O único obstáculo que ainda restava para que a candidata ao Governo de Brasília, Celina Leão Hizim Ferreira, nascida em Goiânia (49 anos), do PMB, seja eleita como a nova Governadora da cidade nas eleições deste ano de 2026, não existe mais. A dúvida (remota) que ainda há é se será neste domingo (dia 4), em primeiro turno, ou se será no dia 26, também em um domingo, no segundo turno.
Esse obstáculo era José Roberto Arruda, candidato do PSB, mineiro de Itajubá, 76 anos, que já governou o DF de 1º de janeiro de 2007 a 16 de março de 2010 (eleito em primeiro turno) e agora afastado da disputa, após decisão do Superior Tribunal Eleitoral.
Durante todo o desenrolar da atual campanha, Arruda esteve na segunda colocação, conforme as pesquisas, e em várias oportunidades sinalizando viés de possível subida de posição. Após o afastamento do candidato Arruda, o petista Leandro Grass (41 anos), nascido em Brasília, assume a segunda colocação, seguido de perto por Paula Belmonte (53 anos), do PSDB, ex-Deputada Federal, bem avaliada em todo o mandato, dedicada às políticas sociais.
Dois fatos, de dimensões, circunstâncias, motivações e causas distintas, nortearam o desempenho das campanhas de todos os candidatos (10 ao todo) ao Governo do DF, desde seu início, numa sequência de episódios, de alguma forma influentes junto à preferência de votos do eleitor.
Arruda, com eleitorado cativo e apoio declarado de grande parcela da comunidade, durante toda a sua caminhada, esteve sob os holofotes da Justiça Eleitoral, que terminou por afastá-lo da disputa.
As negociatas envolvendo o caso Master e BRB, com Daniel Vorcaro no centro das atenções, e o ex-Governador Ibaneis Rocha e a atual, Celina Leão, também nesse palco, pouco ou quase nada restou aos demais concorrentes, senão a insistente carga de críticas e insinuações, na esperança de tirar a liderança da zona de conforto.
Após intensas negociações, acordos e acertos nos bastidores dos partidos, parte maior do acervo de Arruda fez a opção por apoio à candidatura de Celina Leão, cabendo também a Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (NOVO) e Ricardo Cappelli (PSB) parte desse espólio, com certeza sinalizando alguma dose de robustez ao eleitorado de todos eles.
Brasília tem hoje quase dois milhões e trezentos mil eleitores habilitados a votar. Vigésimo primeiro colégio eleitoral do Brasil, sendo 54% do eleitorado feminino e 46% masculino, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral de 2026, o Distrito Federal se insere de vez no histórico polêmico de eleições do país, uma vez que elege suas novas lideranças, com a comunidade atenta e à espera de respostas sobre questões nada republicanas, expondo mazelas perturbadoras.
O caso Master-BRB esteve (e ainda está) no DNA de cada campanha, fato que necessariamente fará parte das primeiras providências administrativas e jurídicas de quem quer que seja o novo administrador da cidade.
Aos 66 anos de idade, a cidade que reúne os três poderes da nação, centro das decisões mais importantes relativas ao bem-estar da comunidade, mostra maturidade na condução do processo eleitoral, até o momento sem episódios que sinalizem algum tipo de perturbação ou desconforto aos eleitores durante a votação.
Além do favoritismo evidente da candidata do PMD ao Governo local, Michelle Bolsonaro, do PL, é a única entre os aspirantes a uma cadeira no Senado Federal a desfrutar de uma condição de maior tranquilidade. Líder nas pesquisas desde os primeiros dias da campanha, surge no cenário com grande chance de ser eleita.
Pelo quadro atual, em Brasília, a candidata Leila Gomes de Barros (a Leila do vôlei), do PDT, de 55 anos, também é fortíssima candidata, e disputa com a cearense Erika Kokai (69 anos), do PT, a segunda cadeira no Senado Federal.
Para a Câmara Federal, também tendo como pano de fundo o rombo Banco Master-BRB, quatro ex-governadores entram na disputa por uma vaga disputada voto a voto. Maria Abadia (PSD) e Cristovam Buarque (PSB), ambos com 82 anos, os mais idosos na disputa, apostam no passado político, de olho na Brasília de hoje.
Agnelo Queiroz (PT), 67 anos, e Rodrigo Rollemberg, com a mesma idade, concorrem também pelo PSB, os dois que também passaram pelo Palácio do Buriti. A disputa não tem favoritos.
José Natal
Jornalista

