Por Luciana Leão
A BRAVA Energia oficializou a venda de 50% de sua infraestrutura de escoamento e processamento de gás natural no município de Guamaré, no Rio Grande do Norte, para a PetroReconcavo. Avaliada em US$ 65 milhões, a operação marca o início de uma parceria estratégica entre as empresas no chamado segmento midstream, responsável por transportar, processar e armazenar o gás natural após sua extração e antes da distribuição ao mercado.
O negócio envolve ativos localizados no Ativo Industrial de Guamaré, considerado um dos polos logísticos mais relevantes da cadeia de gás natural no Nordeste. A venda contempla as Unidades de Processamento de Gás Natural II e III (UPGNs), com capacidade de até 3 milhões de metros cúbicos/dia, o gasoduto Livramento–Guamaré e as esferas de armazenamento de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo).
“O contrato firmado com a PetroReconcavo é fruto de um esforço direcionado à otimização da performance e ao máximo aproveitamento dos ativos de infraestrutura”, afirmou o CEO da BRAVA Energia, Décio Oddone. “É um exemplo do que pode ser feito para otimizar a operação no onshore brasileiro.”
O valor será pago em quatro etapas: 10% no ato da assinatura; 25% em até dez dias úteis após aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE); 50% no fechamento da operação, condicionado ao cumprimento de cláusulas precedentes; e os 15% restantes serão liberados conforme a conclusão da transferência imobiliária.
O contrato também prevê o compromisso da BRAVA de adquirir gás natural da PetroReconcavo por cinco anos, a partir do segundo semestre de 2025, com volume médio diário de 150 mil metros cúbicos. O fornecimento será feito a partir da produção da PetroReconcavo nos campos da Bacia Potiguar.
“A parceria com a BRAVA potencializa a geração conjunta de valor, aliando nossa produção à infraestrutura já instalada em Guamaré”, afirmou em nota o CEO da PetroReconcavo, José Firmo, quando o acordo foi anunciado de forma preliminar, em dezembro de 2024.
Para o diretor de Novos Negócios, Trading e Downstream da BRAVA, Pedro Medeiros, o acordo “reflete a visão dinâmica da companhia em relação ao seu portfólio, extraindo o máximo, da maneira mais efetiva possível”.
Linha do Tempo
A operação é o desfecho de um processo iniciado no fim de 2024, quando as empresas assinaram um acordo vinculante com exclusividade de 60 dias. À época, os termos já previam os principais ativos e volumes envolvidos.
Apesar da venda de metade da estrutura, a BRAVA afirmou que continuará responsável pela operação no estado. No entanto, o contrato prevê a criação de comitês operacionais conjuntos e o compartilhamento de serviços e utilidades no complexo industrial, sinalizando um modelo de gestão integrada.
A reportagem do site da RNE questionou à BRAVA sobre o papel efetivo da PetroReconcavo na gestão dos ativos e aguarda resposta.
Entenda a cadeia do gás natural
A cadeia do gás natural é dividida em três grandes segmentos, com funções distintas e complementares:
Upstream (produção)- Fase de exploração e extração do gás natural. Envolve perfuração de poços e coleta nos campos de produção. No Brasil, ocorre principalmente em bacias como a Potiguar, onde atuam BRAVA e PetroReconcavo.
Midstream (escoamento e processamento)- Etapa intermediária: transporte, tratamento e armazenamento do gás. Inclui gasodutos, UPGNs (Unidades de Processamento de Gás Natural) e tanques de armazenagem de derivados como o GLP. No caso da operação no Rio Grande do Norte, é esse o segmento compartilhado entre BRAVA e PetroReconcavo.
Downstream (distribuição e comercialização) – Entrega do gás já tratado aos consumidores finais: indústrias, distribuidoras, termelétricas, postos de GNV. Também abrange a venda de subprodutos, como GLP e gás seco.

