Um novo leilão de transmissão de energia, marcado para 30 de outubro, prevê R$ 8,9 bilhões em investimentos e inclui obras em dois estados do Nordeste: Bahia e Paraíba.
A expectativa é de que os empreendimentos contribuam para ampliar a capacidade da rede e facilitar o transporte da energia produzida na região.
Ao todo, o leilão reúne oito lotes em sete estados, com 1.866 quilômetros de novas linhas e previsão de criação de mais de 20 mil empregos diretos durante a implantação das obras, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Na Bahia, o Lote 1 prevê novas instalações para atender as regiões Sul e Centro-Sul do Estado. O Lote 2 envolve a linha de transmissão entre Rio das Éguas, na Bahia, e Iaciara 2, em Goiás, além de uma nova subestação em Iaciara 2. Os dois projetos têm prazo de implantação de 48 meses.
Na Paraíba, o Lote 7 contempla obras nos sistemas Coremas II e Cajazeiras II, no Sertão do Estado, com prazo de implantação estimado em 42 meses.
A expansão da rede ocorre em um momento de forte crescimento da geração de energia renovável no Nordeste, especialmente a partir das fontes eólica e solar. Com mais capacidade de transmissão, aumenta também a possibilidade de levar essa energia para outras regiões do país.
Mais transmissão pode reduzir os cortes
O reforço da rede também pode ajudar a enfrentar um problema que ganhou dimensão com o crescimento das fontes renováveis: os cortes de geração.
Quando a produção de energia supera a capacidade de transporte disponível em determinado momento, usinas podem ser obrigadas a reduzir ou interromper temporariamente a geração. A ampliação da transmissão pode diminuir essas restrições ao criar mais espaço para que a eletricidade produzida no Nordeste seja levada a outras áreas do sistema.
Nesse planejamento está o Bipolo Nordeste II, incluído pelo Ministério de Minas e Energia no Plano de Outorgas de Transmissão. O projeto, desenvolvido a partir de estudos da EPE, está entre as novas obras previstas para reforçar a infraestrutura de transmissão e ampliar a capacidade de transferência de energia.
ANEEL estabelece novas regras para os cortes
Além dos investimentos em transmissão, o setor passou a contar nesta semana com uma nova regra para os cortes de geração.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou nesta terça-feira (6) uma regulamentação que define a ordem dos cortes obrigatórios de geração em situações de excesso de oferta de energia. Segundo a agência, a norma busca dar mais transparência e previsibilidade à operação do sistema e estabelecer uma divisão mais equilibrada dos impactos entre as diferentes fontes de geração.
A regra prevê uma implantação gradual da participação das hidrelétricas nos cortes relacionados à sobreoferta de energia. Já os cortes necessários por razões de segurança da rede continuarão sendo realizados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), de acordo com as necessidades de operação.
A nova regulamentação ainda passará por um período de simulação antes de entrar efetivamente em vigor. O chamado período de sombra começará 180 dias depois da publicação da resolução e terá duração de 12 meses. A aplicação definitiva está prevista para 18 meses após a publicação.
Compensação
Em outra frente, o Ministério de Minas e Energia e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) divulgaram nesta semana a lista de usinas eólicas e solares consideradas elegíveis ao mecanismo de compensação por cortes de geração ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025.
A medida faz parte das ações adotadas pelo governo para enfrentar os efeitos dos cortes sobre os empreendimentos renováveis. A compensação depende agora da adesão das usinas e da assinatura do termo de compromisso previsto no programa.
O governo também mantém um grupo de trabalho dedicado ao tema. De acordo com o balanço mais recente, 19 das 27 ações previstas para enfrentar os cortes já foram concluídas, incluindo medidas técnicas e obras relacionadas à transmissão.
O leilão de transmissão será realizado na B3, em São Paulo. Os contratos de concessão deverão ser assinados em fevereiro de 2027, e os prazos para conclusão das obras variam de 42 a 60 meses.
* Com informações da EPE e ANEEL

