O maior navio bate-estacas do mundo partiu neste domingo (27), do Porto de Lusí, na província de Jiangsu, no leste da China, com destino ao Brasil. A embarcação será utilizada na construção da Ponte Salvador-Itaparica, na Bahia, considerada a maior ponte estaiada sobre o mar da América Latina.
O navio, batizado de TieJian DaQiao Zhuang 1, foi desenvolvido para atuar em grandes obras marítimas, incluindo pontes, parques eólicos offshore e terminais portuários. A embarcação deve chegar à costa do Nordeste brasileiro, no Recife, em aproximadamente 45 dias, após atravessar o Estreito de Malaca, contornar o Cabo da Boa Esperança e seguir pelo Atlântico Sul.
Operação
A Ponte Salvador-Itaparica vai atravessar a Baía de Todos-os-Santos e terá um trecho estaiado de aproximadamente 682 metros, com vão livre de 85 metros para permitir a passagem de grandes embarcações. Na área onde serão instaladas as fundações dos principais pilares, a profundidade chega a 64 metros, em um trecho marcado por condições geológicas marinhas complexas.
O equipamento tem profundidade operacional de até 70 metros, torre de cravação de 156 metros e capacidade para içar estacas de até 700 toneladas. Segundo a empresa responsável pelo desenvolvimento, essas características permitem operações em águas profundas e em condições marítimas consideradas complexas.
Para realizar a cravação das estacas com precisão, o navio combina posicionamento dinâmico e sistema de ancoragem. A embarcação também utiliza o sistema de navegação por satélite BeiDou, da China, para obter posicionamento com precisão em nível centimétrico.
Obras
As obras da Ponte Salvador-Itaparica começaram em julho deste ano e são executadas por um consórcio formado por empresas chinesas. O projeto integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem investimento estimado em R$ 11,6 bilhões.
A estrutura deverá ligar Salvador à Ilha de Itaparica e reduzir o tempo de deslocamento entre a capital baiana e Vera Cruz em cerca de 45 minutos. Para viagens entre Salvador e municípios do Baixo Sul, a estimativa é de redução de aproximadamente duas horas.
Segundo o governo da Bahia, a ponte deverá receber cerca de 28 mil veículos por dia. A expectativa é de que a ligação contribua para a mobilidade regional e para atividades econômicas como turismo, indústria, comércio e logística.

