Austrália já vive o futuro da energia. O Brasil insiste em sabotar o presente, por Daniel Lima

Por Daniel Lima *

Na Austrália, uma revolução silenciosa está em curso. As baterias de grande escala (BESS – Battery Energy Storage Systems) estão mudando a lógica do setor elétrico, especialmente à noite.

Os resultados são claros: No quarto trimestre de 2025, as baterias definiram o preço da energia 36% das vezes, o dobro do ano anterior.

Os preços no pico da noite caíram pela metade, para cerca de $100/MWh. A volatilidade despencou.

No início de 2026, a tendência se intensificou: mais energia solar barata armazenada durante o dia foi transferida para o pico noturno, reduzindo a necessidade de hidrelétricas e gás.

A geração a gás caiu para o nível mais baixo em 25 anos. Em resumo: as baterias transformaram a abundância solar diurna em fornecimento firme noturno, desestabilizando o papel histórico dos geradores a gás como formadores de preço.

Brasil: o atraso deliberado

Enquanto a Austrália avança, o Brasil permanece refém de uma lógica ultrapassada. O país contratou R$ 500 bilhões em energia fóssil cara para os próximos 15 anos, blindando interesses do lobby do fóssil em conluio com agentes do governo.

E quando se fala em viabilizar projetos BESS, surgem barreiras artificiais:

– Contratação limitada a apenas 10 anos, insuficiente para amortizar investimentos.

– Cobrança dupla da TUSD, penalizando injustamente os projetos.

– Falta de clareza regulatória e incentivos.

Essas medidas não são neutras. Elas inviabilizam a transição energética e mantêm o Brasil preso a uma matriz mais cara e poluente.

O que está em jogo

O exemplo australiano mostra que as baterias já estão reduzindo custos, aumentando a segurança energética e diminuindo a dependência de combustíveis fósseis.

No Brasil, insistir em atrasar essa agenda significa:

– Preços altos para consumidores e indústria.
– Perda de competitividade internacional.
– Maior vulnerabilidade climática e econômica.

O futuro da energia já chegou. A Austrália prova que é possível. O Brasil precisa decidir: será protagonista dessa transformação ou continuará refém de contratos bilionários que beneficiam poucos e prejudicam muitos?

As baterias não são o inimigo da matriz elétrica – são a chave para sua modernização. O atraso não é técnico, é político. E cada ano perdido significa bilhões que beneficiam poucos e oportunidades enterradas.

 

 

*Daniel Lima é economista e especialista na área energética
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Walter Santos

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