Com as eleições de 2026 se aproximando, o Instituto Trata Brasil lançou o Voto no Saneamento, iniciativa que busca ampliar o debate sobre saneamento básico no cenário eleitoral.
A plataforma reúne dados, conteúdos informativos e materiais de apoio para estimular eleitores a cobrarem propostas e compromissos dos candidatos em relação ao acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto e infraestrutura urbana.
Fragilidade na infraestrutura
A campanha foi lançada em um momento de baixo investimento em infraestrutura básica. Dados do Ranking de Saneamento 2026 mostram que o investimento médio nos 100 maiores municípios brasileiros foi de R$ 135,89 por habitante em 2024, valor ainda distante dos R$ 225 por habitante estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) como necessários para universalizar os serviços até 2033.
As consequências desse déficit de investimento afetam diretamente a população. No Brasil, mais de 30 milhões de pessoas não têm acesso garantido à água, o equivalente à 15,9% da população. Além disso, 89,5 milhões de brasileiros vivem em domicílios sem coleta de esgoto, número que representa 43,3% da população.
Piores taxas de investimento
Segundo o Instituto Trata Brasil, 51 municípios investem menos de R$ 100 por habitante. Entre os menores índices do levantamento aparecem Paulista (PE), com R$ 51,55 por habitante; Várzea Grande (MT), com R$ 47,25; São João de Meriti (RJ), com R$ 45,16; Parauapebas (PA), com R$ 45,12; e Santarém (PA), com R$ 35,24.
Também figuram entre os menores investimentos São José (SC), com R$ 25,49 por habitante; Ananindeua (PA), com R$ 22,28; São Luís (MA), com R$ 18,17; Petrolina (PE), com R$ 15,42; e Rio Branco (AC), que apresentou o menor investimento entre os 100 municípios analisados, com apenas R$ 8,99 por habitante.

