O novo mergulho digital do ATIVAWEB DATALAB veiculado no site da Revista NORDESTE se apresenta do tipo “Cheguei e Brasília amanheceu naquele raro momento em que o Supremo abre a sessão, o país abre o celular e ninguém sabe exatamente o que continuará de pé quando o julgamento terminar.”
Eis o resumo do levantamento feito a seguir:
SINTESE
Em 15 dias de análise sobre a crise do STF, a Ativaweb DataLab já coletou mais de 97 milhões de menções, ocorrências e interações digitais nas principais redes sociais. Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e Banco Master formam o núcleo mais citado de uma crise que deixou de ser apenas reputacional: tornou-se institucional, política e, agora, definitivamente eleitoral.
Mas o *algoritmo brasileiro* também tem suas prioridades: no domingo e ontem, a roupa de Virginia Fonseca na Fórmula 1 conseguiu ser mais comentada do que o STF . Moraes, Mendonça e Vorcaro dominaram Brasília mas, por algumas horas, perderam a pole position digital para o figurino da Virginia.
A GRANDE EXPECTATIVA
Enquanto isso, o STF realiza hoje uma das sessões mais delicadas de sua história e decide se abre investigação contra Alexandre de Moraes. No ambiente eleitoral, o novo estudo da Ativaweb DataLab mostra outra movimentação importante: Lula recuperou intensidade digital e a polarização com Flávio Bolsonaro começa a se consolidar também nas redes.
Em Brasília, o STF disputa o futuro institucional do país. Nas redes, disputa atenção até com a roupa da Virginia e nem sempre larga na frente.
OS 8 PRINCIPAIS MOVIMENTOS DO DIA
LULA RECUPERA FORÇA DIGITAL E A POLARIZAÇÃO GANHA FORMA*
O novo Termômetro Eleitoral Ativaweb DataLab/Amado Mundo mostra Lula com o maior patrimônio digital entre os presidenciáveis: 15,07 milhões de seguidores, ganho de 38,9 mil em sete dias e crescimento de 38,24% na variação do engajamento. Flávio Bolsonaro alcançou 11,58 milhões, ganhou 56,1 mil seguidores, mas registrou retração de 7,35% na variação do engajamento.
O diagnóstico é importante: Flávio apresentou maior expansão numérica, enquanto Lula recuperou intensidade, reação e capacidade de mobilização. Na Quaest, Flávio aparece com 42% e Lula com 40% em eventual segundo turno — empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos. A disputa digital e a eleitoral começam a apontar para a mesma direção: uma polarização cada vez mais concentrada nos dois nomes.
Flávio acelerou no tamanho; Lula reagiu na intensidade. A eleição começa a descobrir seus dois polos.
O STF JULGA MORAES — E TAMBÉM JULGA A PRÓPRIA CREDIBILIDADE
A sessão extraordinária começa às 10h e decidirá se será aberta investigação contra Alexandre de Moraes por mensagens apontadas em relatório da Polícia Federal. O caso é inédito porque envolve suspeitas relacionadas a um integrante da própria Corte e abre dúvidas sobre quórum, impedimentos, preliminares e quem poderá efetivamente votar. O rito será aberto por Edson Fachin e poderá incluir manifestação da PGR antes dos votos.
O processo tem um nome, mas o julgamento envolve a reputação de onze cadeiras.
MORAES E MENDONÇA LEVAM A QUEDA DE BRAÇO PARA O PLENÁRIO
Alexandre de Moraes classificou a apuração como “inconstitucional e ilegal”, negou favorecimento a Vorcaro e atribuiu o movimento de André Mendonça a uma “vingança” e a interesses político-eleitorais. Também contestou a interpretação do material da PF e chamou de fantasiosos os diálogos atribuídos a ele.
Mendonça, por sua vez, afirma que solicitou diligências por cautela diante da rede de influência de Vorcaro. O que começou como divergência processual virou confronto público e, em Brasília, quando ministros passam a trocar adjetivos, os substantivos normalmente já não dão conta da crise.
A toga continua preta, mas o clima entre os ministros está em vermelho.
52 MENSAGENS, DUAS VERSÕES E MILHÕES DE INTERPRETAÇÕES
O relatório da PF aponta 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, sem indicar quais teriam sido as respostas do ministro. Moraes sustenta que parte do material teria sido interpretada de maneira equivocada — inclusive um bloco de notas do iPhone que teria sido tratado como mensagem de WhatsApp — e questiona a eventual participação de um “órgão estrangeiro” na produção das informações.
A discussão técnica será decisiva, mas o ambiente digital já simplificou o assunto: de um lado, “há mensagens”; do outro, “não há prova”. Entre a perícia e o compartilhamento existe uma distância enorme — e o algoritmo costuma percorrê-la em segundos.
No processo, cada detalhe precisa de prova. Nas redes, muitas vezes basta uma captura de tela.
FACHIN ASSUME O PAPEL DE ÁRBITRO DA CRISE
Edson Fachin abrirá a sessão, apresentará o relatório e dará o primeiro voto. Depois, os ministros votarão conforme a ordem regimental, embora ainda existam dúvidas sobre a participação de Moraes, Mendonça e Toffoli. A sessão será transmitida ao vivo pela TV Justiça e poderá ter questões preliminares ou até pedido de vista. Nunca antes a Corte havia analisado um caso dessa natureza envolvendo um de seus próprios integrantes.
Fachin entra como relator, presidente e bombeiro — só falta Brasília entregar a mangueira.
CÁRMEN, KASSIO E TOFFOLI VIRAM OS “FIÉIS DA BALANÇA”
Nos bastidores, Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli são tratados como votos capazes de definir o resultado. Toffoli ainda enfrenta questionamentos sobre eventual impedimento, enquanto Cármen e Kassio deverão receber pressão política e digital durante toda a sessão. A composição efetiva do plenário poderá ser tão importante quanto o mérito analisado.
Quando o placar está aberto, até o silêncio de um ministro começa a ser interpretado como voto.
DRONES, GRADES E UMA ESPLANADA EM MODO DE ALERTA
O entorno do Supremo amanheceu com segurança reforçada, bloqueios, cercas e monitoramento por drones. O aparato revela que o julgamento ultrapassou os limites institucionais: há expectativa de manifestações, vigílias e mobilização política. O esquema de segurança foi ampliado diante do risco de protestos durante a sessão.
Quando o julgamento precisa de drone com câmera térmica, o termômetro político já passou do normal.
A CRISE DO STF ENTRA DEFINITIVAMENTE NA ELEIÇÃO
A campanha de Lula tenta separar o presidente da figura de Moraes e preservar uma posição institucional. Flávio Bolsonaro endurece o discurso contra o STF nas ruas, mas busca moderação ao falar com o mercado. Zema, pressionado nas pesquisas, tenta recuperar espaço na direita intensificando críticas a Moraes.
A crise oferece oportunidades distintas: Lula pode defender estabilidade e investigação sem blindagem; Flávio pode transformar o sentimento anti-STF em mobilização; e os demais candidatos tentam evitar que a polarização os transforme em figurantes.
O STF ainda não decidiu o processo, mas a eleição já começou a disputar politicamente o resultado.
BASTIDORES DE BRASÍLIA
No Supremo, a preocupação central não é apenas quem vence a votação, mas como a Corte sairá do plenário. Um resultado apertado poderá aprofundar a divisão interna; um pedido de vista prolongará a crise; e qualquer fala mais dura produzirá novos cortes para as redes.
No Congresso, oposição, Centrão e setores governistas observam a possibilidade de rediscutir regras para investigações, impeachment de ministros e uma reforma do Judiciário. Cada grupo tem uma motivação diferente, mas todos perceberam que a crise abriu uma janela política.
Nas campanhas, Lula e Flávio já trabalham para enquadrar o julgamento dentro de suas próprias narrativas. Lula busca estabilidade institucional; Flávio, indignação e mobilização. O restante dos presidenciáveis tenta descobrir como entrar numa conversa que está ficando cada vez mais fechada entre dois polos.
LEITURA ESTRATÉGICA ATIVAWEB DATALAB
O principal movimento do dia é a fusão entre crise institucional e disputa eleitoral. Moraes, Mendonça, Vorcaro e o Banco Master continuam concentrando atenção, mas Lula e Flávio passam a capturar eleitoralmente os efeitos dessa narrativa.
O estudo da Ativaweb revela uma mudança importante: Lula não apenas preserva o maior estoque de audiência, como voltou a acelerar no engajamento. Flávio continua crescendo mais em seguidores, porém com perda de intensidade na resposta da comunidade. Isso significa que a vantagem digital não está consolidada para nenhum dos dois.
Atenção digital, porém, não é intenção de voto. O que os dados mostram é capacidade de ocupar o debate, formar narrativa e mobilizar audiência. A conversão eleitoral dependerá de confiança, rejeição, território, campanha e capacidade de transformar exposição em apoio.
Tamanho explica o patrimônio acumulado; velocidade mostra para onde a atenção está indo.
ALERTA ATIVAWEB
Tema com maior potencial de explosão: qualquer divergência pública entre Moraes e Mendonça durante a sessão.
Personagem que mais pode ganhar visibilidade: Edson Fachin, pelo voto inicial e pela condução do julgamento.
Risco digital: trechos isolados de votos ou documentos circularem sem contexto, transformando argumentos jurídicos complexos em slogans eleitorais.
Oportunidade eleitoral: Lula consolidar a recuperação digital com uma mensagem de estabilidade; Flávio ampliar a mobilização anti-STF sem afastar o eleitor moderado.
Brasília vive hoje um daqueles dias que entram para a história antes mesmo de terminar. O STF decidirá se investiga Moraes, mas o resultado também poderá redefinir a relação entre a Corte, o Congresso, as ruas, as redes e a eleição presidencial.
No Brasil hiperconectado, os fatos importam. Mas a velocidade da narrativa costuma importar ainda mais.
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