Projeto para ampliar presença de mulheres negras na liderança do governo federal é finalista de prêmio nacional

Iniciativa da Enap combate desigualdades de raça e gênero no serviço público e concorre ao Prêmio Espírito Público 2026

 

Mulheres negras ocupavam menos de 10% dos cargos de alta liderança do governo federal em 2023. Para enfrentar essa desigualdade, a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) criou dois programas voltados à formação de servidores e à promoção da equidade racial e de gênero dentro do Estado. A iniciativa é uma das finalistas do Prêmio Espírito Público 2026, promovido pela República.org, que reconhece projetos capazes de transformar o serviço público brasileiro.

Batizados de Formação e Iniciativas Antirracistas (FIAR) e Formação e Iniciativas Feministas (FIF), os programas buscam mudar uma realidade ainda distante da composição da população brasileira. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 55,5% dos brasileiros se autodeclaram pretos ou pardos e 51,5% são mulheres. Apesar disso, os cargos de maior poder de decisão na administração federal permanecem concentrados entre homens brancos.

O problema vai além da representatividade. A baixa presença de pessoas negras, especialmente mulheres negras, nos espaços de liderança também influencia a maneira como as políticas públicas são formuladas e implementadas. Ampliar a diversidade nesses postos significa incorporar diferentes experiências e perspectivas às decisões que afetam milhões de brasileiros.

Para enfrentar esse cenário, os programas da Enap investem na capacitação de servidores públicos, no desenvolvimento de lideranças, na criação de redes colaborativas e na produção de conhecimento sobre racismo e desigualdade de gênero.

A proposta é preparar profissionais para identificar e enfrentar essas desigualdades em suas áreas de atuação, contribuindo para que políticas de educação, saúde, assistência social e gestão pública considerem as necessidades de grupos historicamente excluídos.

Formação para combater desigualdades
Os dois programas surgiram a partir de um diagnóstico realizado pela Enap em 2023, com base em informações do IBGE, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e de estudos sobre o perfil dos servidores federais.

O levantamento mostrou que, naquele ano, as mulheres ocupavam aproximadamente um terço dos cargos de alta liderança da administração federal. Quando consideradas apenas as mulheres negras, a participação não chegava a 10%.

Além da formação, os programas estimulam a troca de experiências entre servidores e a construção de redes que possam fortalecer iniciativas de equidade dentro dos órgãos públicos. O objetivo é que os conhecimentos adquiridos não fiquem restritos às salas de aula, mas sejam incorporados ao cotidiano da administração.

A Enap acompanha os resultados por meio de indicadores como participação, certificação, avaliações de satisfação e relatos dos profissionais que passaram pelas formações. Segundo a instituição, os programas têm contribuído para fortalecer capacidades de liderança, ampliar o conhecimento sobre desigualdades raciais e de gênero e criar redes de colaboração.

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Walter Santos

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