Da biodiversidade da Caatinga a novos produtos e oportunidades de mercado

 

Projeto da Sudene, UFPE e Univasf recebeu R$ 415,3 mil e aproximou pesquisa científica, agricultura familiar e empresas

 

Transformar espécies da Caatinga em produtos, tecnologias e novas oportunidades de negócios foi o desafio da Rede Impacta Caatinga, iniciativa desenvolvida pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

O projeto recebeu R$ 415,3 mil da Sudene e buscou aproximar a pesquisa científica de agricultores familiares, organizações produtivas, empresas, startups e instituições públicas.

A pesquisa investigou o potencial de espécies como maracujá da Caatinga, licuri, umbu, acerola e pitanga para a produção de itens de maior valor agregado. Também foram estudados peptídeos encontrados na peçonha do escorpião Tityus stigmurus, que apresentaram atividade antimicrobiana e antibiofilme, inclusive contra cepas multirresistentes.

Entre os resultados estão extratos de maracujá da Caatinga e protótipos de creme dental, gel dental e enxaguante bucal formulados com óleo de licuri. A pesquisa também avançou em produtos cosméticos, sabonete esfoliante, farinha nutracêutica produzida a partir de resíduos agroindustriais e formulações com potencial farmacêutico.

Outra frente de trabalho envolveu estudos para inclusão de espécies da Caatinga na Renisus (Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS), além de pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de protetor solar.

O trabalho não se limitou à criação de produtos. A Rede Impacta Caatinga também gerou artigos científicos, dissertação de mestrado, trabalhos de conclusão de curso e pesquisas de iniciação tecnológica, além de estudos farmacológicos e físico-químicos. Foram realizadas ainda análises sobre economia rural, legislação e ambiente regulatório, algumas delas com potencial de gerar propriedade intelectual.

Pesquisa mais próxima da produção

Um dos pontos centrais da iniciativa foi aproximar universidades e organizações socioprodutivas da agricultura familiar. De acordo com a Diretoria de Promoção do Desenvolvimento Sustentável da Sudene, cooperativas e outras organizações da Bahia e de Pernambuco foram mapeadas e envolvidas nas atividades.

Também foram realizadas oficinas com lideranças locais sobre temas como cadeias de valor e bioinsumos. A proposta foi ampliar o conhecimento sobre formas de transformar produtos da biodiversidade em negócios capazes de gerar mais renda nas próprias regiões produtoras.

Para o economista da Sudene Frederico Cavalcanti, esse processo exige uma mudança na maneira de enxergar os recursos da Caatinga.

“Em vez de simplesmente vender uma fruta, uma semente ou um óleo como matéria-prima, busca-se desenvolver biodiversidade, pesquisa, tecnologia, produto, mercado e renda.”

Segundo ele, a agregação de valor pode abrir novas possibilidades econômicas para agricultores familiares e organizações locais.

Do laboratório ao mercado

A conclusão do projeto não significa o fim das pesquisas. Parte das tecnologias ainda precisa passar por etapas de validação, regulamentação e consolidação comercial.

Alguns resultados, porém, estão mais próximos de uma aplicação no mercado, como os protótipos odontológicos desenvolvidos em associação com a Opará (Observatório das Políticas Afirmativas Raciais) e a Coopes (Cooperativa de Trabalho em Serviço de Saúde).

Além do aporte financeiro, a Sudene atuou na articulação entre as instituições participantes, com o objetivo de fortalecer cadeias produtivas existentes e estimular a criação de novos Arranjos Produtivos Locais (APLs).

 

*Com Ascom Sudene

 

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Luciana Leão

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