Redes sociais já influenciam hábitos de consumo e decisões de compra na região
As redes sociais já fazem parte da rotina de consumo dos nordestinos. Segundo a pesquisa TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 21% dos usuários de internet da região compram produtos ou serviços pelo Facebook, Instagram ou TikTok.
O hábito cresce em um cenário de forte endividamento: em agosto, 82,3% das famílias do Recife tinham algum tipo de dívida, percentual que chegou a 77,4% em Salvador e 67,8% em Fortaleza, segundo as federações do comércio dos três estados.
O cenário se repete em escala nacional. Em agosto, 82% das famílias brasileiras estavam endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ao mesmo tempo, as redes sociais ampliam o contato dos consumidores com produtos, marcas e diferentes padrões de consumo.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), Rodrigo de Abreu Pinto, a exposição constante a esse conteúdo se soma a outros fatores que pressionam o orçamento familiar.

“Há uma perda crescente da capacidade de gestão financeira individual num panorama em que juros elevados, crédito fácil e dependência de bets se somam a um outro fator que passa a exigir cada vez mais atenção: a exposição dos usuários das redes sociais a padrões comportamentais estimulados pelos algoritmos.”
Em 2025, 88,5% das pessoas de 10 anos ou mais no Nordeste utilizaram a internet, segundo o IBGE. O percentual ficou próximo da média nacional, de 90,5%. São milhões de consumidores conectados a plataformas nas quais informação, entretenimento, publicidade e comércio dividem o mesmo espaço.
Uma publicação sobre uma viagem pode levar a uma oferta de passagem. Um vídeo sobre gastronomia pode apresentar um restaurante. Uma postagem de um influenciador pode mostrar uma roupa, um carro ou um procedimento estético e, na sequência, oferecer o caminho para a compra.
Segundo dados citados pelo IFD, 45% dos consumidores nordestinos afirmaram ter visto anúncios em posts.
Quando o desejo vira compra
A influência das plataformas não está apenas na oferta de produtos, mas também na formação do desejo e nas referências que o consumidor passa a ter sobre o que seria um determinado padrão de vida.
“As redes sociais passaram a participar de uma etapa essencial na jornada do consumidor: a formação do desejo e a percepção sobre o que é um padrão de vida desejável. O usuário é impactado de forma reiterada por conteúdos sobre viagens, restaurantes caros, roupas de grife, carros de luxo e procedimentos estéticos. Muitas vezes, eleva o padrão de consumo para além do que o internauta pode se permitir”, afirma Pinto.
A distância entre o estímulo e a compra também diminuiu. As plataformas concentram conteúdo, publicidade e mecanismos de venda no mesmo ambiente. O consumidor pode conhecer um produto, receber uma recomendação, acessar o anúncio e concluir a operação sem deixar a rede social.
As redes como hub de consumo
O modelo de negócios das plataformas mudou. Se antes elas eram principalmente canais de comunicação entre pessoas, empresas e marcas, hoje também funcionam como ambientes de comércio.
A jornada de compra ficou mais curta e imediata. Para o IFD, no entanto, as redes sociais não explicam sozinhas o endividamento das famílias.
“O endividamento é o resultado de uma combinação de vários fatores, como desemprego, juros altos, inflação, fintechs que oferecem crédito imediato e o crescimento das apostas online. Somado a isso, é importante considerar o papel das redes sociais, que influenciam diretamente os hábitos de consumo e as decisões de compra”, afirma Pinto.

