BC reduz Selic para 13,75% ao ano; Especialista avalia que patamar deve se manter até fim deste ano

Nesta Superquarta (16), ao contrário dos Estados Unidos que houve aumento da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, no Brasil o Banco Central reduziu para 13,75% a Selic, mas há preocupação em torno da interrupção do ciclo em novembro e dezembro.

Nos Estados Unidos houve aumento da taxa básica de juros de 0,25 ponto percentual, diante da resiliência do mercado de trabalho e inflação e da persistência da guerra no Oriente Médio.

Divergência

As decisões tomadas nesta Superquarta (16) pelo Comitê de Política Monetária, no Brasil, e pelo Federal Open Market Committee, nos Estados Unidos, reforçam a divergência entre as duas maiores economias das Américas.

O Banco Central brasileiro reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano – corte de 0,25 ponto percentual – dando sequência ao ciclo de flexibilização iniciado em março.

Já o Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

Imprevisibilidade

O Brasil, no entanto, não está numa posição totalmente confortável, pois as próximas decisões do Copom dependem em parte da situação das finanças públicas e sobretudo da eleição presidencial e da expectativa em torno da política fiscal do governo que assumirá em 2027.

Diogo Almeida, da Pequod Investimentos

Para o economista-chefe da Pequod Investimentos, Diogo Almeida, “a permanência dos desequilíbrios fiscais pode pressionar o câmbio e as expectativas de inflação, interrompendo o ciclo de cortes da Selic já em novembro e dezembro próximos. Por outro lado, uma melhora na percepção sobre as contas públicas teria impacto baixista sobre a curva de juros”.

Quanto à diferença de direção, no momento, entre Brasil e EUA, o especialista explica que o quadro reflete panoramas econômicos distintos.

No Brasil, em sua avaliação, os indicadores divulgados desde a última reunião do Copom, em agosto, reforçaram a percepção de que o período prolongado de juros restritivos começou a produzir efeitos mais intensos.

O PIB do segundo trimestre trouxe uma queda de 0,4% do consumo das famílias e, em julho, o setor de serviços ficou estagnado, o varejo recuou 0,8% e a produção industrial  variou 0,2% após dois meses de forte queda.

No mercado de trabalho, a criação de empregos formais em julho caiu 54,9% na comparação anual, marcando o pior julho desde a pandemia.

“A desaceleração do crescimento da demanda agregada aumenta a confiança do Copom de que a inflação poderá convergir para em torno da meta de 3% no 1º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária. Ainda assim, os núcleos permanecem pressionados e exigem cautela”, afirma.

Inflação

A inflação corrente também melhorou, mas ainda não permite considerar vencida a pressão sobre os preços. O IPCA acumulava 4,22% em 12 meses até agosto, menor que os 4,64% observados em junho, porém acima da meta de 3%, e a inflação de serviços subjacentes permanecia próxima de 5%.

O economista ressalta ainda que o petróleo segue como um dos principais pontos de atenção, diante do risco de transmissão do choque externo para a inflação.

Resiliência do emprego e inflação nos EUA

Nos EUA, o mercado de trabalho e a inflação se mantêm resilientes. A alta de preços permanece acima da meta do Fed (2% ao ano para o núcleo). Em agosto, o CPI, índice de preços ao consumidor, acumulava alta de 3,4% em 12 meses até agosto e o núcleo, 2,4%.

Quanto ao emprego, em agosto foram criadas 162 mil vagas, acima da expectativa de 56 mil. Esse panorama se torna mais preocupante diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos no petróleo – que chegou a superar os US$ 100 por barril – com reflexos na inflação.

Como fica o cenário para investimentos?

Mesmo com a alta dos juros norte-americanos e a redução da Selic, no Brasil, o diferencial entre as taxas segue próximo de 10 pontos percentuais em favor do Brasil.

A combinação de juros elevados e receitas de exportação de commodities continua oferecendo sustentação ao real e mantém a renda fixa como alternativa relevante.

Para pessoas físicas, Almeida avalia que títulos pós-fixados são adequados para recursos de curto prazo e liquidez, enquanto prefixados e indexados à inflação podem capturar ganhos adicionais se a trajetória de queda dos juros se mantiver.

A renda variável pode se beneficiar da redução dos juros domésticos, mas exige atenção às incertezas fiscais e eleitorais. No caso das empresas, a orientação do economista é preservar a liquidez do capital de giro em instrumentos pós-fixados de baixo risco e avaliar o alongamento de parte do caixa estrutural em títulos com componentes prefixados.

 

 

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Luciana Leão

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