PAPO DE ECONOMIA: O Retrato Regional da Economia Brasileira, por Paulo Galvão Jr

Por Paulo Galvão Jr, Coluna PAPO DE ECONOMIA *

 

Com base nos dados apresentados no relatório Resenha Regional: Junho de 2026, do Banco do Brasil (BB), é possível traçar um panorama das principais características econômicas das cinco regiões brasileiras, Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, evidenciando suas diferenças estruturais, seus desafios e suas potencialidades.

O relatório mensal do BB apresenta um conjunto de indicadores socioeconômicos das cinco regiões do país, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED). Entre os principais indicadores destacam-se a participação de cada região no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, a participação da agropecuária, da indústria e dos serviços no PIB regional, o PIB per capita, a população e o número de municípios.

Quadro 1: Retrato Regional da Economia Brasileira

Região Participação no PIB Nacional Participação da Agropecuária no PIB Regional Participação da Indústria no PIB Regional Participação dos Serviços no PIB Regional PIB

per capita

(R$)

População

(milhões de hab.)

Número de

Municípios

Norte 5,8% 12,4% 26,2% 61,4% 36.678 18,8 450
Nordeste 13,8% 8,8% 20,4% 70,8% 27.681 57,2 1.794
Centro-Oeste 10,6% 17,1% 14,8% 68,1% 71.201 17,2 467
Sudeste 53,0% 2,9% 28,0% 69,1% 68.358 88,8 1.668
Sul 16,8% 9,2% 27,8% 63,0% 61.274 31,3 1.191
Brasil 100,0% 10,1% 23,4% 66,5% 53.038 213,3 5.570
Fonte: Elaborado pelo próprio autor baseado no relatório Resenha Regional: Junho de 2026, do BB.

O Sudeste concentra 53,0% do PIB brasileiro, consolidando-se como o principal centro econômico do Brasil. A região também reúne a maior população, com 88,8 milhões de habitantes, o que reforça sua importância econômica e demográfica.

O Sul responde por 16,8% do PIB nacional, destacando-se pela expressiva participação da indústria (27,8%) e pelo elevado PIB per capita (R$ 61.274), refletindo uma economia diversificada e com a terceira maior renda per capita do Brasil. A Região Sul destaca-se por liderar o abate de suínos e de aves no país. No quarto trimestre de 2025, foram abatidos 10,1 milhões de suínos e 1,0 bilhão de aves, segundo dados do IBGE.

O Nordeste possui a segunda maior população do país, com 57,2 milhões de habitantes, e o maior número de municípios (1.794). Entretanto, apresenta o menor PIB per capita entre as regiões brasileiras (R$ 27.681), evidenciando desafios relacionados à geração de renda e à produtividade do trabalho.

O Centro-Oeste registra o maior PIB per capita do país (R$ 71.201), resultado fortemente associado ao dinamismo do agronegócio. Nessa região, a agropecuária representa 17,1% da atividade econômica, percentual superior ao das demais regiões. O Centro-Oeste destaca-se como o principal polo produtor de grãos do Brasil e lidera o abate de bovinos, com 3,9 milhões de animais abatidos no quarto trimestre de 2025, evidenciando a relevância do agronegócio na economia regional.

O Norte participa com 5,8% do PIB nacional e caracteriza-se pela importância da indústria extrativa, pela presença da Zona Franca de Manaus e pelo papel estratégico da Amazônia, tanto sob a perspectiva econômica quanto ambiental. A Região Norte é a menos populosa e a que possui o menor número de municípios do Brasil. Em termos econômicos, apresenta o menor PIB nominal entre as regiões. Já em renda per capita, ocupa a segunda posição, ficando acima do Nordeste e abaixo das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Setor de Serviços é destaque

Vale destacar que em todas as regiões brasileiras, o setor de serviços é predominante, representando entre 61,4% da economia regional, no Norte, e 70,8%, no Nordeste. Esse resultado confirma a predominância do setor terciário na estrutura produtiva do país, com 66,5% do PIB brasileiro, bem acima dos 23,4% do setor secundário e dos 10,1% do setor primário.

De acordo com o relatório, o setor agropecuário apresenta participação que varia de 2,9% no Sudeste a 17,1% no Centro-Oeste, evidenciando a forte especialização desta região na produção agropecuária.

Já a indústria representa entre 14,8% no Centro-Oeste e 28,0% no Sudeste, revelando maior concentração das atividades industriais nas regiões mais urbanizadas e economicamente diversificadas, especialmente nos quatro estados da Região Sudeste, principal polo industrial do país, em especial, no estado de São Paulo.

De forma geral, os dados evidenciam as marcantes desigualdades regionais existentes no Brasil. Enquanto Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentam maiores níveis de renda e dinamismo econômico, Norte e Nordeste ainda enfrentam desafios estruturais relacionados à produtividade, à infraestrutura logística, à industrialização e à renda per capita.

Por outro lado, cada região possui vantagens comparativas que podem contribuir para um desenvolvimento nacional mais equilibrado. Destacam-se o agronegócio no Centro-Oeste, a força industrial do Sudeste e do Sul, o potencial mineral e ambiental do Norte e a expansão dos serviços, do turismo e das energias renováveis no Nordeste.

Ressalta-se ainda que, entre as cinco regiões, o relatório do BB, elaborado pelo economista-chefe do BB Assessoramento Econômico, Marcelo Rebelo, aponta que a Região Nordeste apresenta a maior projeção de crescimento do PIB para 2026, com avanço estimado de 3,2%. Na sequência, aparecem as regiões Norte, com crescimento projetado de 2,5%; Sul, com 2,2%; Sudeste, com 1,7%; e Centro-Oeste, com 1,5%.

Concluindo, o aproveitamento das vocações econômicas de cada região, aliado à implementação de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais e regionais e à mitigação dos impactos decorrentes das mudanças climáticas, como o fenômeno Super El Niño, e de fatores geopolíticos, a exemplo da guerra comercial iniciada pelos Estados Unidos e dos conflitos militares no Oriente Médio e na Ucrânia, bem como à ampliação dos investimentos privados nacionais e internacionais, constitui um conjunto de estratégias essenciais para promover um crescimento econômico mais próspero, inclusivo e sustentável no Brasil nos próximos anos.

Referência
BANCO DO BRASIL (BB). Resenha Regional: Junho de 2026. Disponível em: file:///C:/Users/Eduardo/Desktop/ResenhaRegional.BB.2026.pdf. Acesso em: 10 jul. 2026.
(*) Paulo Galvão Júnior é economista paraibano, conselheiro efetivo do Conselho Regional de Economia da Paraíba (CORECON-PB), membro do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba (FCFPB), integrante do Instituto de Inteligência Econômica (IIE) e do Grupo de Reforma Tributária na Paraíba (GRT-PB), escritor, palestrante e apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência no bairro da Torre na capital paraibana. WhatsApp para palestras e entrevistas: +55 (83) 92000-4420.
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