Saúde caótica, e segurança frágil, na pauta das eleições de Brasília, por José Natal

Na tela das TVs dos telejornais, e nas páginas da mídia impressa local de Brasília, Capital da República, a pauta que prevalece ao longo dos últimos meses, quase que diariamente, de alguma forma envolve casos graves de atendimento precário da saúde pública, e violência desenfreada.

No ano em que completa 66 anos de fundação (21 de abril de 1960), a cidade sonho de JK amarga uma realidade desagradável, preocupante e hoje alvo e pauta obrigatória de todos aqueles que almejam (e prometem), se eleitos, medidas imediatas de socorro a população.

A população está hoje estimada em quase três milhões de habitantes, segundo os últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ano base de pesquisa 2024. A preocupação, que incomoda a comunidade, nas quatro regiões do DF, também está na prancheta e planos de campanha dos candidatos ao Governo da cidade nas eleições de outubro, cada um deles com pesquisas, projetos e programações já elaboradas como medidas prioritárias, prontas a serem colocadas em prática, dia seguinte a posse no cargo.

No debate de domingo último (dia 10), levado ao ar pela Rede Bandeirantes de Televisão em Brasília, por exemplo, o alvo visado foi a atual Governadora da cidade, Celina Leão (PP), 49 anos, candidata a continuar no cargo, antes ocupado por Ibanez Rocha, que renunciou, após incômodos causados pela negociação Banco Regional de Brasília-Master.

Cinco outros candidatos, mesmo que sem acordos previamente acertados, centralizaram ataques a Celina, cobrando a ela providências urgentes, quase todas relacionadas ao péssimo atendimento no setor de saúde, e a real ocupação da cidade por uma onda de casos de violência descontrolada, grande parte deles nas cidades satélites do Plano Piloto e áreas vizinhas.

Historicamente, o sistema de saúde púbica do DF carece de credibilidade ha anos, e nos últimos meses essa carência de competência invade áreas até então preservadas. Não raro, registros de atendimento precário e falta de médicos nos postos de saúde e hospitais regionais, e lutas de famílias que perdem parentes (mortes), alastrando o problema a inúmeras comunidades.

A cidade tem hoje 16 hospitais, que atendem a comunidade via SUS (Sistema Único de Saúde), unidades essas frequentemente, ora com falta de médicos nos plantões, muitas vezes por falta de medicamentos e demora na marcação de consultas, prologando o tempo de assistência a pacientes graves em muitos casos.

Nos últimos meses casos de morte de gestantes e bebes recém nascidos inundaram as páginas dos jornais da cidade, recebendo do Governo local as costumeiras explicações, de que as providências estão sendo adotadas, e investigações caso a caso, serão providenciadas.

A população lamenta, e pede socorro. Na segurança pública o desconforto e a falta de credibilidade, notadamente na periferia da cidade, abastecem o dia a dia do cidadão, hoje assustado pelo índice de violência.

A exemplo de outras grandes cidades, também em Brasília o número de moradores de rua cresce sem controle, e os órgão de assistência social não acompanham esse processo com a mesma intensidade.

Segundo dados oficiais, Brasília tem hoje em torno de 3.600 moradores de rua, muitos deles resistentes a abrigos e recolhimentos, que eleva o medo da população em sair de casa. Há registros de ataques às pessoas em diversos pontos da cidade.

O operacional da Policia Militar do Distrito Federal, gira em torno de 413 mil policiais, o que representa em média 2 policiais para cada mil habitantes. Números estes, segundo a PM, insuficientes para melhorar a segurança. A policia civil, outrora apontada como uma das mais eficientes do País, tem hoje um quadro aproximado de 4.580 policias efetivos, encarregados de resguardar a tranquilidade da comunidade como um todo.

As estatísticas, como tem que ser, oscilam muito, os números de apontamentos que alertam as autoridades para providências, semana após semana mudam seus registros. Mas o que não muda, e deveria mudar, é o quadro de insatisfação de uma comunidade que, impotente para esboçar qualquer reação, apela para os governantes atuais, ou a aqueles que vão chegar, uma redobrada atenção a questões de tamanha importância.

José Natal
Jornalista

Curta e compartilhe:

Walter Santos

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *