Busca pelo voto exige cautela. Queimar a largada é descuido total, por José Natal

Na hora certa, no momento oportuno e de acordo com o que exigem as circunstâncias e providências, o Presidente Lula agenda, confirma e acerta um encontro de trabalho com o Presidente americano Donald Trump, nos Estados Unidos, sob um olhar surpreso e talvez curioso de aliados e adversários.

Ainda se refazendo de duas derrotas impostas pelo Congresso Nacional, sob a batuta de seu presidente David Alcolumbre, o presidente brasileiro com esse ato, na visão de especialistas, demonstra, com habilidade, o que mais sabe fazer, e praticar, política profissional, com os olhos abertos para o futuro, antevendo, e quem sabe evitando, possíveis sinais de palavras ao vento e atitudes desconcertantes vindas das terras de Tio Sam.

Nas últimas quarenta décadas (há quem diga que seja mais), ninguém nesse nosso Brasil varonil, soube (e ainda sabe) exercer a atividade política, na concepção exata da palavra, como Luís Inácio Lula da Silva. Reconhecimento, diga-se de passagem, dos próprios adversários ou “inimigos” partidários, aqueles (poucos) que ainda conseguem separar o debate sadio das agressões verbais e ás vezes estupidamente grosseiras, quase selvagens.

Se aproximar agora de Trump, expor e negociar gestos que a política, na fase eleitoral, com certeza vai exigir, pode e deve ser considerada uma ação positiva. Preventiva seria o termo. É sabido que a direita bolsonarista, com todo direito e estratégia elaborada e orientada pelo candidato Flávio Bolsonaro, por certo já entendeu o que acontece, e planeja respostas.

Ainda estamos longe da jornada oficial, que dará aos candidatos o direito a se lançarem em campanhas, manifestos em praça pública, bandeiras e outras atrações que encantam o eleitor, ou o engana. Sempre foi assim, está sendo assim, e será ainda assim por muito tempo, sabe-se lá até quando.

O que também parece estabelecer uma espécie de “manual” negativo de campanhas eleitorais, são as atitudes precipitadas, muitas vezes mal planejadas ou açodadas, movidas pelo entusiasmo, amadorismo e euforias desconexadas da realidade política, do que pensa a
sociedade e tudo a seu redor.

Os exemplos se repetem, acontecem com uma frequência quase cansativa, mas a perspectiva de vitória a todo custo e sonhos de poder, tapam os olhos e ouvidos, e candidatos se complicam prematuramente por isso. Um exemplo vivo dessa situação aqui abordada, surge já nos primeiros dias da anunciada campanha pela presidência do candidato do Partido Novo, Romeu Zema, que vem dos ares de Minas e polêmico por natureza.

Ainda na aurora de sua jornada, anuncia aos quatro cantos, que se eleito incentivará o trabalho infantil, normalizando que se empregue crianças e tire delas o que mais encanta e seduz a família brasileira, a juventude plena e divertida.

Talvez o que o candidato pretenda não seja exatamente o que expressa de público. Assessores ligados a ele, meio que na base do segredinho, revelam ao pé de ouvido de terceiros que o que fala sobre isso, internamente, gera o tradicional “há controvérsias”.

Jair Bolsonaro, quando em campanha prometeu, e quando eleito, cumpriu a promessa de legalizar a compra de armas pela população brasileira. A não ser seus seguidores mais ferrenhos, adeptos do radicalismo sem diálogo, a comunidade preferiu cinturas sem cartucheiras. Talvez um dia isso aconteça, por agora ainda não.

A exemplo das competições esportivas, todas elas, a forma como o atleta ou equipes se postam na largada, é sabido que as chances de bons resultados ganham novo incentivo. Palavras ditas ao vento a população captura, arquiva e analisa, para que na hora do voto a escolha recaia sobre aquele que melhor disse a que veio, como, onde e por quê governar.

Poucos são aqueles que, por mais que tentem, conseguem convencer o eleitor a votar em alguém pelo desempenho em palanque, oratória versátil e atributos expostos pelo marketing eficiente. Escolaridade, cara bonita e pregações baseadas em fontes geradas pela Inteligência artificial não arrebanham voto pra ninguém, em lugar algum.

Bem informado, em sintonia com as voltas que o mundo dá, o eleitor de hoje busca no passado o que o candidato prega hoje, qual o tempo do verbo aplicado e a quem pretende contemplar. Aos radicais, a justiça.

Aos moderados, éticos e bem informados sobre as mazelas e virtudes que o país adota e fiscaliza, com certeza será destinada essa preferência. Dividindo opiniões, mas ainda como principal referência para que todos comecem com cautela, a silenciosa avaliação dos nomes que levarão ás urnas, as pesquisas se multiplicam, e com elas a saudável e bem aventurada liberdade de escolha.

Numa só voz o Brasil dispensa amadores, campanha política é coisa séria, e quem tropeçar já no começo tende a ter que aplaudir a vitória do vizinho. Cuidado.

José Natal
Jornalista

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