O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio à crise política e financeira provocada pela intervenção no Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país.
A medida do Banco Central paraguaio deixou aproximadamente 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas e aos recursos depositados na instituição, desencadeando protestos e cobranças por responsabilização das autoridades.
A crise também colocou Peña no centro dos questionamentos por sua ligação anterior com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O presidente foi acionista da holding até março de 2025, vínculo que motivou acusações da oposição sobre possíveis conflitos de interesse e favorecimento ao grupo empresarial durante seu governo.
Apesar da renúncia, mais cedo, a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment do presidente, com 78 votos favoráveis e nenhum contrário. A medida ainda precisa ser analisada pelo Senado para que o processo seja concluído.
Os parlamentares da oposição defenderam a continuidade da votação do impeachment, sob o argumento de que a conclusão do processo impediria que o presidente deixasse o cargo sem responder às acusações e mantivesse eventuais prerrogativas decorrentes do foro privilegiado.
Crise no sistema financeiro
A intervenção no Ueno Bank foi anunciada na terça-feira (3), depois que o Banco Central identificou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação financeira. Com a decisão, as operações foram suspensas e os recursos dos correntistas ficaram temporariamente indisponíveis.
O banco atendia aproximadamente 2,9 milhões de pessoas, em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes. Além dos depósitos de clientes, administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados ao sistema previdenciário paraguaio. Com a intervenção, os correntistas ficaram temporariamente sem acesso aos recursos depositados.
As investigações sobre o caso apontam suspeitas de irregularidades contábeis e concessão de empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador do banco, o Grupo Vázquez. O Ministério Público paraguaio também apura possíveis operações simuladas envolvendo carteiras de crédito. Oito pessoas ligadas à instituição foram detidas no decorrer das investigações.

