A produção de hidrogênio verde no Brasil é normalmente associada à eletrólise da água utilizando energia eólica e solar. No entanto, pesquisadores e empresas também estudam rotas baseadas na biomassa, que aproveitam resíduos agrícolas e florestais para produzir hidrogênio de baixo carbono. Em estados como a Bahia, onde coexistem grandes áreas agrícolas e uma das maiores capacidades de geração renovável do país, essas tecnologias podem ampliar o aproveitamento da infraestrutura energética existente e criar novas oportunidades para o setor agroindustrial.
Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) identificou que sobras da produção de cana-de-açúcar, dendê e mandioca têm potencial para abastecer rotas de produção do combustível considerado estratégico para a descarbonização da indústria e dos transportes.
A pesquisa, conduzida pelo estudante de Engenharia de Energias Elias Neto, mapeou a disponibilidade desses resíduos em diferentes regiões do estado e avaliou seu potencial para abastecer rotas de produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono. O trabalho foi orientado pela professora Consuelo Cristina Silva, doutora em Engenharia Química.
O levantamento vai além da simples quantificação da biomassa disponível. A pesquisa considera fatores como a continuidade da oferta dos resíduos ao longo do ano, a distribuição regional da produção agrícola e a disponibilidade de fontes renováveis de energia, elementos considerados essenciais para viabilizar empreendimentos industriais voltados ao hidrogênio.
“A gente fez essa quantificação de acordo com o potencial de produção anual para que não houvesse impacto sobre a atividade agrícola. Estamos falando do resíduo que sobra depois do processo produtivo. Também consideramos a continuidade dessa oferta durante os meses do ano, as características de cada região e as energias renováveis disponíveis para a produção”, explica Elias Neto.
Na avaliação da professora Consuelo Cristina Silva, os resultados reforçam o papel da Bahia na diversificação da matriz energética brasileira.
“Com esse levantamento, conseguimos desenhar a inserção da Bahia no mapa da transição energética do país. Além da energia eólica e da solar, existe um potencial importante na energia química. O mapeamento também permitiu identificar regiões com potencial para produção de bioetanol, o que pode orientar a instalação de novas usinas”, afirma.

