Criatividade e identidade com sabor de manga no Sertão do São Francisco, por Aluísio Sampaio

Por Aluísio Sampaio, coluna Empreendedorismo e Desenvolvimento* 

 

Na edição de outubro da minha coluna “Empreendedorismo e Desenvolvimento”, publicada no portal Revista Nordeste, apresento a história da Mais Manga, um empreendimento inovador que produz uma ampla variedade de produtos tendo a manga como principal matéria-prima.

A história do empreendimento teve início em 2024, por iniciativa da empreendedora pernambucana Claudia Sirlene, natural de Petrolina.

O negócio surgiu em um período particularmente desafiador de sua vida, durante o qual enfrentou a depressão e o transtorno de ansiedade. Foi por meio do empreendedorismo, entretanto, que ela encontrou um caminho para se reerguer, reconstruir sua trajetória e atribuir um novo significado à própria vida.

Claudia Sirlene sempre manteve uma relação muito próxima com a manga. Essa conexão está relacionada tanto ao contexto familiar quanto à localidade onde vive. Moradora de um núcleo de produção de frutas, ela cresceu acompanhando pessoas da própria família atuarem na cadeia produtiva da fruticultura.

Além disso, Petrolina é reconhecida pela expressiva produção de frutas irrigadas, entre elas, a manga.

Como tudo começou

A trajetória da Mais Manga pode ser dividida em dois momentos, marcados por diferentes características e ofertas de produtos.

Inicialmente, o empreendimento surgiu com a produção de camisas estampadas com frases divertidas, de identidade nordestina e relacionadas à manga.

Entre elas, estava a frase “Nordestino não tira onda, ele manga”, que traduzia, de forma descontraída, a identidade e a proposta inicial da marca.

 

Camisa estampada com uma frase divertida

 

Algum tempo depois, Claudia Sirlene teve a ideia de ir além das camisas e transformar a manga em produtos alimentícios. Ao perceber a viabilidade da proposta, e movida por coragem, determinação e otimismo, transformou a ideia em uma nova oportunidade de negócio.

Assim, a Mais Manga passou a ampliar seu portfólio, mantendo as camisas e incorporando uma diversificada linha de produtos alimentícios elaborados à base de manga.

A Mais Manga está localizada em Petrolina,  na Região do Sertão do São Francisco. O município é reconhecido nacional e internacionalmente pela produção e exportação de frutas cultivadas por meio da agricultura irrigada, utilizando as águas do Rio São Francisco, com destaque especial para a manga e a uva.

De acordo com o ranking “Melhores Cidades para Fazer Negócios”, elaborado em 2025 pela consultoria Urban Systems e publicado pela revista Exame, Petrolina foi considerada a melhor cidade do Brasil para fazer negócios no setor do agronegócio.

Produtos

Com o propósito de valorizar o sabor e a identidade da região, a Mais Manga produz uma variedade de produtos.

Entre eles, barra de doce de manga, biscoito de manga, bolo tradicional de manga, bolo de rolo de manga, bombom de manga cristalizado, caponata de manga com umburana, chá de manga, chip de manga, cocada de manga, doce cremoso de manga com coco, geleia de manga com abacaxi e gengibre, geleia de manga com cachaça, geleia de manga com frutas amarelas, geleia de manga com pimenta, geleia de manga com tangerina, geleia tradicional de manga, granola com manga, licor de manga, manga desidratada, manteiga de manga, pé de moleque de manga, picles de manga, picolé de manga, suco de manga, suspiro de manga e vinagre de manga.

 

Produtos fabricados pela Mais Manga. Fonte: Mais Manga (2026)

As mangas utilizadas na fabricação dos produtos são de diferentes variedades, conforme as características e finalidades de cada item. Entre elas estão Keitt, Palmer, Rosa e Tommy. Os produtos são preparados basicamente com mão de obra familiar, envolvendo três pessoas, por meio de um processo artesanal e criterioso, realizado na própria residência, em um espaço certificado, estruturado e destinado exclusivamente à produção.

Circularidade

As matérias-primas usadas na produção dos produtos são adquiridas em fazendas de fruticultura da região, fortalecendo a cadeia produtiva local e contribuindo para a economia regional.

Destaca-se que parte da matéria-prima utilizada é oriunda do aproveitamento de frutas que, muitas vezes, não conseguem ser comercializadas, seja no mercado interno ou externo, principalmente por questões estéticas. São mangas que podem não apresentar o padrão visual exigido pelo mercado, mas que continuam apresentando qualidade e sabor.

Os produtos são acondicionados em embalagens variadas, incluindo potes e sachês de plástico e vidro, devidamente lacrados, em formatos e tamanhos que variam conforme cada tipo de produto. Os ítens apresentam pesos e volumes distintos, de acordo com suas características e embalagens, contribuindo para a qualidade, a segurança e a preservação de suas características sensoriais.

Os produtos podem ser encontrados para aquisição em estabelecimentos comerciais de produtos regionais, em feiras agropecuárias realizadas em Petrolina e diretamente no próprio local de produção.

Entre os ítens mais comercializados estão as geleias de manga com abacaxi e gengibre, de manga com cachaça, de manga com frutas amarelas, de manga com pimenta, de manga com tangerina e a geleia tradicional de manga, além da caponata de manga com umburana e do picles de manga.

Além do São Francisco

Os produtos já foram vendidos em diferentes cidades e estados brasileiros, como Nova Viçosa, no sul da Bahia; João Pessoa, na Paraíba; Marechal Floriano, no Espírito Santo; São Paulo, capital; Florianópolis, em Santa Catarina; Montes Claros, em Minas Gerais; e Natal, no Rio Grande do Norte.

A expectativa de Claudia Sirlene é ampliar a atuação da marca, transformar o local de produção em uma agroindústria e conquistar novos mercados, especialmente no exterior, com a perspectiva de exportar seus produtos para diferentes países.

Vale destacar que a atuação da Mais Manga apresenta relação com diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU).

Entre eles, destaca-se o ODS 5 – Igualdade de Gênero, considerando o protagonismo feminino na liderança do negócio; o ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico, relacionado ao empreendedorismo, à geração de trabalho e renda e ao fortalecimento da economia local; o ODS 9 – Indústria, Inovação e Infraestrutura, associado à transformação e à agregação de valor à produção regional; e o ODS 12 – Consumo e Produção Responsáveis, especialmente pelo aproveitamento de frutas que apresentam limitações para comercialização in natura e pela transformação da matéria-prima em diferentes produtos.

Essa é a história da Mais Manga, um empreendimento sertanejo pernambucano que, além de conquistar consumidores com produtos de qualidade e sabor diferenciado, agrega valor à fruticultura da Região do Sertão do São Francisco, fortalece a economia local e mostra que empreender também significa transformar potencialidades locais em oportunidades de desenvolvimento sustentável.

 

*Aluísio Sampaio é Mestre em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), com ênfase em Gestão, Inovação e Empreendedorismo; e Doutorando em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

 

Serviço:

• Instagram: @maismanga_vsf

• Contato/

WhatsApp: (87) 9 8122 – 2903

 

Curta e compartilhe:

Redacao RNE

Leia mais →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *