Por Eduardo Guimarães
A Globo parece estar com saudade de perder eleição para Lula. Hoje me lembrei de 2006, após a apuração da eleição em segundo turno. A cara de Merval Pereira é a mesma. Desolação pura. Ipsis litteris.
A emissora tenta vender a tese de que se Lula fosse ao debate haveria “troca de ideias”. É piada.
O plano era que Flávio, Caiado e Zema avançassem sobre Lula com insultos e ironias para tentar desestabilizá-lo, fazê-lo se confundir. Um homem de 80 anos, pensaram, seria presa fácil.
A Globo tirou Renan Santos do debate para blindar Flávio. O candidato do Missão prometia cobrar o caso Master, a rachadinha, a mansão, a loja de chocolate…
Flávio deve estar correndo até agora. Como enfrentar questionamentos insistentes sem leniência, sem cumplicidade como aqueles que o Jornal Nacional fez consigo naquela entrevista infame?
01 foi se abrigar em uma live com 500 mil pessoas enquanto a entrevista do Lula ultrapassava 1,6 milhão de espectadores. E ele estava impossível.
Algumas tiradas:
“Eles transformaram um agiota em banqueiro e eu o transformei em presidiário”
“Eu não vou fazer que nem o pai do mequetrefe e proteger meu filho de investigação”
“A bronca que eles têm do Alexandre de Moraes não é pelo banco Master, é porque ele prendeu o Bolsonaro e os militares”
E por aí vai.
Renan Santos conseguiu uma façanha. Tive que concordar com ele pela primeira vez na vida.
A Globo o tirou do debate sob o argumento de que a legislação permite. Sim, é verdade. Mas não obriga. A Globo poderia ou não deixar de fora um candidato que tem 4, 5 vezes mais votos que Romeu Zema.
A Globo não disse um A quando Nunes Marques autorizou Zema, do Novo, a participar do debate apesar de que a representação parlamentar do partido no Congresso tampouco tornava sua presença obrigatória.
Mas se Gilmar Mendes autoriza Renan Santos a participar, ai a emissora surta, Malu Gaspar soltava fogo pelas ventas, Merval quase teve uma síncope.
Enquanto o “mequetrefe” fugia pateticamente, Lula exalava serenidade e bom humor. Para quem não sabe, tinha trackings fresquinhos e gordinhos no bolso. E domingo está logo aí.
Enfim, a consolação da Globo e do bolsonarismo é a de que o choro é livre.
*As opiniões e artigos publicados no site da revista Nordeste são de responsabilidade de seus autores

