A primeira vítima de qualquer campanha presidencial (e outras campanhas), fracassadas, no Brasil, geralmente é o chamado marqueteiro, aquele profissional que orienta, ensina e recomenda ao candidato como falar, agir e se apresentar ao público eleitor. E o candidato derrotado é aquele que, quase sempre, discorda de tudo isso, não aceita orientação, cai nas pesquisas e demite o marqueteiro.
Há um imenso e curioso processo de aceitação, discordâncias, harmonia e boa ou má convivência entre o político interessado em ser eleito e aquele que se empenha, inova e busca erros no adversário para reforçar (ou dinamizar) o discurso de seu contratante.
A tranquilidade daqueles que pensam em garantir seu emprego, nem que seja por um turno apenas, e pelo brilho dos candidatos nos palanques, debates e outros eventos, vai do Céu ao Inferno, em muitos casos em questão de dias, horas talvez. Na eleição de agora, já nas ruas, no rádio, na TV e nos corações e mentes das pessoas de todas as crenças e ideologias, essa rotina segue seu curso e parece não indicar sinais de mudança.
Como no futebol, no time que está perdendo, deixa o cargo aquele que dirige o elenco. Na eleição, o voto tem peso de um gol, e quem não faz a favor leva o prejuízo pra urna, numa competição onde o empate é apenas teórico, não passa da margem de erro.
O exemplo vivo de que essa prática de mudança de comando não vai mudar vem da já agitada campanha de Flávio Bolsonaro, que ainda mal começou, já passou por três substituições, e ainda patina na rampa de subida.
O primeiro “treinador” que se apresentou ao comando do PL (Partido Liberal), para buscar votos para o candidato indicado por Jair Bolsonaro, foi Eduardo Fischer (69 anos), pouco mais de 60 dias no cargo, já substituindo o primeiro execrado do cargo, Marcelo Lopes (Marcelão), fora da campanha por exigir do candidato ações contrárias às vontades de Waldemar Costa Neto, presidente do PL.
Pelo cargo também passou Alexandre Ultramare, igualmente rejeitado após poucas semanas atuando como orientador de um candidato que nunca o entendeu. Duda Lima (51 anos), experiente e com um currículo robusto em vitórias, é o marqueteiro de plantão, até quando, nem ele sabe. Igualmente líder de peso na ala direitista da campanha presidencial, Ronaldo Caiado também já marcou presença, trocando seu homem de marketing, Paulo Vasconcelos, 35 anos de militância política, por Marcos Carvalho (41 anos), com quem trabalha até os dias de hoje. O candidato do PSD (Partido Social Democrático), até agora crítico severo da campanha bolsonarista, evita ataques ao ex-auxiliar, mas assessores da campanha e analistas políticos mais próximos ao candidato confirmam atritos com alguma frequência. Brasil afora, candidatos a governadores, ao Senado e à Câmara Federal também assumem discordâncias com seus comandos de campanha, e não raro também anunciam novos nomes responsáveis pela busca de votos dos candidatos. O trabalho de todos eles, agora próximo da propaganda eleitoral pelo rádio e pela TV, ganha nova importância, peso e responsabilidade, o que torna a missão ainda mais tensa e aumenta a preocupação pelo chamado risco zero de equívocos. Qualquer deslize, um voto a menos na urna.
José Natal
Jornalista

