Programa lançado em julho pela Netafim aproxima produtores de consultores e instituições financeiras; projetos em análise somam potencial de R$ 8 milhões a R$ 12 milhões
Ter uma linha de crédito disponível não significa, necessariamente, conseguir o financiamento. Para o produtor que pretende instalar ou modernizar um sistema de irrigação, o caminho até a aprovação pode envolver elaboração de projeto, documentação, garantias, exigências ambientais e a escolha da linha mais adequada ao investimento.
No Nordeste, onde a agricultura irrigada tem forte presença em polos como o Vale do São Francisco, esse processo ganha relevância.
Segundo a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), os projetos públicos de irrigação administrados pela companhia movimentam cerca de R$ 8,15 bilhões por ano em Valor Bruto da Produção (VBP), abrangem 125 mil hectares cultivados e geram aproximadamente 356 mil empregos.
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Foi para atuar justamente nessa etapa entre o produtor e o financiamento que a Netafim criou o Financia Mais NE. De origem israelense, a empresa desenvolve tecnologias e sistemas de irrigação localizada para a agricultura e atua no Brasil há décadas. Lançado em julho de 2026, o programa ainda está em fase inicial. E a própria empresa faz questão de colocar os números em perspectiva.
“Até o momento, nenhum produtor foi atendido, uma vez que o Financia Mais NE foi implementado em julho de 2026. A iniciativa já possui projetos em análise”, explica Mateus Eugenio, diretor financeiro da Netafim, com exclusividade para o site da revista NORDESTE.
Os projetos em análise representam, segundo ele, um potencial estimado entre R$ 8 milhões e R$ 12 milhões em financiamentos. O valor ainda não corresponde a crédito contratado, mas ao volume que poderá ser financiado caso as propostas sejam aprovadas pelas instituições financeiras.
Como conseguir o financiamento
A iniciativa não criou uma nova linha de crédito. A proposta é ajudar o produtor a encontrar e estruturar o financiamento entre as opções já disponíveis no mercado. Para isso, conta com consultores de crédito que mantêm relacionamento com diferentes instituições financeiras e acompanham o produtor durante o processo.
As instituições de maior alcance ao tipo de financiamento são Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e as cooperativas Sicoob e Sicredi. Não existe uma parceria exclusiva com esses bancos e cooperativas. Os consultores fazem a ponte entre o produtor e as alternativas disponíveis, com destaque para as linhas do Banco do Nordeste, que podem apresentar condições mais adequadas dependendo das características de cada projeto.
A dificuldade de acesso ao crédito é apontada pela própria Netafim como um dos principais gargalos para investimentos. Segundo uma estimativa da empresa, cerca de 80% dos produtores enfrentam algum tipo de dificuldade para acessar linhas destinadas a investimentos. Entre os motivos estão problemas com documentação, desconhecimento sobre as opções disponíveis e os próprios procedimentos necessários para a contratação.
“Os consultores fazem a ponte entre os produtores e as diferentes opções de crédito disponíveis. Eles acompanham o produtor ao longo do processo, orientando sobre documentação, características das linhas de crédito e requisitos de cada instituição”, afirma Mateus.
Segundo o diretor financeiro da empresa, esse acompanhamento pode começar pela identificação da linha mais adequada ao projeto e seguir pela organização da documentação e adequação da proposta às exigências do agente financeiro. A decisão sobre a concessão do crédito, porém, continua sendo do banco ou da cooperativa responsável pela análise.
Para Mateus Eugenio, o diferencial do programa está justamente no conhecimento das particularidades do mercado regional e dos procedimentos adotados pelas diferentes instituições.
“Os consultores conhecem as particularidades do mercado regional e os trâmites de diferentes instituições financeiras. Eles acompanham o produtor ao longo do processo, orientando sobre documentação, características das linhas de crédito e requisitos de cada instituição”, detalha.
Crédito
Entre as alternativas disponíveis para produtores nordestinos está o FNE Irrigação, do Banco do Nordeste, voltado a investimentos em sistemas de irrigação e outras estruturas relacionadas à atividade agrícola. O produtor também pode recorrer a diferentes instituições e modalidades de crédito, de acordo com as características e a viabilidade de cada projeto.
O papel do Financia Mais NE, portanto, está menos na oferta de recursos e mais na tentativa de reduzir a distância entre o produtor e o sistema financeiro. A experiência ainda é recente, e os projetos atualmente em análise serão os primeiros indicadores sobre a capacidade da iniciativa de transformar essa aproximação em crédito efetivamente contratado.
“Se os primeiros projetos em análise avançarem, os resultados poderão mostrar se a aproximação entre produtores, consultores e instituições financeiras consegue transformar um dos principais gargalos do investimento em irrigação em projetos efetivamente financiados no campo nordestino”, avalia.

