Virada inédita desde a adoção do segundo turno presidencial, em 1989, ocorre em uma campanha marcada pela retomada da mobilização nas ruas e por denúncias sobre dificuldades de transporte público no dia da votação
Por Luciana Leão
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), com 96,83% das urnas apuradas, e conquistou seu quarto mandato, com 51,7% dos votos válidos, ante 48, 2% do candidato Flávio Bolsonaro, do PL.
A vitória marca uma reviravolta histórica: desde a adoção do segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que havia terminado a primeira votação atrás do adversário tinha conseguido vencer a disputa final.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi revertida na segunda etapa, em uma disputa que mobilizou o eleitorado e manteve o país dividido até a apuração avançar.
A campanha do segundo turno também foi marcada pela retomada dos atos públicos e das manifestações de apoio a Lula. A presença nas ruas voltou a integrar a estratégia eleitoral, em paralelo à mobilização digital e às articulações políticas.
A dimensão dessa movimentação abre uma questão central para a análise do resultado: como o candidato que terminou atrás na primeira votação conseguiu reorganizar sua base e ampliar o apoio necessário para vencer a disputa.
O resultado não pode ser atribuído a um único fator. A transferência de votos, a rejeição aos candidatos, a participação eleitoral e as diferenças regionais compõem um quadro que ainda exige análise.
Adriano Oliveira, cientista político e estrategista, aponta que o medo favoreceu o presidente Lula.
“Como insisti ao longo do segundo turno, com base nas pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência, esta foi a eleição do medo, independentemente da avaliação da gestão. O medo foi decisivo para o resultado eleitoral”.
A virada modifica o cenário político nacional e abre uma nova etapa para o governo, que terá de lidar com a polarização eleitoral e a necessidade de construir sustentação política no Congresso.
Dia tumultuado
O domingo também foi marcado por controvérsias sobre as condições de votação. Denúncias de falhas no transporte público em diferentes estados levaram a pedidos de extensão do horário eleitoral.
A decisão de ampliar a votação e as dificuldades de comunicação sobre sua aplicação provocaram questionamentos sobre a resposta institucional. As ocorrências exigem apuração, mas não constituem evidência de alteração do resultado.
*Em atualização

