Rios secos e geleiras derretidas apontam para declínio da água doce no planeta

Relatório da ONU mostra que 36% das bacias hidrográficas analisadas tiveram fluxo abaixo do normal em 2025; documento cita redução de reservas de água subterrânea no nordeste e centro-oeste do Brasil

Em relatório lançado nesta quinta-feira, 17, a Organização Meteorológica Mundial, OMM afirma que as reservas de água doce no planeta estão em declínio.

No ano passado, diversos rios ao redor do mundo atingiram o nível mais seco dos últimos 35 anos, com fluxos abaixo do normal em 36% das bacias hidrográficas analisadas.

Conta poupança do planeta” está se esgotando

Além da diminuição dos rios, o recuo das geleiras é outro fator que afeta a disponibilidade de água, ameaçando o futuro das pessoas e das economias.

O Relatório sobre o Estado dos Recursos Hídricos Globais da OMM analisa vazão de rios, água subterrânea, perda de água do solo e das plantas, e o volume de neve e gelo, bem como eventos climáticos de alto impacto.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo afirmou que a água subterrânea, as geleiras e a neve sazonal, são como uma “conta poupança do planeta”.

Diminuição do gelo e da água subterrânea

Os dados da OMM indicam que o armazenamento global de água na superfície tem apresentado uma tendência de queda desde 2014. Pelo quarto ano consecutivo, todas as principais regiões glaciais da Terra perderam massa de gelo.

Entre 2023 e 2025, a perda global acumulada foi de 1400 gigatoneladas de água. Isso equivale ao volume necessário para preencher 560 milhões de piscinas olímpicas.

A água subterrânea vive uma situação semelhante. Quase dois terços dos poços monitorados no mundo apresentaram condições abaixo da média histórica em 2025.

Esses níveis baixos foram observados no Nordeste e Centro-oeste do Brasil, na Europa Central e Oriental, no centro dos Estados Unidos, em partes do México, no norte do Chile e da África do Sul, no noroeste da Índia e em partes do sul da Austrália.

Ameaça do El Niño

A OMM interpreta esses dados como um “esgotamento cumulativo com tendência de secagem de vários anos”.

A chefe da OMM afirmou que o déficit aumentou em comparação com 2024, sem sinais de recuperação.

Ao mesmo tempo há um aumento de desastres relacionados à água. O fortalecimento do El Niño aumentará o risco de seca em algumas áreas e de inundações em outras, segundo a OMM.

*Com informações da OMM
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Luciana Leão

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