Nordeste atrai negócios de maior porte em fusões e aquisições, aponta KPMG

Mineração concentra operações de maior valor na região, enquanto Ceará registra alta de 25% no volume financeiro negociado no primeiro semestre

 

O mercado de fusões e aquisições no Nordeste apresentou, no primeiro semestre de 2026, um movimento marcado pela redução no número de operações e, ao mesmo tempo, pela concentração de valores em negócios de maior porte.

Entre os setores analisados pela  consultoria KPMG, a mineração foi o principal destaque regional, com três operações e R$ 28,5 bilhões em valores divulgados, alta de 6.482% em relação ao mesmo período de 2025.

O levantamento mostra que, dos nove estados nordestinos considerados na pesquisa, Alagoas foi o único a registrar aumento no número de operações. Foram três transações nos primeiros seis meses deste ano, contra duas no mesmo período de 2025. Os negócios movimentaram R$ 1,16 bilhão em 2026; no ano anterior, os valores não foram divulgados.

Ceará

No Ceará, o movimento também combina menor quantidade de negócios com maior volume financeiro. As empresas no Estado realizaram seis operações no primeiro semestre, contra dez no mesmo período de 2025, uma redução de 40%. Já o valor negociado passou de R$ 549,6 milhões para cerca de R$ 689 milhões, crescimento de 25,3%.

No recorte cearense, tecnologia, mídia e telecomunicações responderam por duas operações. Imobiliário, mineração, energia e consumo registraram uma operação cada.

Entre os negócios anunciados no Ceará está a aquisição, pela Victoria Mining Corporation, de uma participação de 50% na Pedreira Taj Mahal, em Uruoca, por aproximadamente R$ 3 milhões.

Para Cristiane Azevedo, sócia da KPMG, o comportamento observado no Ceará acompanha uma tendência nacional de maior seletividade nas operações.

“Embora o número de operações tenha diminuído, o crescimento do volume financeiro movimentado mostra que investidores e empresas estão priorizando transações de maior porte e relevância estratégica”, afirma.

Segundo a executiva, a mudança também está relacionada à forma como as empresas e investidores estão direcionando seus recursos.

“Em um ambiente de maior seletividade e disciplina na alocação de capital, os recursos têm sido direcionados para ativos com potencial de crescimento, geração de valor e posicionamento competitivo de longo prazo”, acrescenta.

Mineração concentra grandes operações

O peso da mineração aparece com mais clareza quando os dados são observados pelo valor dos negócios. O setor foi o único dos 11 segmentos analisados pela KPMG a registrar operações no recorte regional apresentado no levantamento. Foram três transações no primeiro semestre de 2026, contra duas no mesmo período de 2025, crescimento de 50% na quantidade.

Os R$ 28,5 bilhões em valores divulgados representam uma alta de mais de 6.482% sobre os seis primeiros meses do ano passado. O resultado coloca os recursos minerais entre os ativos que concentram as maiores operações no mercado de fusões e aquisições.

A própria pesquisa da KPMG mostra que a mineração teve forte participação no mercado brasileiro no período. No conjunto do país, o setor registrou crescimento de 55% no número de operações e alcançou R$ 47,858 bilhões em valor transacionado.

Para a KPMG, o movimento observado no Nordeste está relacionado ao interesse crescente por setores associados à transição energética, aos minerais críticos e aos recursos naturais estratégicos.

“O desempenho da mineração evidencia a relevância crescente de setores vinculados à transição energética, minerais críticos e recursos naturais estratégicos. O Nordeste continua atraindo investidores nacionais e internacionais em segmentos com forte potencial de longo prazo, reforçando a importância da região no mapa de investimentos e de fusões e aquisições do país”, afirma Cristiane Azevedo.

Um mercado mais seletivo

O comportamento nordestino acompanha a mudança observada no mercado brasileiro. No primeiro semestre, o país registrou 610 operações de fusões e aquisições, queda de 35% em relação às 938 transações do mesmo período de 2025.

Apesar da retração no número de negócios, o valor movimentado cresceu 22,3%, chegando a R$ 195 bilhões. Mais de 85% desse montante ficou concentrado em operações superiores a R$ 1 bilhão.

A pesquisa da KPMG aponta ainda que as operações envolvendo investidores estratégicos movimentaram R$ 159 bilhões no semestre, alta de 20,6%, enquanto os negócios de private equity e venture capital somaram R$ 36,7 bilhões, crescimento de 30,5%.

Os números, segundo a KPMG,  ajudam a dimensionar a mudança no perfil do mercado: menos operações não significam necessariamente menor volume financeiro. Os negócios realizados no período ficaram mais concentrados em ativos de maior escala e valor estratégico.

No Nordeste, a mineração aparece como o principal exemplo dessa concentração, enquanto estados como o Ceará registram operações distribuídas por diferentes setores, entre energia, tecnologia, telecomunicações, imobiliário e consumo.

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Luciana Leão

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