O avanço de espécies invasoras em áreas marinhas do Nordeste tem mobilizado pesquisadores do Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (IATI), no Recife. O instituto desenvolve pesquisas voltadas ao monitoramento e ao controle de dois organismos que preocupam ambientalistas e setores ligados à economia do mar: o peixe-leão (Pterois spp.) e o coral-sol (Tubastraea spp.).
As duas espécies são consideradas ameaças à biodiversidade marinha brasileira. O peixe-leão, que tem espinhos venenosos e não encontra predadores naturais no Atlântico Sul, afeta populações de peixes jovens e crustáceos. Já o coral-sol, originário dos oceanos Pacífico e Índico, se espalha sobre costões rochosos e estruturas artificiais, competindo por espaço com espécies nativas e alterando o equilíbrio dos ambientes marinhos.
No caso do coral-sol, o IATI trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia antifouling, voltada a impedir a fixação do organismo em superfícies submersas. Segundo o instituto, a proposta é adotar uma solução baseada em compostos de origem marinha, com foco em alternativas mais sustentáveis do que os anti-incrustantes convencionais.
“Estamos desenvolvendo uma barreira baseada em compostos de origem marinha que impede a fixação do coral-sol em superfícies submersas de forma sustentável”, afirma o biólogo Múcio Luiz Banja Fernandes, pesquisador do IATI.
A expansão do coral-sol também traz impacto econômico. A incrustação em cascos de embarcações e em estruturas ligadas à indústria offshore pode aumentar o arrasto, elevar o consumo de combustível e exigir limpezas mais frequentes.
No caso do peixe-leão, o trabalho reúne monitoramento e desenvolvimento de soluções de baixo custo para controle populacional. Fernandes participa do acompanhamento da espécie em Pernambuco e em Fernando de Noronha e desenvolveu um protótipo de armadilha feito com cano de PVC, borracha e aço inoxidável.
A proposta é oferecer a pescadores e mergulhadores uma alternativa acessível para captura da espécie invasora. Paralelamente, o instituto também pesquisa a viabilidade do consumo humano do peixe-leão, como forma de estimular sua retirada do ambiente marinho.
“Analisamos a presença de bactérias patogênicas para entender a viabilidade do consumo humano. Incentivar a pesca para fins gastronômicos é uma das formas mais eficazes de controle, desde que garantida a segurança de quem consome”, diz o pesquisador.
O avanço dessas espécies preocupa especialmente o Nordeste, onde a pesca artesanal, o turismo associado ao mergulho e outras atividades ligadas ao mar têm peso econômico relevante. Além dos efeitos sobre a biodiversidade, a degradação de recifes compromete serviços ambientais importantes, como a proteção costeira e a manutenção de habitats marinhos.
O coral-sol tem capacidade de se fixar em diferentes superfícies, como aço, cerâmica e granito, e compete diretamente com organismos nativos. O peixe-leão, por sua vez, chama atenção pelo potencial reprodutivo e pela pressão que exerce sobre espécies locais.

