O fenômeno climático El Niño pode levar pelo menos 49 milhões de pessoas a mais para a insegurança alimentar aguda até o final de 2027.
A afirmação está no estudo Análises do Programa Mundial de Alimentos, WFP, divulgadas nesta quarta-feira (5/08). Segundo o relatório, o El Niño influenciará os padrões de chuva, temperaturas e a ocorrência de enchentes, secas e, cerca de 45 países que já sofrem com falta de comida. A maioria na América Central e no sul da África.
Nessas nações, o número total de pessoas que não conseguem suprir suas necessidades alimentares diárias aumentaria cerca de 22%. Outras áreas com efeitos significativos são o leste da África, sul e sudeste da Ásia.
Espera-se que o fenômeno atinja o pico entre setembro e dezembro de 2026, mas em muitos locais os efeitos serão sentidos ao longo do próximo ano, devido aos impactos nos futuros ciclos de colheita.
O WFP alerta que seca, inundações e temperaturas extremas já estão colocando comunidades em risco. A agência está intensificando seus esforços de preparação e resposta, já que os impactos do El Niño atingem primeiro aqueles que são mais vulneráveis à fome.
O diretor executivo interino do WFP, Carl Skau, disse que quanto mais cedo as famílias receberem apoio para se preparar para os choques climáticos, “maior será a capacidade de salvar vidas e proteger meios de subsistência”.
Apoio humanitário
Além disso a agência vem antecipando planos de ação em mais de 50 países, onde apoia governos em seus preparativos e ajuda comunidades a reduzir riscos.
Carl Skau enfatizou que a preparação para enchentes, secas e tempestades antes que elas ocorram reduz as necessidades humanitárias futuras.
Experiências de eventos anteriores de El Niño mostraram que cada US$ 1 investido em programas antecipados pode economizar entre US$ 3 e 7 em perdas evitadas e custos de resposta.
O WFP e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, já fizeram um apelo por apoio para ajudar comunidades em risco a se prepararem para o El Niño. O objetivo é fim de proteger vidas, meios de subsistência e segurança alimentar antes que emergências se agravem.

