 75% na necessidade de mão de obra e de 37% no tempo de execução dos serviços.
Outra frente é uma torre multiestágios equipada com ultrassom e associada ao uso de biotensoativos, desenvolvida para o tratamento de cascalhos contaminados.
A tecnologia é capaz de remover mais de 95% dos hidrocarbonetos presentes no material e utiliza um biotensoativo biodegradável e atóxico. A proposta é reduzir custos operacionais e permitir o reaproveitamento dos resíduos, dentro dos princípios de economia circular.
Hidrogênio Verde e descarbonização
Além da solução para separar as misturas de água e óleo, o IATI apresenta também soluções relacionados ao hidrogênio verde, iniciativas vinculadas aos programas de PDI ANEEL e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Uma das pesquisas avalia a queima direta do hidrogênio como alternativa aos combustíveis fósseis na geração de calor. Outra, atualmente em fase de comissionamento, utiliza a injeção de hidrogênio em motores a gás natural para aumentar a eficiência da combustão e reduzir o consumo de combustível e as emissões.
A terceira tecnologia consiste em um dispositivo desenvolvido para controlar a mistura de hidrogênio e diesel em motores, queimadores e processos de geração de energia.
Para Padilha, as inovações podem contribuir para a descarbonização, especialmente nas quais a substituição imediata dos combustíveis fósseis ainda enfrenta limitações técnicas ou econômicas.
“A transição não depende de uma única solução, mas da combinação de tecnologias capazes de aumentar a eficiência dos processos, reduzir emissões e impactos ambientais e ampliar gradualmente a participação de fontes de menor intensidade de carbono e de energias renováveis”, explicou.
Proteção ambiental e operações offshore
O portfólio inclui ainda uma tinta anti-incrustante produzida com compostos naturais bioativos e uma pesquisa voltada ao desenvolvimento de revestimentos baseados na abordagem de Soluções Baseadas na Natureza (SBN).
As tecnologias buscam dificultar a fixação do coral-sol, espécie invasora que ameaça a biodiversidade nativa e representa um desafio para estruturas e operações offshore. Além da proteção dos ecossistemas, as pesquisas procuram contribuir para a redução de custos de manutenção e otimização das operações.
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Completam o conjunto de dez tecnologias que serão apresentadas na ROG.e um dessalinizador ultrassônico e uma solução destinada à remoção de microplásticos em ambientes industriais e marinhos.
Potencial de desenvolvimento tecnológico
Na avaliação de Natália Padilha, a estrutura industrial de Suape, em Pernambuco, facilita o desenvolvimento, testes e demonstração de novas tecnologias. No entanto, ainda existem gargalos na aplicação das soluções.
“Um dos principais desafios é justamente fazer com que tecnologias desenvolvidas em projetos de pesquisa avancem para aplicações industriais replicáveis, com desempenho, segurança e viabilidade econômica comprovados. É nessa passagem entre pesquisa, demonstração e adoção pela indústria que a articulação entre ICTs e empresas ganha importância”, afirma a gerente.
Sobre a ROG.e
A ROG.e, promovida pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Combustíveis (IBP), é um dos maiores encontros internacionais da indústria de energia. Na edição deste ano a expectativa é de 75 mil visitantes, 650 marcas expositoras e 13 pavilhões internacionais.
Originado da tradicional Rio Oil & Gas, o evento ampliou sua agenda para acompanhar as transformações do setor e aproximar petróleo e gás dos debates sobre segurança energética, inovação, novas fontes e descarbonização.
Em 2026, terá também uma Arena Multienergia & Decarb, dedicada às energias renováveis, aos biocombustíveis, ao gás natural, ao hidrogênio e a novas matrizes energéticas.
O IATI estará no Pavilhão Alemão, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK Rio).

