Gran Hotel Stella Maris receberá baterias capazes de armazenar eletricidade e deslocar o consumo para os horários de maior demanda
A hotelaria já descobriu que a energia pode ser produzida dentro do próprio empreendimento. Painéis solares passaram a fazer parte da paisagem de muitos hotéis e resorts, enquanto outras iniciativas incorporam fontes renováveis e soluções para reduzir o consumo da rede. Agora, uma nova tecnologia começa a entrar nessa equação: o armazenamento de eletricidade.
Em Salvador, o Gran Hotel Stella Maris será o primeiro empreendimento de hospitalidade da América do Sul, segundo a EDP, a receber um Sistema de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS, na sigla em inglês). O projeto será implantado pela EDP, empresa global do setor elétrico que atua no Brasil em geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, além de oferecer soluções energéticas para empresas.
A instalação está prevista para entrar em operação em janeiro de 2027 e será desenvolvida em parceria com a NewCharge.
Iniciativa
A ideia é armazenar eletricidade para utilizá-la depois. O sistema funciona como uma grande bateria: pode ser carregado nos períodos em que a energia está disponível a um custo menor e descarregado posteriormente, principalmente nos horários de pico, quando o consumo aumenta e a energia pode ficar mais cara.
No caso do Stella Maris, a eletricidade armazenada será utilizada para atender parte da demanda do hotel nos momentos de maior exigência da rede. O sistema cria, assim, uma espécie de “estoque” de energia que pode ser acionado de acordo com a necessidade da operação.
“Oferecer excelência em hospedagem hoje vai além do conforto das acomodações ou do lazer. Significa também ter responsabilidade com o futuro do nosso destino”, diz Viviane Pessoa, Diretora de Marketing do Gran Hotel Stella Maris
A diferença em relação a uma instalação convencional de energia solar, por exemplo, está justamente nessa capacidade de guardar a eletricidade para outro momento. A geração renovável produz energia quando há sol ou vento.
O armazenamento acrescenta a possibilidade de decidir quando aquela energia será utilizada ou, no caso do projeto do hotel, quando a eletricidade adquirida da rede será armazenada e posteriormente consumida.
Essa flexibilidade começa a ganhar importância em um sistema elétrico que incorpora cada vez mais fontes renováveis, cuja geração varia de acordo com as condições naturais. As baterias podem ajudar a administrar diferenças entre os momentos de geração e de consumo, além de reduzir a pressão sobre a rede nos horários de maior demanda.
Para a EDP, o projeto de Salvador também marca a entrada desse modelo de solução no mercado sul-americano fora da Europa. A companhia informa que possui projetos de armazenamento em desenvolvimento e operação em diferentes mercados e vem ampliando o uso de baterias tanto associadas a fontes renováveis quanto em instalações de clientes corporativos.
“O armazenamento de energia deixou de ser uma tecnologia do futuro para se consolidar como um elemento estratégico na transformação do setor elétrico”, afirma Tomás Baldaque, diretor de Soluções para Clientes da EDP South America.

