PAPO DE ECONOMIA: COFECON já iniciou inscrições gratuitas para o “Desafio Quero Ser Economista”

Por Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior *

O “Desafio Quero Ser Economista”, promovido pelo Conselho Federal de Economia (COFECON) em parceria com os Conselhos Regionais de Economia (CORECONs), configura-se como uma relevante competição nacional e educacional voltada à difusão do pensamento econômico entre estudantes do Ensino Médio no Brasil.

Na atualidade, sua importância ultrapassa o caráter competitivo, ao estimular o pensamento crítico e ampliar o interesse pela Ciência Econômica como instrumento de compreensão da realidade socioeconômica do Brasil, a décima primeira economia do mundo em termos do Produto Interno Bruto (PIB) nominal, com um PIB de US$ 2,2 trilhões em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), e ao mesmo tempo a 84ª colocada no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no ano de 2023, com IDH de 0,786, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Para tanto, o COFECON já iniciou as inscrições gratuitas para o 11˚ “Desafio Quero Ser Economista”. No ano de 2026 os prêmios de R$ 6 mil serão distribuídos entre os vencedores, sendo R$ 2.500,00 para o campeão, R$ 2.000,00 para o vice-campeão, e R$ 1.500,00 para o terceiro lugar. E as inscrições online serão encerradas no dia 27 de maio de 2026.

Dinâmica

De acordo com o COFECON, ao longo de duas semanas os participantes irão se divertir e aprender conceitos econômicos importantes por meio de jogos como anagramas, associação, game show e forca.

Na terceira semana os competidores classificados serão desafiados a gravarem vídeos falando sobre um tema econômico, que também será postado no perfil da competição no Instagram.

Os participantes e os melhores vídeos serão classificados de acordo com a clareza da exposição, coerência de ideias, precisão do conteúdo, relevância do tema, criatividade e originalidade do material.

A importância da participação regional

O Nordeste é a região brasileira marcada por elevada desigualdade social, alta informalidade e composta por nove estados. A análise do contingente de inscritos em cada estado e sua participação no triênio 2023-2024-2025 revela o grau de institucionalização e a capacidade de mobilização em torno do “Desafio Quero Ser Economista” pelos CORECONs da região:

 

Tabela 1: Inscritos no “Desafio Quero Ser Economista” no Nordeste (2023-2024-2025)
Ranking Estado 2023 2024 2025 Total Participação no NE (%)
Pernambuco (PE) 891 924 505 2.320 67,1%
Ceará (CE) 536 63 45 644 18,6%
Paraíba (PB) 14 148 41 203 5,9%
Bahia (BA) 32 49 8 89 2,6%
Maranhão (MA) 0 65 1 66 1,9%
Rio Grande do Norte (RN) 1 32 31 64 1,8%
Sergipe (SE) 0 15 15 30 0,9%
Alagoas (AL) 1 5 21 27 0,8%
Piauí (PI) 2 2 10 14 0,4%
Nordeste 1.477 1.303 677 3.457 100%
Fonte: Elaboração própria baseada nos dados oficiais do COFECON (2026).

 

No período analisado, o Nordeste registrou 3.457 inscritos, com trajetória decrescente ao longo dos anos, saindo de 1.477 participantes em 2023 para 677 em 2025, queda de 800 inscritos entre estudantes do Ensino Médio, evidenciando perda de dinamismo e fragilidade na sustentabilidade das ações dos CORECONs.

Cabe destacar que a Região Nordeste concentra 28,5% do total de 12.146 inscritos no Brasil no triênio 2023-2024-2025. No último ano, observou-se retração no número de inscritos em seis estados nordestinos, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Bahia, Maranhão e Rio Grande do Norte. Em contrapartida, Piauí e Alagoas apresentaram crescimento no contingente de inscritos, enquanto Sergipe manteve-se estável no período analisado.

Análise por Estado

No contexto de forte concentração regional, o estado de Pernambuco se destaca de forma expressiva, respondendo por 67,1% do total de inscritos no triênio 2023-2024-2025. Portanto, Pernambuco apresenta elevado grau de articulação institucional, capilaridade junto às redes de ensino e continuidade nas ações do CORECON-PE, consolidando-se como principal polo regional e referência na difusão do “Desafio Quero Ser Economista” do Sistema COFECON/CORECONs, sendo por três vezes consecutivos, o vice-campeão nacional.

O Ceará ocupa a segunda posição, com 18,6% do total, porém sua trajetória é marcada por forte retração ao longo do triênio, sugerindo descontinuidade nas estratégias de mobilização do CORECON-CE.

A Paraíba, por sua vez, apresenta comportamento oscilante, com crescimento significativo em 2024 seguido de recuo em 2025, indicando potencial de expansão ainda não consolidado, com 5,9% das inscritos dos estudantes do Ensino Médio na região Nordeste. O CORECON-PB tem condições de superar o seu melhor ano, 148 inscritos em 2024, onde foi o segundo lugar no ranking nordestino e o sétimo colocado no ranking nacional, com novas ações no ano de 2026.

Em breve, o CORECON-PB lançará dois projetos relevantes para a sociedade paraibana, primeiro, “A Paraíba Sem Dívidas”, e o segundo, “Biblioteca Itinerante do CORECON-PB”, sendo este último tem como objetivo fomentar a educação econômica, o incentivo à leitura e a formação cidadã de estudantes da rede pública e privada no estado da Paraíba. A proposta consiste na circulação mensal de livros e revistas de Economia do acervo particular do CORECON-PB em duas instituições de ensino por mês, um colégio público e um colégio particular do Ensino Médio.

O estado da Bahia revela desempenho modesto frente ao seu peso demográfico e econômico na região, com apenas 2,6% do total, evidenciando limitações na inserção do “Desafio Quero Ser Economista” por parte do CORECON-BA.

O Maranhão apresenta participação pontual, com destaque em 2024 e forte retração no ano seguinte, refletindo ausência de continuidade institucional do CORECON-MA, com apenas 1,9% do total na região. Já o Rio Grande do Norte evidencia crescimento gradual e posterior estabilização, sugerindo um processo incipiente de amadurecimento das ações do CORECON-RN, com 1,8% do Nordeste.

O estado de Sergipe mantém uma participação modesta, porém relativamente estável ao longo do período analisado. Em contraste, Alagoas apresenta sinais recentes de crescimento, ainda em fase inicial de consolidação estrutural. Já o Piauí registra uma participação residual durante todo o intervalo observado. Portanto, evidencia-se uma lacuna na difusão do “Desafio Quero Ser Economista” no âmbito dos três CORECONs, com 0,9% (SE), 0,8% (AL) e 0,4% do total (PI), respectivamente.

A configuração regional revela, portanto, um padrão caracterizado por elevada concentração em um único estado nordestino, baixa capilaridade nos demais estados da região e significativa instabilidade temporal. A redução das inscritos ao longo do triênio reforça a percepção de que o “Desafio Quero Ser Economista” ainda não alcançou um nível de institucionalização sustentável no Nordeste.

Nesse contexto, a experiência de Pernambuco demonstra que resultados consistentes dependem de coordenação institucional, continuidade das ações do CORECON-PE e integração com as redes pública e privada de Ensino Médio, enquanto, o desempenho limitado da maioria dos estados evidencia a necessidade de estratégias mais estruturadas de mobilização educacional.

Conclusão

Concluindo, dada a relevância demográfica, social e econômica do Nordeste, transformar sua base jovem em capital humano qualificado, em especial em Ciência Econômica, constitui elemento central para o desenvolvimento regional em plena Quarta Revolução Industrial, sofrendo os sérios impactos das mudanças climáticas, sendo o “Desafio Quero Ser Economista” do Sistema COFECON/CORECONs uma das iniciativas mais promissoras nesse processo e totalmente gratuito as inscrições no site: https://www.desafioquerosereconomista.org.br/.

Fique atento, pois a competição nacional “Desafio Quero Ser Economista” começa em 8 de junho. Participe e concorra a R$ 6.000,00 em prêmios.

 

(*) Paulo Francisco Monteiro Galvão Júnior é economista paraibano (CORECON-PB 1392), conselheiro efetivo do CORECON-PB, secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, membro do Instituto de Inteligência Econômica (IIE) em São Paulo, integrante do Grupo de Reforma Tributária da Paraíba (GRT-PB) em João Pessoa, apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência na capital paraibana, autor de 19 e-books de Economia, palestrante, autor e co-autor de mais de 400 artigos de Economia e colunista do Portal Valentina (João Pessoa), do Portal North News (Toronto), da SAM Consultoria (São Paulo), do NotíciaExtra.com (João Pessoa) e da Revista NORDESTE (João Pessoa). WhatsApp para palestras e entrevistas: +55 (83) 92000-4420.

 

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Luciana Leão

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