Gabriela Ruddy, da Agência Eixos
O Brasil segue com dificuldades para aprovar uma política de incentivos para atração de data centers, o que vem travando o avanço desses projetos no país.
Depois de aprovado na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que cria o Redata (PL 278/26) está parado no Senado Federal desde fevereiro, sem acordo.
Segue, inclusive, recebendo emendas, como a proposta do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB/PB) que prevê o uso de certificados de uso de energia renovável nos empreendimentos, apresentada na segunda-feira (5/5).
O projeto de lei foi a alternativa que o governo encontrou para tentar avançar com o regime especial, depois que a medida provisória que criava o programa caducou.
No setor de data centers, não há clareza dos motivos pelos quais o tema ainda não entrou na pauta para votação no Senado.
Uma das questões ainda em aberto são as fontes que poderão ser usadas pelos data centers que quiserem acessar os benefícios fiscais.
Inicialmente, o programa previa apenas renováveis, mas parte do setor defende também a inclusão do gás natural.
O mercado de energia no Brasil olha com grande interesse para esse enorme potencial de demanda. É uma das principais alternativas hoje para dar um destino ao excesso de geração renovável no Nordeste que sofre com os cortes (curtailment) devido ao baixo consumo e aos gargalos na infraestrutura de transmissão.
E o potencial é, de fato, muito grande: o Goldman Sachs estima que em 2027 a demanda por energia elétrica em data centers vai chegar a 66 gigawatts (GW) nos Estados Unidos, respondendo por 8,5% do consumo de energia no país.
Enquanto as discussões se arrastam no Brasil, o crescimento nos Estados Unidos é acelerado: a demanda por energia nesses projetos vai mais que dobrar em dois anos, já que era de 31 GW em 2025.
O tema, inclusive, pode entrar na pauta da conversa prevista para esta quinta-feira (07/5) entre o presidente Lula (PT) e o presidente dos EUA, Donald Trump, na capital estadunidense, Washington D.C.
A busca por competitividade na cadeia de processamento associada à inteligência artificial, que inclui data centers e minerais críticos, é um dos principais pontos da política externa estadunidense no momento.
Os EUA visam competir com a China nesse segmento e, para isso, buscam potenciais parceiros — e é aí que o Brasil pode colaborar.

