Alagoas e Sergipe estão entre os estados com maiores perdas de água tratada do país

Enquanto milhões de brasileiros ainda enfrentam dificuldades para acessar água potável, os maiores índices de desperdício de água tratada do país continuam concentrados nas regiões Norte e Nordeste. Levantamento do Instituto Trata Brasil, elaborado em parceria com a consultoria GO Associados com base nos dados de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), revela que estados nessas regiões lideram o ranking nacional de perdas na distribuição.

Alagoas aparece na primeira posição entre os estados nordestinos, com 66,9% da água tratada perdida antes de chegar ao consumidor. Em seguida surgem Sergipe, com 55,1%, e Maranhão, com 56,68%. No Norte, os índices também são elevados, com destaque para Roraima (65,97%), Pará (57,33%) e Acre (56,48%).

O estudo aponta que justamente as regiões Norte e Nordeste, que apresentam os menores indicadores de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, são também aquelas onde o desperdício é mais elevado. O cenário reforça os desafios históricos da infraestrutura de saneamento e da eficiência operacional dos sistemas de distribuição.

No Brasil, 39,53% de toda a água tratada produzida é perdida antes de chegar às residências. O volume desperdiçado alcança 4,4 bilhões de metros cúbicos por ano, quantidade suficiente para abastecer aproximadamente 77 milhões de pessoas anualmente. Segundo o levantamento, essa água seria capaz de atender os 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis por um período de até dois anos.

Apesar das metas estabelecidas pelo Ministério das Cidades para redução das perdas, apenas 12 dos 5.569 municípios brasileiros conseguiram alcançar os índices exigidos pela Portaria 788/2024. A norma determina que os sistemas apresentem perdas máximas de 35% até 2025, percentual que deverá cair para 30% entre 2026 e 2032 e atingir 25% a partir de 2033, dentro do processo de universalização do saneamento.

Para a presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, reduzir o desperdício tornou-se ainda mais urgente diante dos efeitos das mudanças climáticas sobre a disponibilidade hídrica.

“Reduzir perdas de água é uma escolha de gestão que impacta diretamente a qualidade de vida da população e a saúde dos nossos mananciais, especialmente em um cenário em que as mudanças climáticas já pressionam a disponibilidade hídrica e tornam a eficiência no uso da água ainda mais urgente”, afirmou.

Além dos ganhos ambientais e sociais, o estudo aponta impactos econômicos significativos. Caso o país consiga reduzir as perdas para 25%, o benefício líquido acumulado poderá alcançar R$ 23,6 bilhões até 2033. Em um cenário ainda mais eficiente, com perdas limitadas a 15%, os ganhos líquidos poderiam chegar a R$ 39,9 bilhões no período.

Na outra ponta do ranking, os menores índices de desperdício estão concentrados nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Goiás registra perda de 27,61%, seguido por Mato Grosso do Sul (30,6%), Distrito Federal (31,55%), São Paulo (32,15%) e Paraná (33,11%), todos abaixo da média nacional.

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Luciana Leão

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