Balanço de 2026 também reúne investimentos em inovação, projetos produtivos e planejamento regional. Para 2027, autarquia aponta desafios relacionados à Reforma Tributária e à continuidade de obras estruturantes
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou, nesta quinta-feira (5), um balanço das atividades realizadas em 2026 e as prioridades para o próximo ano. Entre os principais resultados estão os R$ 35,9 bilhões contratados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) até agosto, o avanço físico de 85% da Ferrovia Transnordestina e o apoio a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Os dados foram apresentados durante reunião do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) com representantes das entidades vinculadas. O encontro reuniu iniciativas nas áreas de financiamento, incentivos fiscais, desenvolvimento produtivo e planejamento regional.
“O encontro foi uma oportunidade importante para compartilhar os resultados alcançados pela Sudene em 2026 e apresentar as iniciativas que estão em andamento para impulsionar o desenvolvimento regional”, afirmou o coordenador-geral de Gestão Institucional, Pabllo Brandão, que representou a autarquia.
Desafios 2027
Ele também chamou atenção para os desafios do próximo ano, especialmente os efeitos da Reforma Tributária sobre os instrumentos de estímulo ao desenvolvimento regional.
Segundo Brandão, a Sudene apresentou os avanços na aplicação dos incentivos fiscais, na operação do FDNE e do FNE e no apoio a projetos de inovação.
Financiamento e Transnordestina
Até agosto, o FNE havia contratado R$ 35,9 bilhões, de um orçamento de R$ 52,6 bilhões previsto para 2026. Para 2027, a programação financeira do Fundo chega a R$ 61 bilhões.
Na área de infraestrutura, a Transnordestina aparece entre os principais empreendimentos acompanhados pela Sudene. A ferrovia registra 85% de execução física e está associada à geração de mais de quatro mil empregos diretos. Em 2026, foram liberados R$ 556 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), com previsão de mais R$ 444 milhões até dezembro.
A captação de recursos internacionais também integrou o balanço, com operações e articulações envolvendo a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial.
Inovação e projetos produtivos
O apoio à inovação foi outra frente destacada. A Sudene apresentou os resultados de editais destinados a diferentes setores, com recursos para iniciativas relacionadas à autonomia econômica das mulheres, à cadeia produtiva da palma forrageira, à assistência social, ao turismo, à economia criativa e à inclusão de jovens pesquisadores.
Entre os programas estão o Inova Palma, com R$ 7,9 milhões; o Destinos Futuros, com R$ 3 milhões; o Inova Cultura, com R$ 2 milhões; o Inova Mulher, com R$ 1,55 milhão; o Inova Juventude, com R$ 1 milhão; e o InovaSuas, com R$ 730 mil.
Na área empresarial, a Chamada Nordeste reúne uma carteira de 189 projetos, com volume estimado em R$ 113 bilhões. Do total de propostas, 74% foram apresentadas por micro, pequenas e médias empresas, 32% envolvem consórcios empresariais e 77% contam com a participação de instituições de ciência e tecnologia.
A autarquia também destacou o edital de subvenção regional da Finep, elaborado em parceria com as superintendências regionais e o Sebrae. A iniciativa prevê R$ 300 milhões para apoiar projetos inovadores com risco tecnológico e potencial de impacto no desenvolvimento regional.
Planejamento e prioridades para 2027
No campo do planejamento, a Sudene avançou na definição dos projetos prioritários do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), além de trabalhar em estratégias de financiamento e monitoramento. Também iniciou a preparação do próximo ciclo do Plano, referente ao período de 2028 a 2031.
Outra iniciativa é a ampliação do Data Nordeste, plataforma que reúne informações econômicas e sociais da região e vem incorporando painéis interativos, boletins temáticos e ferramentas georreferenciadas. A autarquia também desenvolve, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e outras instituições, um estudo sobre pobreza e desigualdades no Nordeste.
Para 2027, a agenda inclui a modernização dos incentivos fiscais, diante das mudanças previstas pela Reforma Tributária, o fortalecimento do desenvolvimento territorial sustentável, com atenção ao Semiárido e à biodiversidade, e a ampliação do apoio à inovação e à gestão municipal.
Na infraestrutura, a conclusão da Transnordestina no trecho entre o Ceará e o Porto do Pecém e a viabilização do ramal entre Salgueiro e Suape, em Pernambuco, estão entre as perspectivas apresentadas pela autarquia.
A Sudene também prevê avançar na integração de bases de dados, na avaliação de políticas públicas e na modernização de sua estrutura tecnológica e institucional.

