Capitais nordestinas seguem abaixo da meta de investimentos em saneamento; São Luís tem pior índice da região

As capitais do Nordeste ainda estão distantes do volume de investimentos considerado necessário para universalizar os serviços de saneamento básico até 2033. Recorte do Ranking do Saneamento 2026, do Instituto Trata Brasil, mostra que São Luís, João Pessoa e Salvador foram as capitais nordestinas com menor investimento médio por habitante entre 2020 e 2024, com aportes de R$ 18,17, R$ 47,88 e R$ 93,20, respectivamente — todos abaixo da estimativa de R$ 225 por habitante, parâmetro estabelecido pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) para viabilizar a universalização dos serviços.

No outro extremo da região, Teresina (R$ 187,68 por habitante), Fortaleza (R$ 170,32) e Natal (R$ 140,89) lideraram os investimentos médios per capita no período. Aracaju também aparece acima da média regional, com R$ 137,55 por habitante investidos entre 2020 e 2024.

Já Recife (R$ 111,08), Maceió (R$ 95,18) e Salvador (R$ 93,20) aparecem em uma faixa intermediária de investimentos, embora ainda distantes do patamar considerado ideal pelo PLANSAB, segundo o levantamento do Instituto Trata Brasil.

Paradoxo

Apesar do baixo investimento recente, João Pessoa destoa positivamente em outro indicador. A capital paraibana registra 80,09% de tratamento de esgoto, um dos melhores índices entre as capitais brasileiras, o que, segundo os dados do estudo, sugere avanços anteriores em infraestrutura sanitária.

Cuiabá é referência nacional

O levantamento aponta que a média de investimento entre as 27 capitais brasileiras foi de R$ 138,27 por habitante, pouco mais da metade do necessário. Apenas Cuiabá superou a referência nacional do PLANSAB, com investimento médio de R$ 349,98 por habitante, diz o documento.

Os dados também revelam fortes desigualdades regionais no acesso ao saneamento básico. Apenas cinco capitais brasileiras atingiram a meta de 99% de cobertura no abastecimento de água, prevista no Marco Legal do Saneamento. Em contraste, cidades como Rio Branco, com cobertura de 46,74%, e Porto Velho, com 30,74%, ainda apresentam déficits expressivos.

Na coleta de esgoto, somente sete capitais brasileiras ultrapassam 90% de atendimento. Já no tratamento, os gargalos permanecem evidentes. São Luís trata apenas 15,78% do esgoto, enquanto Teresina registra 18,74%, mesmo figurando entre as capitais nordestinas com maior volume de investimentos recentes.

Entre 2020 e 2024, as capitais brasileiras investiram cerca de R$ 34 bilhões em saneamento. São Paulo concentrou quase 36% desse total, com R$ 12,2 bilhões, seguida por Rio de Janeiro (R$ 3,9 bilhões) e Fortaleza (R$ 2,2 bilhões), de acordo com o ranking.

Segundo o Instituto Trata Brasil, os números indicam que a maior parte das capitais brasileiras ainda está distante das metas de universalização previstas para 2033, reforçando a necessidade de ampliar os investimentos, especialmente nas regiões com maiores déficits de cobertura.

Fonte: Instituto Trata Brasil – Ranking do Saneamento 2026

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Luciana Leão

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